When philosophers date

Platonic philosophers, that is.

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Related: “Should I marry you?” Answers from the philosophers.

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About my visit to Chojnice, Poland

I was fortunate to visit Chojnice in May 2014, in connection with the publication of the Polish translation of my Nietzsche and the Nazis book. My visit was made possible by the Fuhrmann Foundation and Mayor Arseniusz Finster.

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I was impressed for several reasons. One was the beauty of Chojnice — its historical buildings and central square have been lovingly restored and enterprise seems to be flourishing. It is a credit to the leadership of Dr. Finster and his colleagues E. Pietrzyk and J. Zieliński that Chojnice is, after a difficult twentieth century, well positioned to participate in broader European and world culture in the twenty-first.

Also impressive to me was the public discussion of my book under the auspices of the Furhmann Foundation, headed by Mariusz Brunka. The give-and-take of the discussion was enjoyable to me, as the quality of the questions was high and the level of knowledge of the participants was strong. It is to Chojnice’s credit that it has regular public forums where the great questions of European history and philosophy are raised and debated.

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I also was fortunate in meeting — and would like to give thanks to — Dr. Przemysław Zientkowski, who was the initial impetus, the main organizer, and the intellectual collaborator for my visit to Chojnice, as well as to my guide, Beata Królicka, whose cheerfulness, efficiency, and local knowledge were invaluable.

Stephen Hicks
November 2014

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A vida é injusta? Meu desafio ao melhor jogador de tênis do mundo

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Vou me gabar um pouco. No ensino médio, eu era muito bom no tênis. Agora, muitos anos depois, sou um jogador ocasional de fim de semana que, de alguma forma, adquiriu a resistência (e os joelhos) de um homem de meia idade.

Contudo, ainda tenho essa fantasia recorrente que jogarei contra o melhor jogador de tênis do mundo. A minha fantasia é a seguinte: eu estou no parque local rebatendo algumas bolas e quem resolve caminhar por ali? O atual campeão de Wimbledon. Eu o desafio a um jogo e, por alguma razão, ele aceita. Outro jogador no parque concorda em ser o juiz — e o jogo começa.

Agora, um elemento de realismo é adicionado ao cenário. Em 2014, o campeão de Wimbledon é Novak Djokovic. Ele tem 1,87m e 27 anos de idade. Eu tenho 5 centímetros a menos e o dobro de sua idade. Seu primeiro serviço alcança 193 km/h e é preciso 73% das vezes. Meus números são consideravelmente menores.

E como o jogo termina? Djokovic vence 6-1. Que surpresa!Novak Djokovic - Wimbledon

Agora, a pergunta séria desse artigo: o que é uma partida justa?

Justiça é um conceito-chave da ética, no entanto, se você perguntar a três filósofos o que ela significa, você receberá quatro respostas. Muitos dos nossos debates políticos recentes voltam-se para concepções concorrentes do que é ou não é justo.

Insider trading: se um vendedor de uma ação sabe algo que o comprador não sabe e não poderia saber, isso torna a troca injusta?
Telecomunicações e a “Doutrina da Justiça”: Se uma estação de rádio critica uma figura pública, os reguladores do governo deveriam requerer, em nome da justiça, que a estação conceda “tempo no ar” para a resposta da figura pública?
Financiamento de campanha: se um candidato político arrecada muito mais fundos do que o seu concorrente, a eleição será justa?

Contudo, vamos usar a partida de tênis para mostrar com que frequência apelamos para dois padrões muito diferentes quando respondemos questões relacionadas à justiça.

O primeiro grupo argumenta: Hicks vs Djokovic — a partida foi tão injusta!



Djokovic é um profissional e Hicks, um amador. Djokovic pratica várias horas por dia enquanto Hicks lê livros na biblioteca. Djokovic é mais jovem, rápido e alto, além de ser mais preciso e forte nas raquetadas. Portanto, Hicks não tinha chances reais de vencer.

O segundo grupo argumenta: Hicks versus Djokovic — a partida foi perfeitamente justa!

Hicks escolheu jogar contra Djokovic e sabe quem ele é. Eles jogaram dentro das regras, que foram aplicadas pelo juiz. Djokovic usou suas habilidades para conquistar pontos, e derrotou Hicks de forma limpa. Ele mereceu a vitória.Tennis-clip-art1

Agora, vamos abstrair os princípios incorporados aos argumentos dos dois grupos.

O primeiro grupo considera decisivo o fato que os competidores possuem habilidades desiguais. Habilidades relevantes no tênis incluem: tempo de prática, forma física e habilidades. Como um competidor tem mais e o outro tem menos, são desiguais em habilidades; mas a justiça é uma questão de igualdade, então a partida é injusta.

Segue-se do argumento do primeiro grupo que, para tornar a partida justa, teríamos que igualar as chances de vitória dos competidores por meio do nivelamento das habilidades. Poderíamos prejudicar Djokovic obrigando-o a utilizar pesos nos tornozelos para torna-lo mais lento, ou poderíamos obriga-lo a jogar somente com a mão esquerda, com a qual é menos preciso. Ou poderíamos conceder a Hicks uma vantagem inicial de pontos ou que a marcação do lado adversário fosse alargada. Alguma combinação desses métodos equalizaria suas chances de vitória e, portanto, tornaria o jogo mais justo.

O segundo grupo toma como decisivo o fato de que as regras foram conhecidas e aceitas pelos dois competidores, foram imparcialmente aplicadas, e que o competidor que tinha maior habilidade e maior pontuação conquistou a vitória. Justiça é uma questão de igualdade, mas uma igualdade de conhecimento das regras do jogo, da aplicação uniforme das regras e da liberdade de participação ou ausência dos competidores.

Segue-se do argumento do segundo grupo que o jogo seria injusto se Hicks pudesse inventar as regras no meio do jogo, se o árbitro fosse tendencioso ou subornado por um dos competidores, ou se nenhum dos dois estivesse participando do jogo voluntariamente. Djokovic escolheu praticar tênis e adquiriu habilidades, enquanto Hicks escolheu pensar sobre filosofia; então, ambos obtiveram seus níveis relativos de habilidade. E se é importante para Hicks ter uma chance realista de vencer, então ele pode escolher jogar contra um competidor mais fraco — ç ou escolher um esporte diferente no qual competir. (Talvez, desafiarei Djokovic a um jogo brutal sobre conhecimentos filosóficos).novak-djokovic

Esportes são atividades metódicas nas quais aplicamos importantes valores de vida  busca de objetivos, o exercício da habilidade, coragem, perseverança, vitória e derrota, além de justiça. Então, são modelos úteis para o ensino de crianças, assim como para o entendimento dos debates sobre justiça nos projetos mais complexos dos adultos.

Por exemplo, se eu sou um investidor, o conhecimento do valor das empresas é um ativo fundamental. Mas outros investidores, especialmente insiders (de dentro da própria empresa), frequentemente sabem mais sobre essas empresas do que eu. Deveria eu acusa-los de injustiça, demandando que não usassem seu conhecimento para a tomada de decisões? Deveria eu investir somente em empresas nas quais sou especialistas — ou investir em outro lugar além da bolsa de valores? Esse é um subdebate sobre a questão do insider trading.

Ou imagine que eu seja uma figura pública que é criticada por um radialista famoso. Nesse caso, “o tempo no ar” é um ativo — mas suponha que o proprietário da estação de rádio não gosta de mim e se recusa a me conceder “tempo no ar”. Reclamo de injustiça e demando que ele seja forçado a fazê-lo, ou deveria respeitar o fato de que a rádio é dele e, portanto, pode fazer o que quiser, e que eu posso ir ao vivo na televisão, escrever uma postagem em um blog, ou encontrar algum outro meio pelo qual falar meu lado da história? Esse é um subdebate das regulações inspiradas na Doutrina da Justiça.

Ou se eu estiver me candidatando a um cargo político e meu oponente arrecadou muito mais dinheiro do que eu, citando injustiça, devo pedir por controles equalizantes sobre quanto dinheiro podem ser doados aos candidatos? Ou devo dizer “Parabéns para ela” — e, para ser mais competitivo, investir mais tempo na angariação de fundos porta-a-porta, melhorar o design dos cartazes de campanha e planejar uma melhor campanha de levantamento de fundos da próxima vez? Esse é um subdebate na questão do reforma campanha de financiamento.

Todas essas questões são claramente complexas, mas a identificação de conceitos divergentes de justiça em nossos debates é uma tarefa fundamental para a resolução das mesmas.

* * *

hicks-stephen-2013“A vida é injusta? Meu desafio ao melhor jogador de tênis do mundo” Por Stephen Hicks. Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Russ Silva. Artigo Original no “The Good Life”. Visite EveryJoe.com para ler os últimos artigos de Stephen Hicks.

Stephen Hicks é o autor do livro Explicando o Pós Modernismo: Ceticismo e socialismo de Rousseau a Foucault e Nietzsche and the Nazis.

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Plato and art that is more noble

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Plato was a strong advocate of censorship of all of the arts. But he did allow for some exceptions, so the cartoon above need not be only about ego-boosting hypocrisy. Here’s my quick summary of his arguments for censorship, as presented in The Republic.

Image source: An early edition of Douglas Palmer’s fun Does the Center Hold? An Introduction to Western Philosophy.

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Does religion make you more warlike? Unamuno on war and the soul

I’m re-reading Miguel de Unamuno’s The Tragic Sense of Life for the first time since my undergraduate days, and I came across these arresting lines:

“A human soul is worth all the universe, someone — I know not whom — has said and said magnificently. A human soul, mind you! Not a human life. unamunoNot this life. And it happens that the less a man believes in the soul — that is to say in his conscious immortality, personal and concrete — the more he will exaggerate the worth of this poor transitory life. This is the source from which springs all that effeminate, sentimental ebullition against war.”

So, if I am reading that correctly, atheists will be more likely to be against war and the religious will be more likely to be for it.

Filling in the gaps: Atheists do not believe in a soul that survives bodily death, so they don’t believe in an afterlife, so they believe this life is all there is, so they believe this life is most important, so they will be more opposed to life-threatening things like war.

And conversely: Theists believe that they have souls that survive bodily death, so they believe in an immortal afterlife, so they believe that this temporary physical life is less important than the afterlife, so they don’t care as much about physical death, so they are more willing to go to war.

Note that opposition to war is described as “effeminate,” implying that real men favor war.

Note also that this was published in 1913, just before the Great War harvested many souls.

Of course there are other facets of religion that may increase or lessen warlikeness. But focus only on this one for now — the belief or not in the immortality of the soul. Is Unamuno correct to argue that that belief is directly relevant to one’s willingness to die in war?

Source: Chapter 1 of Miguel de Unamuno’s The Tragic Sense of Life (1913). A Project Gutenberg version is online here.

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Why Power Does Not Corrupt — and It’s Character That Matters Most [new The Good Life column]

The opening of my latest column at EveryJoe:

“In previous columns, we’ve taken up sex and money, so now let’s turn to power. As with sex and money — and most of the important matters in life — many silly things are said about power. Perhaps the granddaddy of those silly things is the oft-quoted phrase, Power corrupts, and absolute power corrupts absolutely.

“There is an important truth that Lord Acton’s phrase tries to capture. But taken literally it is false, and it misdiagnoses abuses of power. So the issue is worth a closer look.

“Power is the ability to do work. It comes in many forms, such as the cognitive power of thinking, the moral power of self-responsibility, the physical power of moving one’s body, the social power of influencing others, the political power of controlling others’ actions, and so on.

“Abuses of social and political power are the most worrisome and, as Acton’s line suggests, the worst corruptions occur in nations that centralize political power the most. Social science data bears this out, as Transparency International Corruption Perceptions graphic, for example, nicely captures …” [Read more here.]

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Last week’s column: Blamestorming: “Deregulation Caused the Financial Crisis”.

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Heine on Kant and Robespierre as terrorists

Strong words from Heine’s 1834 History of Religion and Philosophy in Germany:

“The life-history of Immanuel Kant is difficult to write, for he had neither a life nor a history. He lived a mechanical, orderly, almost abstract, bachelor life, in a quiet little side-street of Königsberg, an old city near the north-east boundary of Germany. kant-silhouette I believe that the great clock of the cathedral did not perform its daily work more dispassionately, more regularly, than its countryman, Immanuel Kant. Rising, coffee-drinking, writing, collegiate lectures, dining, walking — each had its set time. And when Immanuel Kant, in his grey coat, cane in hand, appeared at the door of his house, and strolled towards the small linden avenue, which is still called ‘the philosopher’s walk,’ the neighbours knew it was exactly half-past four. Eight times he promenaded up and down, during all seasons; and when the weather was gloomy, or the grey clouds threatened rain, his old servant Lampe was seen plodding anxiously after, with a large umbrella under his arm, like a symbol of Providence.

“What a strange contrast between the outer life of the man and his destructive, world-convulsing thoughts! Had the citizens of Königsberg surmised the whole significance of these thoughts, they would have felt a more profound awe in the presence of this man than in that of an executioner, who merely slays human beings. Robespierre-sketchBut the good people saw in him nothing but a professor of philosophy; and when at the fixed hour he sauntered by, they nodded a friendly greeting, and regulated their watches.

“But if Immanuel Kant, that arch-destroyer in the realms of thought, far surpassed Maximilian Robespierre in terrorism, yet he had certain points of resemblance to the latter that invite a comparison of the two men. In both we find the same inflexible, rigid, prosaic integrity. Then we find in both the same instinct of distrust, — only that the one exercises it against ideas, and names it a critique, while the other applies it to men, and calls it republican virtue. In both, however, the narrow-minded shopkeeper type is markedly manifest. Nature had intended them to weigh out sugar and coffee, but fate willed it otherwise, and into the scales of one it laid a king, into those of the other, a God. And they both weighed correctly.”

heineheinrichSource: Heinrich Heine, History of Religion and Philosophy in Germany (1834), Preface to the Second Edition (1852).

Related: My explanation of Kant’s epistemology in “The Counter-Enlightenment Attack on Reason” [PDF], which is Chapter Two of Explaining Postmodernism: Skepticism and Socialism from Rousseau to Foucault. My discussion of Robespierre’s significance is in Chapter Four, “The Climate of Collectivism” [PDF].

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A saúde e o homem mais rico do mundo

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Você pode não se considerar rico. Deixe-me provar que você é.

Em 1836, o homem mais rico do mundo era Nathan Rothschild. Ele tinha 58 anos de idade e, de acordo com um check-up médico no início daquele ano, com boa saúde para um homem na sua idade.

O pai de Nathan iniciou um banco na Alemanha e cada um dos seus cinco filhos foi para uma capital europeia diferente de forma a expandir os negócios da família. Em Londres, Nathan provou ser um gênio das finanças, tornando-se o homem mais rico do mundo.

Ele fazia parte de uma nova tendência na história humana. Na Europa, pela primeira vez na história, as pessoas mais ricas do mundo eram homens de negócios em vez de políticos e aristocratas. Isto é, eles se tornaram ricos pela produção de bens, comércio e investimentos — em vez de tributos, conquistas e destruição.Nathan_Rothschild

Na Europa, outra tendência era o aumento da expectativa de vida. Na jovem nação dos Estados Unidos, nos anos 1830, a expectativa de vida era de 35 anos para homens e 37 para mulheres. Na Europa, era um pouco maior.

Esses números eram ainda baixos, e tal fato era devido, em grande parte, a altas taxas de mortalidade infantil. Em Londres, antes da Revolução Industrial do final do século XVIII, 50% a 75% de todos os bebês morriam antes de completar 1 ano.

Então, aos 58 anos, Nathan Rothschild estava superando as expectativas e poderia dispor do melhor cuidado médico do mundo.

Chamou seus médicos novamente na Primavera. Ele estava preocupado por um furúnculo na parte inferior de suas costas. Seus médicos tentaram algumas coisas, porém a condição de Nathan piorou. Foram trazidos os melhores especialistas da Inglaterra. Nathan piorou. Foram trazidos especialistas da Alemanha, uma potência emergente na Medicina. Tudo em vão — Nathan Rothschild faleceu em 28 de julho.

A medicina forense do século XX revelou que Nathan morreu de envenenamento do sangue. Bactérias do pus do seu furúnculo entraram na corrente sanguínea, provavelmente porque seus doutores a tocaram, espalhando-se rapidamente, causando a sua morte.

A medicina do século XX também nos diz que se Nathan tivesse tomado antibióticos, ele teria sobrevivido.

Esse é um sinal do quão rico somos. Praticamente ninguém mais morre de envenenamento do sangue. Se contrairmos uma infecção, podemos dispor de antibióticos baratos para resolver o problema. O homem mais rico do mundo, 180 anos atrás, não poderia obter antibióticos para salvar sua vida.

É claro, isso se deve a um fato simples: os antibióticos não tinham sido descobertos; nem a teoria do germe da doença; tampouco os antissépticos. A aplicação da química moderna aos fármacos estava na sua infância.antibiotic

Contudo, no início do século XX, a teoria dos germes e os antissépticos estavam estabelecidos, os fármacos tinham passado por uma revolução, e, em Londres, em 1928, Alexandre Fleming descobriu o primeiro antibiótico, a penicilina.

Para Rothschild, a solução tinha chegado com 90 anos de atraso. Por outro lado, considere os efeitos para as pessoas que nasceram depois de 1900.

Hoje em dia, nos Estados Unidos, a expectativa de vida dos homens é de 78 anos e continua a crescer. No que tange às mulheres, é superior a 80 anos. As taxas de mortalidade infantil no mundo desenvolvido caíram para 1 em 200. Então, quão rico você é? Uma medida de riqueza é quanto tempo de vida você tem. Como um norte-americano ou europeu médio, você tem o dobro do tempo de vida possível na época de Nathan. E seus filhos provavelmente não morrerão na infância.

Em grande parte, consideramos saúde melhor e vida mais longa como coisas normais, e isso é parte de uma vida boa — não ter que se preocupar com muitas coisas. No entanto, uma vida longa não acontece por um toque de mágica, então é importante saber o que a torna possível. Especialmente em uma república democrática livre e aberta que aspiramos ser, é fundamental que a maioria de nós tenha algum entendimento sobre o que torna nossa vida boa em sociedade.

A duplicação da expectativa de vida é um fenômeno único na historia humana. Por dezenas de milhares de anos, ao redor do mundo, a expectativa de vida não passava dos 40 anos. Desde os anos 1800, primeiro na Europa, depois nos Estados Unidos, e em algumas outras partes do mundo, começou a crescer drasticamente. Por quê?

A Ciência é uma parte importante da resposta. Há 600 anos, a Ciência praticamente não existia e era frequentemente ameaçada por formas dogmáticas de tradicionalismo, superstição e religiosidade. Em muitas culturas, a curiosidade intelectual continua a ser reprimida, especialmente entre os jovens. No entanto, em partes da Europa Ocidental, o livre-pensamento, a cultura da experimentação e o livre debate das ideias prevaleceram — e o surgimento da física, química e biologia são consequências de tal fato.

A Engenharia é outra parte da resposta. A experimentação e a invenção são, em minha opinião, incorporadas à natureza humana, mas poucas culturas colocam o desenvolvimento tecnológico no centro de seu jeito de ser. De forma mais espetacular, há cerca de 250 anos, houve a Revolução Industrial na Inglaterra, e muitos países seguiram o exemplo.industrial-revolution

Cultura empresarial — todas essas descobertas científicas e inovações de engenharia necessitam ser traduzidas em bens de consumo. O desenvolvimento da fabricação em grande escala, das redes de logística e distribuição de produtos, da concorrência de preços, quantidade e qualidade, da mobilidade social e do aumento da competição global por talentos — tudo isso é muito novo na historia humana e, novamente, primeiro começou em algumas nações europeias, mais notavelmente, os Holandeses e os Ingleses.

Ampla informação sobre nutrição, exercícios e estilo de vida é também parte da explicação. Indivíduos educados fazem escolhas mais saudáveis. O compromisso com a alfabetização, a matemática e outros elementos de uma educação satisfatória — é algo bem recente.

E, é claro, tudo isso demanda muito dinheiro. A Ciência e a Engenharia são caras — todos aqueles pesquisadores com Ph.D. e seus laboratório bem equipados. As redes internacionais de logística são caras. Permitir que as crianças aprendam em escolas por muitos anos é um grande investimento. De onde vem todo esse dinheiro? Somente culturas ricas podem desenvolver a ciência, a engenharia, os negócios e instituições de educação sofisticadas — e somente culturas empreendedoras, de livre mercado, podem enriquecer.

Então, existe uma questão do passado que é interessante e, ao mesmo tempo, importante para todos nós: o que aconteceu algumas centenas de anos atrás que nos permitiu desenvolver uma cultura pró-ciência, pró-engenharia, pró-negócios, pró-educação, pró-riqueza?

Mas existe uma questão do futuro para todos nós – democratas, republicanos e libertários – quando debatemos as políticas que afetarão a expectativa de vida de nossos filhos e netos: a reforma proposta fortalece ou enfraquece a cultura que permitiu o grande progresso que alcançamos até agora?

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hicks-stephen-2013“A saúde e o homem mais rico do mundo” Por Stephen Hicks. Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Russ Silva. Artigo Original no “The Good Life”. Visite EveryJoe.com para ler os últimos artigos de Stephen Hicks.

Stephen Hicks é o autor do livro Explicando o Pós Modernismo: Ceticismo e socialismo de Rousseau a Foucault e Nietzsche and the Nazis.

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