Artistic representation: Picasso versus Matisse

From Jack D. Flam’s Matisse and Picasso: The Story of Their Rivalry and Friendship (2003):

Picasso characterized the arbitrariness of representation in his Cubist paintings as resulting from his desire for “a greater plasticity.” Rendering an object as a square or a cube, he said, was not a negation, for “reality was no longer in the object. Reality was in the painting. When the Cubist painter said to himself, ‘I will paint a bowl,’ Flam-Picasso-Matissehe set out to do it with the full realization that a bowl in a painting has nothing to do with a bowl in real life.” Matisse, too, was making a distinction between real things and painted things, and fully understood that the two could not be confused. But for Matisse, a painting should evoke the essence of the things it was representing, rather than substitute a completely new and different reality for them. In contract to Picasso’s monochromatic, geometric, and difficult-to-read pictures, Matisse’s paintings were brightly colored, based on organic rhythms, and clearly legible. For all their expressive distortions, they did not have to be “read” in terms of some special language or code.

(Via Peter G. Klein.)

Related: Interpreting Picasso — amusing anecdote from Stravinksy.

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Two upcoming talks at University of Casimir the Great

logo__uniwersytet_kazimierza_wielkiego_w_bydgoszczyI will be visiting the University of Casimir the Great in Bydgoszcz, Poland, to give two education-related talks:

Thursday, May 15: Educating for Entrepreneurship.
Friday, May 16: Doctoral Seminar on The Question of Education and Postmodern Thought.

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Many thanks to Professor Piotr Kostyło for the invitation to speak with his students and colleagues.

Of course you need to know: Who was Casimir the Great?

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Upcoming lecture at Nicholas Copernicus University, Poland

On May 14, I’ll be in Toruń, Poland, at Nicholas Copernicus University to give a talk entitled “Two Narratives of Modernity: Enlightenment and Postmodern.”

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Thanks to Professors Marek N. Jakubowski and Przemek Zientkowski for the invitation.

Additionally — how delightful to visit the home town of the historically-significant Nicholas Copernicus!

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Portuguese translation of “What Business Ethics Can Learn from Entrepreneurship”

Portuguese_language_flagsMy essay “What Business Ethics Can Learn from Entrepreneurship” has been translated in Portuguese by Matheus Pacini and Vinicius Cintra. Here is “O que a ética empresarial pode aprender com o empreendedorismo” in HTML or PDF.

Other versions: “What Business Ethics Can Learn from Entrepreneurship” [pdf]. Originally published in Journal of Private Enterprise, 24(2), Spring 2009, 49-57. At the Social Science Research Network. Amazon Kindle e-book version. Serbo-Croatian translation by Alma Causevic. Spanish translation by Walter Jerusalinsky. Audio edition in MP3 format and at YouTube.

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Exams for my courses, Spring 2014

know-thyself-235x100Ethics [pdf].
Business and Economic Ethics [pdf].
Free Speech and Censorship [pdf].

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O que a ética empresarial pode aprender com o empreendedorismo

“O que a ética empresarial pode aprender com o empreendedorismo” [pdf]

Stephen R. C. Hicks
Departamento de Filosofia e Centro para a Ética e Empreendedorismo
Rockford University, Illinois, USA

Publicado pela primeira vez em Inglês em The Journal of Private Enterprise 24(2), 2009, 49-57.
Tradução por Matheus Pacini. Revisão por Vinicius Cintra, 2014.

Resumo

O empreendedorismo é cada vez mais estudado como um fenômeno econômico fundamental e fundacional, porém, cada vez menos como um fenômeno ético. Grande parte da literatura atual sobre a ética empresarial pressupõe que seus objetivos principais sejam: 1) acabar com práticas comerciais predatórias e (2) encorajar a filantropia e a caridade por parte das empresas. Indubitavelmente, o comportamento predatório é imoral e a caridade encontra lugar na ética, todavia, nenhuma delas deveria ser o foco principal da ética. Em vez disso, a ética empresarial deveria destacar os valores e as virtudes dos empreendedores – por exemplo, aqueles indivíduos produtivos e responsáveis que geram valor e negociam com outros indivíduos buscando uma relação de ganho mútuo.

Código de Classificação JEL: A12, A13, L26

Palavras-chave: Empreendedorismo, Ética, Ética da Virtude

I. Três tipos de personagens: Carly, Tonya e Jane

O empreendedorismo é cada vez mais estudado como um fenômeno econômico fundamental e fundacional. Schumpeter (1950) e Kirzner (1978) foram os pioneiros, e seus sucessores têm produzido uma literatura relativamente extensa. No entanto, o empreendedorismo tem recebido menos atenção como um fenômeno moral e, por sua vez, menos atenção na literatura sobre ética empresarial.
Considere o status moral do empreendedor em contraste com outros dois tipos de personagens:

1. Carly: como aluna, Carly estudou muito e recebeu boas notas. Depois de formada, conseguiu um emprego, mas, ao mesmo tempo, economizou e trabalhou no seu plano de negócios. Quando estava pronta, deu o passo decisivo e começou sua própria empresa, a qual administrou com sucesso, vendendo-a, anos mais tarde, por US$ 10 milhões. Hoje, ela vive tranquilamente, viajando, cuidando da construção de sua casa, zelando por sua família, e administrando seu portfólio de investimentos.
2. Tonya: Tonya também estudou muito na faculdade e, depois de formada, começou a trabalhar em uma instituição financeira. Ela descobriu uma falha no sistema de rastreamento de fundos, o que lhe permitiu desviar anonimamente US$ 10 milhões para uma conta bancária no exterior, da qual foi rapidamente redirecionado para diversos bancos caribenhos e suíços, acabando em uma conta conhecida somente por Tonya. Um ano depois, Tonya pediu demissão da instituição financeira e agora está vivendo no luxo discreto, em algum lugar da Europa.
3. Jane. Enquanto estava na faculdade, Jane estudou artes liberais e se graduou com ótimas notas. Infelizmente, no verão posterior a sua graduação, seus pais morreram de forma inesperada, deixando US$ 10 milhões como herança. Desse valor, Jane doou imediatamente 9,9 milhões para instituições de caridade devotadas aos desabrigados, às vítimas de enchentes, e também ao reflorestamento da Amazônia. Jane investiu os US$ 100 mil restantes em um certificado de depósito bancário com rendimento anual de 8%, utilizando os lucros para viver sem demasiado esforço.

Vamos agora tratar da questão ética: qual dos três é o mais moral? Quem deveríamos considerar como modelo? Deveríamos ensinar nossos filhos e estudantes a admirarem e se empenharem para ser como Carly, Tonya ou Jane? Os três requerem determinação: não é fácil construir um negócio de sucesso. Não é fácil descobrir uma falha, aproveitar-se dela e sair impune. Não é fácil doar todo o seu dinheiro.
Tonya é representante de uma ética predatória: ela prejudica a outrem e utiliza o lucro para se beneficiar. Ela é representante das práticas de soma-zero, de lucros à custa dos outros, amplamente condenada na literatura sobre ética empresarial.

Jane é representante de uma ética altruísta: ela é abnegada, e coloca o que tem à disposição dos outros na sociedade, mantendo somente o mínimo para si. Ela é representante das práticas de “justiça social”, amplamente elogiadas na literatura sobre ética empresarial.

Carly é a empreendedora modelo e é a representante da ética da autorealização, egoísta. Ela gera valor, comercializa com os outros e vive a vida de seus sonhos. Mesmo assim, ela não é tratada na literatura sobre ética empresarial. Ela é a mulher invisível.

Contudo, os traços do caráter e as atividades de geração de valor dos empreendedores, pelo menos, de forma implícita, caracterizam uma forma de ética. Para tornar essa forma de ética explícita, começaremos com uma descrição padrão do empreendedor.

II. O Processo Empresarial

O processo empresarial começa com uma ideia estruturada e criativa de um novo produto ou serviço. O empreendedor é ambicioso e corajoso, ele toma a iniciativa na transformação de uma ideia em um novo empreendimento. Por meio da perseverança e da tentativa e erro, o empreendedor produz algo de valor. Ele tem um papel de liderança ao mostrar aos consumidores o valor do novo produto, e aos novos funcionários, como produzi-lo. O empreendedor comercializa com aqueles consumidores e funcionários buscando uma relação de ganho mútuo. Ele assim alcança o sucesso e então aproveita os frutos de sua conquista.

Vamos explicar cada um dos elementos em itálico dessa descrição:

Os empreendedores geram ideias de negócios e decidem quais delas valem a pena. No processo de descoberta de ideias estruturadas e criativas, os empreendedores falam de visão, “pensar fora da caixa”, imaginação, mente ativa, e “momentos de súbita inspiração”. Tendo gerado ideias, eles falam sobre exercitar o julgamento crítico: quais ideias são realmente boas? O produto ou serviço pode ser desenvolvido tecnicamente? Venderá bem? O que mostra a pesquisa de mercado? Os empreendedores exibem um comprometimento ao desenvolvimento cognitivo – entretenimento intelectual, pesquisa, experimentação e análise.

Ambição é o impulso para alcançar seus objetivos, para ser bem sucedido, para melhorar a si mesmo, para prosperar, para ser o melhor de todos. Empreendedores fazem mais do que sonhar e alimentar desejos infundados – “não seria bom se eu fosse rico e independente?” – que muitas pessoas experienciam. Pessoas ambiciosas sentem profundamente a necessidade de alcançar seus objetivos.

O empreendedorismo requer iniciativa. Uma coisa é ter um bom plano de negócios; outra é transformar tal plano em realidade. Empreendedores são pioneiros que se comprometem a tornar suas boas ideias em realidade.

Um novo empreendimento envolve desbravar o desconhecido, superar obstáculos – incluindo a possibilidade de reprovação e zombaria – e encarar a possibilidade do fracasso. Consequentemente, a atividade empresarial requer coragem – assumir riscos calculados, estar atento a possíveis reveses, não deixando, todavia, que o medo do fracasso ou reprovação domine o seu processo decisório.

O sucesso empresarial nunca é fácil e instantâneo; o sucesso é o resultado do enfrentamento das dificuldades com vistas ao longo prazo. Em outras palavras, a perseverança é essencial. Os empreendedores devem perseverar através dos obstáculos técnicos inerentes ao processo de desenvolvimento do produto, diante dos pessimistas que declaram que não pode ser feito ou que são, por outro lado, obstrucionistas, em face de suas próprias dúvidas. Os empreendedores devem manter a disciplina no curto prazo e a motivação de longo prazo vivas no seu pensamento.

O processo de desenvolvimento é quase sempre um processo de tentativa e erro, o qual requer que o empreendedor faça ajustes com base na experiência. Empreendedores de sucesso ajustam-se ao feedback do mundo real, o que significa ser capaz de admitir erros e incorporar fatos novos, ao invés de ignorar teimosamente qualquer coisa que é uma ameaça às suas ideias.

Produtividade: espera-se sempre que o processo de desenvolvimento culmine em um produto que funciona. Nesse caso, o empreendedor adicionou valor ao mundo por meio da criação de um novo produto ou serviço, que funciona de forma consistente, que é produzido em quantidade e que é aperfeiçoado continuamente.

Aqueles que transacionam com o empreendedor, sejam consumidores, empregados ou investidores de risco, engajam-se em uma transação de ganho mútuo, trocando valor por valor. Do ponto de vista social, o comércio é um processo de negociação pacífica com os outros membros da sociedade de acordo com o mérito produtivo. Ele requer a proteção dos interesses das duas partes, o exercício da capacidade de negociação, a diplomacia e, quando necessário, a determinação que se alcance um resultado mutualmente benéfico. Os empreendedores também adicionam valor por trazer liderança à troca. Os empreendedores estão criando algo novo, então, são os primeiros a trilhar esse novo caminho. Os pioneiros servem como um exemplo a ser seguido, e especialmente no caso de um novo produto ou serviço, devem mostrar aos novos consumidores o valor de um novo produto ou serviço e devem ensinar aos novos empregados como produzi-los. Consequentemente, os empreendedores devem mostrar liderança ao expor aos outros sua criação, encorajando-os por meio do processo de aprendizado e acompanhando-os no processo de divulgação. Parte da troca, nesse caso, é a apresentação de uma nova oportunidade ao consumidor e ao empregado, permitindo que se beneficiem dela. Por assim proceder, o empreendedor será recompensado.

Finalmente, o empreendedor experimenta o sucesso e o prazer do sucesso. O sucesso empresarial resulta em recompensas materiais e psicológicas – materiais, na forma de bens físicos que podem ser adquiridos e do sentimento de independência e segurança financeira que os acompanha. Psicológicos, no sentimento do autorrespeito e de dever cumprido oriundo da criação de um produto ou serviço.

III. Empreendedorismo e a Ética da Virtude

Até agora, esbocei o processo empresarial em termos das características e ações que levam ao sucesso empresarial. O que isso tem a ver com a moralidade?

Uma das principais abordagens à ética ocorre por meio da virtude. Virtudes são traços de caráter que guiam a ação visando bons resultados. A literatura sobre ética é composta por diversas explicações concorrentes sobre quais deveriam ser esses bons resultados e, consequentemente, explicações concorrentes sobre quais virtudes deveríamos defender. Alguns eticistas da virtude alegam que um atributo tem prioridade na avaliação ética em relação a regras ou princípios, ações e consequências. Deixando de lado a questão de se a virtude tem prioridade, minha preocupação aqui é conectar atributos de sucesso empresarial a virtudes.

Se nós considerarmos os atributos de índole empresarial supracitados em termos de virtudes – por exemplo, em termos de atributos de caráter e comprometimentos que permitem e constituem uma boa ação – então, nós estabelecemos as seguintes conexões:

A geração e avaliação dos dados e das ideias criativas conectam-se à virtude da racionalidade. Racionalidade é o comprometimento ao exercício pleno da razão. O pensamento criativo e ativo inicial de um empreendedor é função da razão, como o é o exercício de julgamento analítico na determinação de quais ideias de negócios são realmente viáveis economicamente.

A ambição e o impulso dos empreendedores para o sucesso conectam-se à virtude do orgulho. O orgulho tem aspectos inovadores e retrógrados (por exemplo, orgulhar-se de algo que você conquistou); é o aspecto inovador que é importante aqui. Orgulhar-se de si próprio significa desejar o melhor para sua própria vida, o que implica em fazer o seu melhor. Por exemplo, orgulhar-se da sua aparência significa querer estar em forma, ou seja, um compromisso com a saúde, higiene e estilo. A busca incessante dos empreendedores pelo sucesso é a consequência de se orgulharem da parte profissional de sua vida.

O empreendedor que mostra iniciativa por ser o pioneiro e que se compromete a tornar um plano de negócios em realidade, conecta-se à virtude da integridade. A integridade é a política de agir com base no que uma pessoa acredita ser verdadeiro e bom. É traduzir o pensamento em ação. Isto é, os pensamentos de um indivíduo são integrados às suas ações; ou as crenças de um indivíduo sobre o que seria bom são integradas às suas ações, de forma a trazer esse bem à existência partindo de um plano inicial.

O compromisso de um empreendedor à ação, apesar do medo inerente por saber dos riscos envolvidos, conecta-se à virtude da coragem. A coragem é a virtude de comprometer-se a uma ação que um indivíduo julga estar certa, enquanto estando ciente, tanto intelectual como emocionalmente, das possibilidades de fracasso.

A perseverança do empreendedor frente às dificuldades, reprovações, e outras dúvidas temporárias conecta-o à virtude da independência. A independência é a virtude de confiar no seu próprio julgamento e agir com base no seu melhor julgamento, apesar das frustações iniciais ou das opiniões contrárias dos outros.

A missão do empreendedor ao longo do processo de tentativa e erro do desenvolvimento do produto conecta-se à virtude da objetividade. A objetividade é o procedimento de guiar o seu pensamento por meio do conhecimento dos fatos, ou estar aberto a novos fatos; ou, colocando negativamente, não sermos cegos intelectualmente, evitando o feedback, às vezes, desagradável da realidade. Um elemento constituinte da objetividade é a virtude da honestidade, a política de não fingir para si próprio ou para os outros que fatos não são fatos.

A produtividade do empreendedor conecta-se à virtude da produtividade. A produtividade é um comprometimento com a criação de valor, ser autoresponsável por transformar em realidade aquilo que um indivíduo necessita e deseja.

O ato da troca de valor por valor com clientes e funcionários por parte do empreendedor conecta-se à virtude da justiça. A justiça é um compromisso com a avaliação e interação com indivíduos de acordo com seu mérito, e um compromisso correlacionado de autoavaliação de acordo com seu próprio mérito. A justiça aplicada às relações comerciais significa que a troca ocorre voluntariamente, ou seja, com base no julgamento independente de cada parte, e que os termos do negócio são estabelecidos pelo julgamento independente de cada parte no que tange aos méritos da troca.

E, finalmente, o sucesso alcançado pelo empreendedor, incluindo as recompensas financeiras e psicológicas decorrentes da criação de um negócio próspero, conecta-se aos valores morais da prosperidade, felicidade e realização. A prosperidade ou a felicidade é o estágio mais elevado do sucesso. Como a vida profissional de uma pessoa é parte da sua vida como um todo, as ações do empreendedor que levam à prosperidade nos negócios são um componente de uma vida próspera como um todo. As ações do empreendedor tanto constituem como levam a uma vida desejada por ele.

Resumindo todos os pontos citados em uma tabela, obtemos o seguinte:

Entrepreneurial-virtues-chart-Portuguese

IV. Um código de ética empresarial

As virtudes e os valores listados na coluna da direita da tabela juntos constituem um código empresarial de ética empresarial. Esse conjunto de virtudes é uma abstração de uma descrição da atividade empresarial. Os pensamentos e ações dos empreendedores são itens de um conjunto geral de atributos de sucesso. Esses atributos de sucesso dos empreendedores são detalhes de um conjunto geral de virtudes.

Nesse contexto histórico, a lista de virtudes é muito aristotélica (Aristóteles, 1984; veja especialmente a discussão sobre coragem no Livro III de Aristóteles, orgulho como a “coroa” das virtudes, honestidade, e generosidade com respeito ao dinheiro no Livro IV, justiça no Livro V, e phrónesis ou sabedoria prática no Livro VI da Ética a Nicômano) e muito objetivista (Rand, 1964).

Uma implicação importante do supracitado é que uma ética empresarial contrasta fortemente com os códigos de ética prevalentes na literatura tradicional e atual sobre ética empresarial. Uma conclusão de grande parte da literatura é que o sucesso de acordo a critérios empresariais e o sucesso de acordo a critérios éticos são coisas diferentes. Uma consequência dessa visão é que o negócio é amoral e a ética é algo que tem de ser importado ou transplantado ao negócio – ou em perspectivas mais extremas, que os negócios são inerentemente imorais e o objetivo da ética é controlar ou restringir os negócios.

Pelo contrário, o código de virtude empresarial supracitado conecta os negócios à ética de maneira positiva. Estabelece uma fundação para uma ética favorável aos negócios baseada no pressuposto de que a prática de negócios bem sucedida tem dentro de si os recursos para desenvolver uma ética. Empresários são indivíduos orientados para o sucesso prático. Os compromissos e atributos que lhes permitem alcançar o bem, isto é, o sucesso na vida, são virtudes. E virtudes são o assunto principal da moralidade e da ética. O empreendedorismo é um veículo particular para a atividade moral.

Ou colocando de outra forma: quando você ensina as habilidades do sucesso prático nos negócios, a lista do lado esquerdo da tabela é o que nós ensinamos. Quando ensinamos uma virtude moral, a lista da direita é o que nós ensinamos. E elas acabam sendo a mesma coisa – a moral é prática.

Outra implicação do supracitado envolve promover a causa de uma sociedade livre. O eticista deve ser um aliado do economista e do cientista político ao defender aquele argumento. Os economistas elaboram os mecanismos comerciais de uma sociedade livre, e os cientistas políticos elaboram os requisitos constitucionais e de governo limitado. Ainda assim, enquanto os economistas e os cientistas políticos de uma sociedade livre têm feito um trabalho excelente, menos tem sido alcançado na articulação e defesa da ética de uma sociedade livre, incluindo sua ética empresarial.

James Buchanan fez a seguinte observação:

“Nós, verdadeiros liberais, estamos falhando em salvar a alma do liberalismo clássico. Livros e ideias são necessários, mas não suficientes para assegurar a viabilidade de nossa filosofia. Não, o problema está na demonstração do ideal. Minha tese mais ampla é que o liberalismo clássico não pode assegurar aceitabilidade pública suficiente quando seus principais representantes estão limitados ao pragmatismo do ‘isso funciona?’ […] Uma visão, um ideal, é necessário. As pessoas precisam de algo que possa ser desejado e pelo qual se possa lutar. Se o ideal liberal não está lá, existirá um vácuo e outras ideias o suplantarão. Os liberais clássicos fracassaram em compreender essa dinâmica” (Buchanan, 2002).

O sucesso empresarial não vem todo da ética, mas é um bom ponto de partida para a ética empresarial. Os códigos éticos são importantes do ponto de vista social: nós desenvolvemos sistemas políticos e econômicos para a produção e proteção do que pensamos ser bom, e o que achamos bom depende de nosso código moral. E os códigos morais são cruciais do ponto de vista pessoal: um código moral é um guia espiritual – é o que cada um considera melhor, mais elevado, mais nobre. Que diz quem você é e o que desperta o seu melhor. Nós necessitamos de um código moral que idealize as “Carlys” – não um que nos incite a ser “Janes” ou que é limitado a atacar as “Tonyas”.

A tese fundamental de um código de ética empresarial é que a ética empresarial deveria focar primeiramente na criatividade, na produtividade e no comércio. Empresários criativos e produtivos são indivíduos moralmente realizados. Ou seja, que a ética empresarial deveria levar a sério o empreendedorismo e fundamentá-lo como um fenômeno moral.

Referências Bibliográficas

ARISTOTLE. Nicomachean Ethics. In The Complete Works of Aristotle, edited by Jonathan Barnes. 2 vols. Princeton: Princeton University Press.

BUCHANAN, James. “Saving the Soul of Classical Liberalism.” The Wall Street Journal, 1º Janeiro de 2002.

KIRZNER, Israel. Competition and Entrepreneurship. Chicago: University of Chicago Press, 1973.

RAND, Ayn. “The Objectivist Ethics.” In The Virtue of Selfishness. New York: New American Library, 1964

SCHUMPETER, Joseph. 1950. Capitalism, Socialism and Democracy. 3rd ed. New York: Harper & Brothers.

[Original English version: “What Business Ethics Can Learn from Entrepreneurship” [pdf], Journal of Private Enterprise, 24(2), Spring 2009, 49-57. Return to the Publications page. Return to the StephenHicks.org main page.]

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Entrepreneur and Un-entrepreneur characteristics

I’m a big fan of Arnold Kling and Nick Schulz’s From Poverty to Prosperity: Intangible Assets, Hidden Liabilities and the Lasting Triumph over Scarcity. I wrote about it here. It’s about Economics 2.0, as they call it, one key feature of which is putting the entrepreneur front and center — in contrast to much of traditional economics that marginalized or ignored the entrepreneur.

Kling and Schulz offer this table contrasting the characteristics of entrepreneurs and non-entrepreneurs (click to enlarge):

Entrepreneur-Unentrepreneur

They follow up with a bite:

“If you look carefully at the right-hand column, you will notice something more than just the fact that these characteristics describe someone who is not well suited to being an entrepreneur. Someone who fits the description of an un-entrepreneur would be perfectly suited in another role — as a bureaucrat.”[1]

And more:

“A stereotypical bureaucrat, whether in a government agency or a large corporation, strives to remain inconspicuous and insulated from customers. Bureaucrats seem to prefer planning to action, and they become unhinged by adversity. They examine failure in order to pin blame and warn against recurrence, rather than to look for new opportunities.”[2]

Sounds right to me.

But a question about the traits: When we debate politics and economics, to what extent are we driven by such psychological dispositions, whether inborn or acquired?

That is, setting aside arguments based on economics, politics, and philosophy, how much of this psychology explains the difference between those with an entrepreneurial, free-market orientation — and those who thrive in cronyist corporations, those who advocate for “Third-Way” policies, and even those who desire centrally-planned political-economies?

Sources:
[1] Arnold Kling and Nick Schulz, From Poverty to Prosperity: Intangible Assets, Hidden Liabilities and the Lasting Triumph over Scarcity, Encounter Books, 2009, p. 194.
[2] Ibid., p. 195.

The book has been re-issued as Invisible Wealth: The Hidden Story of How Markets Work (2011).

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Aesop on politicians and rationalization

The Wolf and the Lamb

A wolf came upon a lamb that had strayed from the flock, and he felt some compunction about taking the life of so helpless a creature without some excuse. So he cast about for a grievance and said at last, “Last year, you grossly insulted me.” “That is impossible, sir,” bleated the lamb, “for I wasn’t born yet.” “Well,” retorted the wolf, “you feed in my pastures.” “That cannot be,” replied the lamb, “for I have never yet tasted grass.” “You’ve drunk from my spring, then,” continued the wolf. “Indeed, sir,” said the poor lamb, “I have never yet drunk anything but my mother’s milk.” “Well, anyhow,” said the wolf, “I’m not going without my dinner.” And he sprang upon the lamb and devoured it without more ado.

Tyrants will always find a reason for their tyranny.

Aesop.

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