Quando o altruísmo torna-se patológico [Portuguese translation]

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[This is a Portuguese translation of “When Altruism Becomes Pathological”, originally published in English at EveryJoe.]

Quem é mais propenso a trapacear — praticantes de esportes individuais ou de esportes coletivos?

Um experimento fascinante realizado pelo professor Sharon K. Stoll, publicado no Chronicle of Higher Education, compara atletas de esportes individuais como golfe ou tênis simples com atletas de esportes coletivos tais como basquete ou tênis de duplas. Atletas de esportes individuais exibiram níveis mais elevados de moralidade, enquanto os de esportes coletivos eram muito mais propensos a trapacear e racionalizar.

No tênis, por exemplo, se a rebatida de meu adversário tocar a linha, supõe-se que eu deva aceitar tal fato, perdendo o ponto. Em uma partida de simples, eu, sozinho, perco o ponto; contudo, em uma partida de duplas, tanto eu como o meu companheiro de equipe sofrem a derrota. Assim, meus incentivos são diferentes, e o meu compromisso de fazer o que é melhor para a minha equipe me dá uma razão adicional para trapacear.

Da mesma forma, em esportes coletivos tais como o futebol americano ou o basquete, a estratégia e muitas das jogadas são determinadas pelos técnicos que estão do lado de fora. Em contraste, nos esportes individuais cada atleta (por si só) tem a responsabilidade da decisão. Assim, os atletas de esportes individuais são muito mais propensos a aprender a assumir responsabilidade por suas ações, enquanto os atletas de esportes coletivos são mais propensos a aprender a seguir ordens e a transferir a responsabilidade para os outros.pathological-altruism

Outro aspecto é a forma como um indivíduo vê seus oponentes e a si próprio. Na luta livre normal, um lutador está bem ciente de si e do seu oponente como indivíduos únicos, mas em esportes coletivos — com muitas pessoas usando o mesmo uniforme — é bem mais provável que você veja seus oponentes como seres indiferenciados e despersonalizados.

Tudo isso nos leva a um território moral mais obscuro e os debates sobre o altruísmo — e, para esse propósito, tomei emprestado para o título de meu artigo o título da obra pioneira da professora Barbara Oakley, Pathological Altruism (Oxford University Press, 2012).

O altruísmo, como tantos outros conceitos filosóficos complexos e polêmicos, é usado de diversas formas. Em sua forma mais forte, ele mantem o significado dado por Auguste Comte, proponente do termo (em 1830): que os interesses dos outros são eticamente superiores, e que o desejo de um indivíduo sacrificar seus próprios interesses pelo bem dos outros é o critério da moralidade. “O principal problema da vida humana”, Comte argumentou, é “a subordinação do altruísmo ao egoísmo”.

Em sua forma religiosa, o altruísmo forte foi exortado pelo professor do famoso escultor Auguste Rodin, Padre Eymard, que foi canonizado em 1962. Ele propunha como principio orientador que “para salvar a sociedade, nós temos que reviver o espírito do sacrifício” por meio do “sofrimento e da auto-abnegação” e “nós estamos aqui unicamente para a autoimolação do corpo e da alma”.

Em sua forma secular, Jane Addams, progressista estadunidense ganhadora do prêmio Nobel da Paz, argumentou que “neste esforço em prol de mais moralidade em nossas relações sociais, nós devemos exigir que o indivíduo esteja disposto a renegar o seu sentimento de realização pessoal, devendo contentar-se ao perceber o valor de suas ações somente em conexão com a atividade alheia”.

Em usos mais comuns, todavia, o altruísmo às vezes significa meramente o comportamento intencional que respeita ou beneficia os interesses dos outros. Tal uso não implica necessariamente uma oposição ao egoísmo, na medida em que negociadores, conhecidos e amigos, e namorados podem formar relações sociais que são calcadas no respeito mútuo aos interesses das partes.jane-addams

A melhor forma de evitar confusão terminológica é usar o termo pró-social para intenções e ações que fomentam resultados sociais positivos, e usar altruísmo e egoísmo para as posições concorrentes sobre qual a melhor forma de alcançar o pró-social.

Se a promoção do comportamento pró-social (comércio, amizade, etc.) é parte da ética, então, qual é a melhor forma de fomentá-lo: respeitando os interesses individuais ou obrigando-os a sacrificar seus interesses em prol dos outros? Isto é, pensamos que o pró-social requer um compromisso com relações ganha-ganha (egoísmo), ou perde-ganha (altruísmo)?

A preocupação com respeito às possíveis implicações patológicas do altruísmo tem ligação direta com a mentalidade de um tipo de trapaceador, exemplificada acima no contraste entre esportes individuais e coletivos:

  • Pelo bem da equipe, sacrificarei minha integridade e mentirei.
  • Para ser parte da equipe, sacrificarei minha independência de julgamento e seguirei ordens.
  • “Não existe um ‘Eu’ na equipe”, e nossos oponentes têm um caráter impessoal.

Em poucas palavras, o que se comporta mal parece estar agindo como exigido por um altruísmo forte — ele está colocando os outros antes dele próprio, valorizando as necessidades da equipe acima das suas, e sacrificando a sua individualidade em prol do social.

O professor Dan Ariely da Carnegie-Mellon University estuda o fenômeno da trapaça em grupos e conduziu uma série de experimentos com estudantes da instituição. Os estudantes de um grupo teriam que resolver uma série de problemas matemáticos, sendo remunerados de acordo após sua conclusão. Um membro do grupo que era, na verdade, um aliado trabalhando junto com os pesquisadores, levantou após um curto período de tempo e afirmou que tinha resolvido todos os problemas. Claramente, isso era improvável dado o número e a dificuldade dos problemas; contudo, o supervisor do experimento pagou o prêmio sem verificar se ele tinha, de fato, resolvido todos os problemas. Não causa surpresa que os outros estudantes logo tenham feito o mesmo, afirmando terem resolvido muito mais problemas matemáticos do que, de fato, tinham.runners

O experimento foi feito novamente com outro grupo de estudantes, mas com uma diferença — o estudante infiltrado usou uma camiseta da University of Pittsburgh, o que o identificava como um membro de um grupo social diferentes, os rivais do outro lado da cidade. Quando este estudante da UP disse que tinha terminado, a quantidade subsequente de trapaça (afirmações falsas) entre os outros estudantes foi muito, muito menor.

A implicação moralmente negativa do experimento de Ariely é que, quando os indivíduos se consideram primariamente como membros de um grupo, sua responsabilidade individual diminui. Eu trapacearei se outros membros do meu grupo trapacearem, mas não trapacearei se membros de outros grupos trapacearem. Em resumo: o compasso moral que é seguido é determinado pelos outros componentes de meu grupo, e não por mim mesmo.

Pior: a identidade interna de um grupo X pode e, muitas vezes, leva à disposição de sacrificar indivíduos que são membros de outros grupos (Y,Z). O professor Joachim Krueger, que colaborou para a obra de Oakley, nota que “o altruísmo tende a ser paroquial”, isto é, quando os interesses dos membros de outros grupos (Y,Z) estão em conflito com o do grupo (X), o sacrifício de indivíduos naqueles outros grupos (Y,Z) parece moralmente desejável e, até mesmo, imperativo. Em sua forma extrema, essa disposição a sacrificar os membros de outros grupos é um componente da psicologia genocida. Se for para o bem de meu grupo — e as necessidades de meu grupo são de suma importância — então, vale tudo.

Mesmo membros do grupo X que parecem ser ameaças ao grupo como um todo — dissidentes, hereges, pessoas com deformações físicas ou enfermidades mentais — podem ser sacrificados moralmente, de acordo com o altruísmo patológico. Muitos comentaristas perceberem que o coletivismo altruísta imbuído no pedido do juiz da Suprema Corte Oliver Wendell Holmes por esterilização forçada para evitar que os “manifestadamente incapazes procriem”. Como ele escreveu em Buck v. Bell (1926): “é melhor para todo mundo” que tais indivíduos sejam sacrificados.

E, é claro, a disposição a se autosacrificar pelo grupo é o componente-chave do altruísmo. Em sua forma patológica, aqueles que buscam o martírio pela causa, kamikazes, e homens-bomba são exemplos de pessoas com disposição extrema ao autosacrifício — de forma a mostrar seu altruísmo em benefício da causa do grupo.

O ponto é que, apesar do argumento frequentemente repetido de que o altruísmo é positivo, existe um conjunto altamente complexo de questões fascinantes — e perturbadoras — que merecem ser mais bem exploradas do ponto de vista terminológico, psicológico e moral.


hicks-stephen-2013“Quando o altruísmo torna-se patológico” Por Stephen Hicks. Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Santos III. Artigo Original no “The Good Life”. Visite Publicações em Português para ler os últimos artigos de Stephen Hicks.

Stephen Hicks é o autor do livro Explicando o Pós Modernismo e Nietzsche and the Nazis.

Should we thank coffee for modern civilization? [The Good Life series]

[This article was originally published in English at EveryJoe.com and in Portuguese at Libertarianismo.org.]

Coffee arrived in Europe in 1529, and most historians date modern history from the 1500s. Coincidence?

As I write this, I’m happily into my second cup of the day. The stimulating effect of the caffeine will keep me going until midday, when I will likely indulge another.

Go back to the bad old days, Before Coffee, when the most popular drinks were alcoholic. Even at breakfast, the most common drinks were wine and weak beer. The historian Tom Standage points out that water supplies near most human settlements were suspect, so drinking alcohol was often healthier than drinking water. But the high rates of alcohol consumption also meant that people spent most of their waking hours under the influence, so to speak, mellowed and inebriated to varying degrees.

But along came coffee — and everything changed. Morning coffee drinkers began their days energized, with their senses and intellects stimulated. As a result, Europeans started to work harder and to work smarter, and the rest is history. Deep-thinking science and clever engineering took off, poets and playwrights became more creative, and even the average man and woman became more productive each day.

Also important was the development of European coffee-house culture. The coffee houses brought people of all stripes, classes, interests, and talents together for drinking and socializing. Imagine how uncountably many business deals, philosophical debates, artistic inspirations, and travel-the-world expeditions were launched over a cup of coffee. (The Braun company site has some pictures of famous European coffee houses to add to your bucket list.)

So a question: how far can we take this Coffee-Caused-Modernity thesis?

To answer that question, we must turn to the Turks, because it is thanks to the militaristic and imperial ambitions of the Turks that coffee came to Europe. Under Suleiman the Magnificent, the Ottoman empire was expanding westward into Europe until it was halted at Vienna in 1529. (I have a suspicion that His Magnificence was so named for his truly magnificent headgear, as this image testifies.) The Turkish army was then repulsed, and when they retreated in a hurry they left behind many bags containing coffee beans.

Enter the next hero of our story, Franz Georg Kolschitzky, a Pole who had lived in Turkey and who distinguished himself in the fight against Suleiman’s forces. Kolschitzky recognized the beans for what they were, claimed them as war booty, and launched himself as an entrepreneur in Vienna by opening its first coffee house. The brew, sometimes mixed with sugar and/or milk, was very popular with the Viennese, and coffee and coffee houses spread rapidly across Europe.

So let us salute both Suleiman of the Magnificent Headwear and Herr Kolschitzky of the Entrepreneurial Alertness. Unintentionally in Suleiman’s case and intentionally in Koschitsky’s, those of us who worship at the altar of the bean know to whom we should direct our reverent thanks.

But exactly how much of the benefits of modern civilization flowed from the introduction of coffee?

We should note that the Turks had both coffee and a coffee house culture for at least a century before the Europeans did. But the Turks did not go on to develop the powerful ideas and institutions that shaped modern civilization. So coffee can’t be the only factor.

Also worth noting are the following historical events, all of which shaped modernity and predated the arrival of coffee in 1529:

* The energetic Portuguese had been sailing up and down the west African coast for a century: Bartholomeu Dias led an expedition around the Cape of Good Hope in 1487, Vasco da Gama reached India by 1498, and Pedro Alvares Cabral got to Brazil in 1500. And working with the Spanish, the Italian Christopher Columbus crossed the Atlantic in 1492 and the Portuguese Ferdinand Magellan led the first voyage around the world in 1519.

* In Germany, Martin Luther posted his 98 Theses on the Wittenberg church door in 1517, thus triggering the great unleashing of religious energy in the Reformation/Counter-Reformation battles.

* Sometime before 1514, the Pole Nicolaus Copernicus first sketched his heliocentric model of the universe, and astronomers and mathematicians were already making more careful observations and calculation of the movements of the planets and stars.

So by the time that coffee arrived in Europe, revolutions in world exploration, religion, and science were already underway across the continent.

(And, we should point out, the classical Greeks, Romans, and others earlier built great civilizations with no coffee at all, hard as that may be to imagine.)

Coffee therefore can at most get contributory credit for helping create modern civilization. The Dutch brought tea to Europe in 1610, about eighty years after coffee’s arrival, adding another stimulant to the menu. But coffee’s and tea’s physiological effects at most added force to trends that were already activated.

In both cases, the physically-energizing effects of caffeine were enhancements to civilization’s development because feeling more energetic does not by itself determine how that energy will be directed. That depends on a person’s beliefs and values. An energetic person can devote himself to war, to the pursuit of sexual pleasure, to religious asceticism, to discovering magic formulaes in ancient texts, or to any number of pursuits. Some of those quests will lead nowhere, and some might lead to the development of modernity. So if we want a fuller explanation of the development of modern civilization, we need to ask, as we will in future columns, what new ideas and values the Europeans adopted that set them off on a different path.

Yet amidst all of the praise of coffee, we should acknowledge that not everyone welcomed its arrival or saw it as a boon to civilization. In the interests of fairness, we should at least hear out the dissenting side. I therefore quote from the 1674 Women’s Petition Against Coffee:

“Coffee leads men to trifle away their time, scald their chops, and spend their money, all for a little base, black, thick, nasty, bitter, stinking nauseous puddle water.”

And even worse:

“The Excessive use of that Newfangled, Abominable, Heathenish Liquor called COFFEE, which Riffling Nature of her Choicest Treasures, and Drying up the Radical Moisture, has so Eunuch: our Husbands, and Crippled our more kind Gallants, that they are become as Impotent, as Age, and as unfruitful as those Desarts whence that unhappy Berry is said to be brought.” Yikes.

Let’s plan to discuss those very serious matters further, ladies, at the café. I’ll buy.

[This article was originally published in English at EveryJoe.com and in Portuguese at Libertarianismo.org.]

Cómo domesticar terroristas religiosos [Spanish translation]

por Stephen Hicks

[This is a Spanish translation of “How to Tame Religious Terrorists”, originally published in English at EveryJoe and in Portuguese at Libertarianismo.]

Derrotar a un enemigo, como al politizado Islam, implica una batalla en varios frentes: policial, militar, diplomático, cultural y filosófico.terrorists

Toda pelea es provocada por desacuerdos locales de corto plazo. Pero aquellos conflictos generalizados de largo plazo, son siempre provocados por el choque de principios abstractos. Al igual que con los neonazis, los comunistas revolucionarios, los ecologistas y anarquistas violentos y otros, nuestro conflicto con ellos es de origen intelectual.

El terrorismo es, ante todo, un modo de pensar: es el compromiso con una causa que incluye la disposición a matar a otros en forma indiscriminada.

Ponte en la cabeza de un terrorista. Debes aprender a no ver a otros seres humanos como individuos: Es mi grupo contra tu grupo. Debes no estar abierto a un debate racional y a una resolución pacífica: Me niego a la discusión y me comprometo con el terror y con la matanza. Debes aplastar cualquier preocupación por la justicia: Estoy dispuesto a matar indiscriminadamente. En la mayoría de los casos, debes decidir que tu propia vida en la Tierra es insignificante: Estoy dispuesto a morir por la causa.

El Islam politizado se ha extendido a muchas partes del mundo. Está bien financiado y bien organizado. Tiene varios portavoces articulados y simpatizantes. Y ha demostrado tener la voluntad y la capacidad para ejecutar ataques terroristas audaces.

¿Cómo se derrota a un enemigo con esta mentalidad?

En Occidente, lo hemos hecho anteriormente. Tuvimos nuestros fanáticos religiosos, pero pudimos domesticarlos. Podemos aprender de nuestro éxito pasado y aplicar sus lecciones a la crisis actual.

No hace mucho tiempo en la historia, el mundo cristiano estaba desgarrado por conflictos internos amargos y desagradables. Persecusiones, torturas y masacres generalizadas ocurrieron en todas partes en las que los cristianos se encontraron con disenso dentro del cristianismo o con desacuerdos fuera de él.

Esto no fue un accidente, teniendo en cuenta la doctrina cristiana. Tanto los intelectuales como los activistas, estaban actuando de acuerdo con su mejor interpretación de las Escrituras y las enseñanzas de una larga tradición de autoridad cristiana.

Considere esta lista de grandes nombres: San Agustín y Santo Tomás de Aquino, Martín Lutero y Juan Calvino. Agustín y Tomás de Aquino son los dos pensadores más importantes de la tradición católica, y Lutero y Calvino son los dos pensadores más importantes de la tradición protestante. Los cuatro, sin excepción, estaban completamente a favor de matar a aquellos que no estaban de acuerdo con ellos.Koran-terrorist

Y los cristianos podrían citar las Escrituras y las palabras de Jesús mismo: “No penséis que he venido a traer paz a la tierra. No he venido a traer paz, sino una espada” (Mateo 10:34). O podrían volver a contar la parábola de las diez minas, la cual Jesús termina de esta manera: “Y a aquellos enemigos míos que no quieren que yo reine sobre ellos, traedlos aquí y matarlos delante de mí” (Lucas 19:27).

El punto aquí no es si es esa la actual visión del cristianismo. El punto aquí es que esa fue la visión dominante entre los cristianos de entonces, al igual que su análogo está actualmente muy extendido entre los seguidores del Islam politizado.

Al igual que a los islámicos, a los cristianos se les enseñó fe y obediencia. Se les enseñó a buscar su identidad en algo más grande que ellos mismos. Se les enseñó a minimizar las preocupaciones terrenales, centrarse en una vida futura y honrar a los mártires. Se les enseñó que los disidentes y los no creyentes eran amenazas a la estructura de todo lo sagrado. Y así se convirtieron en participantes activos en una cultura disfuncional basada en la amenaza, en la persecución, en matar y morir.

Sí, eso es una simplificación, dado que el cristianismo se dividió en muchas sectas, algunas fanáticas y otras más moderadas. También hubo minorías judías y musulmanas en la mezcla. Y las rivalidades y los odios religiosos trabajaron junto con las rivalidades y los odios étnicos y políticos, como los Ingleses y Españoles y los Holandeses y los Italianos y los Alemanes y los Franceses que se detestaban entre sí por conflictos que se extendieron durante siglos.

Pero Occidente logró alcanzar una cultura de tolerancia, y tuvo éxito en marginar a sus enemigos religiosos y étnicos. Ahora los cristianos de diferente tipo viven y trabajan junto a ateos, judíos, hindúes y budistas. Y los ingleses y españoles se llevan bien, al igual que los italianos y los holandeses.

¿Cómo ocurrió esto? Debido a la filosofía — y a un largo período de formación cultural y debate inspirado por el humanismo reintroducido dentro de Occidente a principios del Renacimiento.

Los humanistas enseñaron — a menudo contra la perversa oposición religiosa — que la vida en la Tierra importa y que debíamos disfrutarla. Enseñaron que debíamos ser racionales, y utilizar nuestros sentidos y nuestra razón para entender al mundo y a nosotros mismos. Enseñaron, con más fuerza a medida que el Renacimiento iba avanzando, que la vida de cada individuo importa y que debíamos juzgar a las personas de acuerdo a su carácter y comportamiento individual. Enseñaron que cada persona es responsable por su propia vida.

Una larga fila de pensadores — desde Montaigne en Francia a Galileo en Italia, a Spinoza en Holanda, a Locke en Inglaterra — emprendió un debate multi-generacional que logró establecer los valores mencionados como principios fundacionales de la civilización occidental moderna.

El occidente domesticó sus fanáticos religiosos sólo porque la filosofía humanista prevaleció. Así que la lección para nosotros es que la manera de domesticar al terrorismo religioso no es a través de métodos religiosos. No necesitamos un “retorno al cristianismo original” o esperar que el Islam tenga finalmente una “Reforma”.

Para un verdadero cambio, el mundo islámico actual necesita aprender e interiorizar los principios humanistas , del mismo modo que nosotros debimos aprenderlos en su momento, y del mismo modo que necesitamos continuar sosteniéndolos con vigor en nuestra propia cultura.human-body-leonard-da-vinci

Por supuesto que esta es una tarea enorme. La educación cultural es un proyecto constante y permanente que cada generación debe lograr. Nuestra generación, que está siendo puesta a prueba por un resurgimiento de la brutalidad motivada por la religión, se enfrenta a dos desafíos:

Un desafío es interno. Nosotros mismos debemos permanecer comprometidos con los principios humanistas del naturalismo, la razón, la libertad individual y la auto-responsabilidad. Debemos entenderlos, creer en ellos y actuar consecuentemente en base a ellos.

Es por eso que lo que está pasando en nuestras escuelas y universidades hoy en día es tan inquietante, ya que muchos de nuestros intelectuales y profesores están infectados con un posmodernismo ya agotado y una ideología anti-civilización. Esa filosofía del irracionalismo, de la identidad colectivizada por raza/etnia/sexo y del conflicto entre grupos, ha hecho mucho por socavar la capacidad de la nueva generación de jóvenes de pensar racionalmente, debatir constructivamente, y defender abiertamente los valores de la auto-responsabilidad, la libertad y la tolerancia.

Si no podemos defender esos valores, entonces estamos indefensos ante un islamismo que ha demostrado compromiso con sus ideales.

El otro desafío es externo. A pesar de la globalización, gran parte del mundo islámico sigue siendo “ajeno” y se encuentra parcial o totalmente cerrado a nuestros esfuerzos para influir en su desarrollo cultural. Y eso significa que tenemos que encontrar la manera de apoyar a sus pensadores y activistas liberales y humanistas. Son pocos y son valientes, y se encuentran actualmente en la posición en la que estaba, hace siglos atrás, la minoría de los pensadores humanistas occidentales: discutiendo y persuadiendo para generar el cambio cultural dentro de una cultura más amplia que todavía es intelectualmente primitiva, supersticiosa, fanática y salvaje.

Ellos merecen nuestro apoyo, dado que la supervivencia y el progreso de nuestras dos culturas dependen de él.


[Traducido al Español por María Marty, 2016.]

The Best Work of the Best Minds — republished

Best-Word-re-publishedMy short article introducing business ethics, “The Best Work of the Best Minds,” has been republished as a Kindle e-publication and as an Audible audio edition narrated by Scott A. Smith.

It was originally published in the IOS Journal. More of my publications in business ethics are at my Business Ethics page.

Why power does not corrupt — and it is character that matters most [The Good Life series]

[This article was originally published in English at EveryJoe.com and in Portuguese at Libertarianismo.org.]

In previous columns, we’ve taken up sex and money, so now let’s turn to power. As with sex and money — and most of the important matters in life — many silly things are said about power. Perhaps the granddaddy of those silly things is the oft-quoted phrase, Power corrupts, and absolute power corrupts absolutely.

There is an important truth that Lord Acton’s phrase tries to capture. But taken literally it is false, and it misdiagnoses abuses of power. So the issue is worth a closer look.

Power is the ability to do work. It comes in many forms, such as the cognitive power of thinking, the moral power of self-responsibility, the physical power of moving one’s body, the social power of influencing others, the political power of controlling others’ actions, and so on.

Abuses of social and political power are the most worrisome and, as Acton’s line suggests, the worst corruptions occur in nations that centralize political power the most. Social science data bear this out, as this Transparency International Corruption Perceptions graphic, for example, nicely captures: countries with more concentrated and less accountable government power tend to be more corrupt; and countries with limited and more accountable governments tend to be cleaner.

So a strong argument can be made for constraining government power, and it is tempting to see the possession of power itself as the critical problematic factor.

But consider these counter-examples:

* Mothers have life-and-death power over their children. They control their infants’ food intake, decide how to protect them from predators and the elements, and shape their children’s thoughts and feelings. Are mothers corrupted by that great power?

* Teachers have much power over their students. With their platform and their captive audience, teachers can instill the fear of bad grades or indoctrinate their students. Does that power corrupt teachers?

No, of course not. Most mothers and teachers use their power well, to the best of their abilities, while only a minority are abusers. So it cannot be that the possession of power is what causes abuse. What we say, properly, in the cases of bad parenting and bad teaching is that the character of those involved is corrupt.

Taken literally, then, Acton’s aphorism is false. Power does not corrupt people; rather corrupt people abuse their power. Power does not do things; people who have power do things. Whether power is used productively or corruptly is up to the person. To put it in yet other words, power is a tool, and how it is used depends upon the character of the tool’s possessor. The same tool can be used for good or ill depending upon the choice of whoever wields it.

The issue matters because it’s not just idle semantics. If power corrupts people, then people who do corrupt things have an excuse — The power made me do it. Power is here conceptualized like Sauron’s ring in J.R.R. Tolkien’s fantasy The Lord of the Rings: He who possesses the ring might start out as a decent fellow, but the power of the ring makes him become degenerate. Power is an external force that enters into people and causes corruption.

Consider some other counter-examples:
* Money is economic power. Does acquiring wealth make one become immoral?
* Muscles are physical power. Does bodybuilding turn you into a bully?
* Knowledge is intellectual power. Does a Ph.D. cause you to become an evil genius?
* Fame gives one social power. Does Hollywood success turn actors into spoiled brats?

In each case, some people use their power – whether monetary, muscular, intellectual, or social — in corrupt ways. Rich bastards, evil scientists, thick-necked thugs, and imperious prima donnas are staples of literature and movies.

But many other people who become rich, muscular, knowledgeable, or movie stars do not become worse. Instead they become more savvy investors, creative thinkers, effective laborers, or exalted beings who grace us with their style and glamor. Their power elevates them rather than corrupting them.

The possession of power, then, is not the key factor: The character of the person is decisive. Power is the capacity, and how the capacity is exercised depends on the user. Taken literally, the Power corrupts line says that the power is the agent and the person is the vehicle through which power works. But that reverses the causal order. The person is the causal agent, and the power’s manifestation is the effect.

Lord Acton was speaking of politics, so perhaps we should ask: Is political power unique? Political power is an awesome force, involving as it does the use of police power and military power to enforce politicians’ decisions. And to Acton’s credit, his own formulation contains a qualification the popularized version omits: “All power tends to corrupt and absolute power corrupts absolutely. Great men are almost always bad men … There is no worse heresy than that the office sanctifies the holder of it.”

But even with the “tends to” qualifier, politicians are in control of their power. There’s no pre-existing tendency that makes politicians use it one way or another. Power gives the politician options, and the politician chooses which option to exercise. Politicians are not like the characters in thrall to Sauron’s ring. Nor is anyone.

Contemporary American politics, with all of its quirks (See “Our Schizophrenic Politics”), is inconsistent in its understanding of power — both on the “conservative” and the “liberal” side of the divide.

In my experience, “conservatives” are most fond of the Acton line, as it argues for limitations on government power. The possession of power is a dangerous thing that should be checked. But they are also fond of sayings like Guns don’t kill people; people kill people, as that line supports a right to gun ownership. But a gun is a concentrated form of power, and if power corrupts then possessing gun-power should corrupt citizens just as political-power corrupts politicians. Either Acton’s line works in both cases or it works in neither.

“Liberals” typically have a more benign view of government power, and they have for generations now been content to give governments more regulatory control over our lives. But they are also afraid of guns and don’t believe that people can be trusted with them. Guns kill, so gun ownership should be severely restricted or eliminated. But an extraordinary number of guns are at the disposal of our politicians, so if we want gun control it is the biggest and most powerful guns — i.e., the government’s — that most need restrictions.

Power corrupts may not be literally true, but it is rhetorically powerful and points us to a reason why political power should be limited.

The problem is that we citizens always face a knowledge problem about our politicians: We can never be sure of their character. Police and military power can be used well, but in the hands of bad characters it can be terribly destructive. Democratic politics is an imperfect selection mechanism, and some of the politicians we select will no doubt corrupt the power we entrust to them. So prudence dictates that we not concentrate power and that we build many checks into the system.

[This article was originally published in English at EveryJoe.com and in Portuguese at Libertarianismo.org.]

Recent sex scandals in philosophy departments

Thomas-PoggeSex scandals in Philosophy departments:
* Miami’s Colin McGinn resigned.
* Colorado’s Graeme Forbes resigned.
* Yale’s Thomas Pogge is under serious investigation (thanks to Alex Tabarrok for the link).

We might expect philosophers — especially those who specialize in ethics — to be more principled than the average. So Eric Schwitzgebel’s question is an important one: Are professional ethicists are good people?

sexual-harassment-lineYet sexuality in the workplace is not a simple morality play, and my analysis of the professional ethics issues is here: When Can Professors Have Sex With Their Students?

We should also note that professional ethicists also often come to believe that ethics is a matter of subjective whim, or highly variable socially, or a rationalization of non-rational impulses, and so on — and those beliefs no doubt influence their behavior in all areas of life, including sexuality.

Update: Pogge responds here.

Como domesticar terroristas religiosos [Portuguese translation]

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[This is a Portuguese translation of “How to Tame Religious Terrorists”, originally published in English at EveryJoe.]

Derrotar um inimigo como o Islã politizado é uma batalha de múltiplas frentes — policial, militar, diplomática, cultural e filosófica.

Toda luta começa com desavenças locais e de curto prazo. Entretanto, conflitos generalizados de longa duração são sempre devidos a colisões de princípios abstratos. Nossos conflitos com neonazistas, comunistas revolucionários, ambientalistas violentos, anarquistas que querem destruir o governo e outros são, em sua origem, conflitos intelectuais.

Terrorismo é, antes de tudo, uma mentalidade — comprometida com uma causa que inclui a vontade de matar anônimos indiscriminadamente.

Coloque-se dentro da cabeça de um terrorista. Você tem que aprender a não ver outros humanos como indivíduos: é meu grupo contra o seu grupo. Você não pode estar aberto ao debate racional e à resolução pacífica: eu combato a discussão e me comprometo com o medo e com a morte. Você tem que sufocar qualquer preocupação com justiça: eu quero matar indiscriminadamente. Na maior parte dos casos, você tem que decidir que sua própria vida na Terra é insignificante: eu quero morrer pela causa.terrorists

O Islã politizado está espalhado em muitas partes do mundo. Ele é bem financiado e bem organizado, conta com muitos porta-vozes e simpatizantes articulados, além de já ter provado ser capaz de executar ataques terroristas audaciosos.

Como alguém pode derrotar um inimigo com esta mentalidade?

No Ocidente, isso já foi feito. Nós temos nossos próprios fanáticos religiosos, mas nós os domesticamos. Podemos aprender com nosso sucesso no passado, aplicando suas lições à crise atual.

Não muito tempo atrás, o mundo cristão foi dilacerado por conflitos internos sangrentos. Perseguição, tortura e matança generalizada aconteceram em todos os lugares onde os cristãos encontraram dissidência interna ou desacordos externos.

Isso não foi um acidente, dadas as características da doutrina cristã. Tanto intelectuais quanto ativistas estavam agindo de acordo com suas melhores interpretações das Escrituras e dos ensinamentos de uma longa tradição de autoridade cristã.

Considere esta lista de grandes nomes: Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Martinho Lutero e João Calvino. Agostinho e Aquino eram os dois mais importantes pensadores da tradição católica; Lutero e Calvino, os dois mais importantes da tradição protestante. Os quatro, sem exceção, eram inteiramente favoráveis à morte de quem deles discordasse.

E os cristãos podiam citar as Escrituras e as próprias palavras de Jesus: “Não pensem que eu vim trazer paz a terra; eu não vim trazer a paz, e sim a espada[1]” (Mateus 10:34). Eles também podiam voltar a contar a parábola da resolução de conflitos, na qual Jesus termina assim: “E quanto a esses inimigos, que não queriam que eu reinasse sobre eles, tragam aqui, e matem na minha frente!” (Lucas 19:27).

A questão não é se é essa a sua interpretação do próprio cristianismo. A questão é que este era o entendimento dominante entre os cristãos naquela época, da mesma forma que seu equivalente está difundido atualmente entre seguidores do Islã politizado.

Assim como os islamitas, os cristãos foram ensinados a ter fé e a obedecer. Foram ensinados a procurar suas identidades em algo maior que eles mesmos. Foram ensinados a minimizar suas preocupações terrenas e focar na vida após a morte e na honra dos mártires. Foram ensinados que hereges e ateus eram aKoran-terroristmeaças para o tecido do todo sagrado. Assim, se tornaram participantes ativos numa cultura disfuncional de ameaças, perseguições, de matar e ser morto.

Sim, isto é uma simplificação, pois os cristãos estavam divididos em muitas seitas fundamentalistas e/ou moderadas. E havia judeus e muçulmanos misturados. E as rivalidades e ódios religiosos se juntaram às rivalidades e ódios políticos, fazendo que ingleses, espanhóis, holandeses, italianos, alemães e franceses se detestassem uns aos outros, estendendo mágoas ao longo de séculos.

Mas o Ocidente afinal atingiu uma cultura de tolerância e isso só foi possível pela marginalização de indivíduos odiosos, fossem políticos ou religiosos. Agora, cristãos de muitas denominações convivem com ateus e judeus, hindus, siques e budistas. Da mesma forma, trabalham lado a lado ingleses e espanhóis, italianos e holandeses.

Como isso aconteceu? Por causa da filosofia — e de um longo período de educação e debate cultural inspirado no humanismo reintroduzido no Ocidente no começo da Renascença.

Os humanistas ensinaram, normalmente sob severa oposição religiosa, que a vida na terra importa e que deveríamos aproveitá-la. Ensinaram que devemos ser racionais, usando nossos sentidos e nossa razão para entender o mundo e a nós mesmos. Ensinaram, mais e mais, à medida que a Renascença avançava, que cada indivíduo importa e que devemos julgar as pessoas por suas ações individuais e seu caráter. Ensinaram que cada pessoa é responsável por sua própria vida.

Uma longa fila de pensadores como Montaigne na França, Galileu na Itália, Spinoza na Holanda e Locke na Inglaterra travaram um debate multigeracional e conseguiram estabelecer os princípios fundamentais da moderna civilização ocidental.

O Ocidente domou seus fanáticos religiosos somente porque a filosofia humanista prevaleceu. Portanto, a lição para o nosso presente é que, para domar o terrorismo religioso, o caminho não é religioso. Não precisamos voltar ao cristianismo original nem esperar que haja uma reforma no Islã.

No longo prazo, o que o mundo islâmico precisa é aprender e internalizar princípios humanistas — da mesma forma que nós ocidentais os aprendemos — e o que nós precisamos é defender vigorosamente sua permanência em nossa própria cultura.

Obviamente, esta é uma tarefa imensa. A educação cultural é um projeto constante e contínuo a ser realizado por gerações. A nossa própria geração, que está sendo testada pelo ressurgimento da brutalidade motivada pela religião, tem um duplo desafio: interno e externo.human-body-leonard-da-vinci

Internamente, devemos nos manter comprometidos com os princípios humanistas do naturalismo, da razão, da liberdade individual e da responsabilidade pelos próprios atos. Precisamos entender esses princípios, acreditar neles e agir consistentemente de acordo com eles.

E é por isso que o que está acontecendo em nossas escolas e universidades atualmente é tão perturbador. Nossos professores e intelectuais estão infectados por ideologias obsoletas e anticivilizatórias pós-modernas. Essas filosofias da irracionalidade, da identidade coletivizada por raça, etnia ou gênero, e conflitos de grupos têm feito muito para minar a capacidade de toda uma geração de pensar de forma racional, de debater de forma construtiva, de defender abertamente os valores da responsabilidade pelos próprios atos, da liberdade e da tolerância.

Se não soubermos defender esses valores, ficaremos indefesos contra o islamismo aguerrido.

O outro desafio é externo. Apesar da globalização, grande parte do mundo islâmico continua parcial ou totalmente fechada aos nossos esforços para influenciar seu desenvolvimento cultural. Isso significa que precisamos achar maneiras de apoiar seus pensadores e ativistas liberais e humanistas. Eles são poucos e corajosos, e estão na posição em que estava a minoria humanista no Ocidente, séculos atrás: argumentando e persuadindo por uma mudança cultural dentro de uma cultura maior que ainda é intelectualmente primitiva, supersticiosa, fanática e selvagem.

Esses humanistas do mundo muçulmano merecem nosso apoio, pois a sobrevivência e o progresso de ambas as nossas culturas depende disso


[1] Todas as citações bíblicas são retiradas da Bíblia Sagrada – Edição Pastoral. São Paulo: Editora Paulus, 1990.


hicks-stephen-2013“Como domesticar terroristas religiosos” Por Stephen Hicks. Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Russ Silva. Artigo Original no “The Good Life”. Visite Publicações em Português para ler os últimos artigos de Stephen Hicks.

Stephen Hicks é o autor do livro Explicando o Pós Modernismo e Nietzsche and the Nazis.

Philosophy’s longest sentences — G.E. Moore edition

A new entry in the ongoing contest to find the longest sentences written in the history of philosophy. Submitted by Ken Brown, a 239-word self-reflective monster from G. E. Moore’s “A Defence of Common Sense”:

Moore-book‘In other words what (2) asserts is only (what seems an obvious enough truism) that each of us (meaning by “us,” very many human beings of the class defined) has frequently known, with regard to himself or his body and the time at which he knew it, everything which, in writing down my list of propositions in (1), I was claiming to know about myself or my body and the time at which I wrote that proposition down, i.e. just as / knew (when I wrote it down) “There exists at present a living human body which is my body,” so each of us has frequently known with regard to himself and some other time the different but corresponding proposition, which he could then have properly expressed by, “There exists at present a human body which is my body”; just as I know “Many human bodies other than mine have before now lived on the earth,” so each of us has frequently known the different but corresponding proposition “Many human bodies other than mine have before now lived on the earth”; just as I know “Many human beings other than myself have before now perceived, and dreamed, and felt,” so each of us has frequently known the different but corresponding proposition “Many human beings other than myself have before now perceived, and dreamed, and felt”; and so on, in the case of each of the propositions enumerated in (1).’

Plain common sense, indeed.

Kierkegaard is still the contest’s champion, but Moore now passes Aristotle to take over third place.

blah-blah1. Kierkegaard: 330 words.
2. Locke: 309 words.
3. Moore: 239 words.
4. Aristotle: 188 words.
5. Kant: 174 words. (Also: 163 words.)
6. Bentham: 164 words.
7. Mill: 161 words.