Descartes’ reaction to Galileo’s conviction

The philosopher René Descartes in 1633:

“I inquired in Leiden and Amsterdam whether Galileo’s World System was available, descartesr-100for I thought I’d heard that it was published in Italy last year. I was told that it had indeed been published but that all the copies had immediately been burnt at Rome, and that Galileo had been convicted and fined. I was so astonished at this that I almost decided to burn all my papers … .”

Source: René Descartes, Letter to Mersenne, November 1633. In Selected Correspondence of Descartes, edited by Jonathan Bennett.

Related: My post, Galileo and the Modern Compromise.”

Posted in Free Speech and Censorship, History of Philosophy | Tagged , , | Leave a comment

Trigger Traumatists versus Paedophiles in Academia

Our polarized academic world, combining weak understandings of sexual bio-psychology with politics.

I juxtapose this piece from The New York Times, “Warning: The Literary Canon Could Make Students Squirm,” with this report from Britain’s The Telegraph, “‘Paedophilia is natural and normal for males’ How some university academics make the case for paedophiles at summer conferences.” gender-symbols

A. One group of academics says: Many are traumatized by awful sexual experiences, so we must forbid environmental triggers. (“Nothing goes.”)

B. Another group of academics says: Desiring sex with children is biologically natural and normal, so we must decriminalize it. (“Anything goes.”)

Imagine if we invited both groups to a conference and locked them in a seminar room together.

Ick. I just triggered some unpleasant emotions in myself.

Posted in Human Nature | 3 Comments

A tolerância racial é o melhor que podemos conseguir?

racismo-620x350

Atitudes racistas são remanescentes de um passado primitivo. Existe ainda muito racismo, contudo, progredimos em algumas partes do mundo, como mostra o gráfico dos países mais e menos racistas do mundo, publicado pelo The Washington Post.

Em grande parte da Europa, América do Sul, América do Norte, Oceania e em alguns outros lugares, o racismo recuou significativamente. Uma hipótese é a de que as culturas menos racistas são aquelas mais influenciadas pelo Iluminismo Europeu do século XIX, período no qual, pela primeira vez na história, as ideias individualistas derrotaram os coletivismos que ensinaram as pessoas a se classificarem por grupos arbitrários como sexo, classe, etnia, religião e raça.

Mas mesmo dentro das nações mais desenvolvidas, existem sinais desagradáveis.

Na Europa, o berço da civilização ocidental, o renascimento do neonazismo na Europa é desanimador.

O mesmo se aplica, nos Estados Unidos, aos debates polarizados com respeito à relevância da raça nas mortes de Trayvon Martin, Michael Brown e Eric Garner.black-lives-matter

E mesmo crescendo no pacato, tolerante Canadá, recordo-me de camisetas anti-Paquistão usadas despreocupadamente nas ruas de Toronto após uma onda imigratória de paquistaneses ao estado de Ontário. Eu também me recordo de uma longa conversa com um motorista de ônibus em Québec, na qual ele afirmou que não havia nenhum problema se alguns negros ou japoneses imigrassem para o Canadá — mas que ele não se sentia confortável com sua permanência e “reprodução” em grandes números.

Às vezes, é consolador notar que as culturas mudam, mesmo que de forma lenta. A abordagem por grupos foi parte de toda a cultura ao redor do mundo, por dezenas de milhares de anos, então, talvez, somente se possa esperar um progresso lento nos séculos posteriores ao Iluminismo.

Ou é tentador dar crédito à hipótese da psicologia evolucionária que a abordagem por grupos está agora impregnada dentro de cada ser humano, portanto, um processo constante e intenso de educação é necessário para que esqueçamos e superemos tal programação mental.

Ou é atraente notar que vivemos em uma parte do mundo amigável à imigração, e cada geração estabelece contato com muitas pessoas de atitudes ultrapassadas de partes menos civilizadas do mundo. Então, novamente, talvez somente se possa esperar um processo lento de educação cultural.

Mesmo assim, sinto-me impaciente. Como podemos acelerar o processo civilizatório?

Dizem-nos, por vezes, que devemos ensinar e aprender tolerância. Precisamos ter um cuidado especial com respeito às palavras utilizadas, já que a solução não é a tolerância racial.

Esse é um ponto que foi destacado pelo filósofo David Kelley. Tolerância é a prática de “permitir ou autorizar uma coisa que o indivíduo, em seu âmago, desaprova”: significa que o indivíduo tem que “suportar ou aguentar” algo que considera errado. Mas deveríamos pensar que existe algo errado com tons de pele diferentes? Há justificativa na desaprovação de diferenças de raças, ou mesmo tolerância em nome da civilidade? É claro que não.racial-tolerance

A tolerância é devidamente aplicada a diferenças que têm significância normativa e que são questões deescolha. Por exemplo, veja a questão da religião. Indivíduos fazem escolhas distintas quanto à religião, e todas as religiões têm crenças, valores e práticas com significâncias moral e política — sobre dinheiro, poder, e o sentido da vida. Mas uma característica crucial da religião é que cada indivíduo deve fazer suas próprias escolhas. Nesse sentido, devemos respeitar a espiritualidade de cada um (suas escolhas), isto é, conviver com o fato de que as outras pessoas farão escolhas com as quais eventualmente discordaremos. Isso é tolerância.

Nada disso se aplica à raça. A quantidade de pigmento na pele de um indivíduo não é uma questão de escolha. E ser mais ou menos marrom, branco, vermelho ou amarelo não é algo que seja moral ou politicamente significativo.

Suponha analogicamente que, em vez da cor da pele, foquemos na cor do cabelo. Cores de cabelo variam naturalmente do ruivo ao loiro, do castanho ao preto. Podemos, é claro, dividir as pessoas em grupos (respeitando a cor do seu cabelo), mas seria ridículo dizer que temos que tolerar ruivas ou loiras.  Ou que temos que tolerar pessoas de olhos castanhos ou verdes. Ou que temos que aprender a suportar ou aguentar o fato de que algumas pessoas são mais altas ou mais baixas. A tolerância é um conceito inapropriado em todos esses casos.

Nós podemos ter preferências estéticas sobre cores de cabelos e tons de pele, assim como temos preferências sobre cores de roupas e de decoração de casas. E pode haver fatores relevantes do ponto de vista médico sobre qual seja a raça-vetor (o médico Keith Norris resume o estado atual de nosso conhecimento).

Mas a tolerância é um conceito inapropriado aqui, já que não há razão para pensar que a raça seja relevante para a ética ou a política.

A ética trata de valores, caráter, ações e hábitos (costumes). Quais deveriam ser os principais objetivos de minha vida — a busca da felicidade, amor, riqueza, beleza, aventura e assim por diante? Quais virtudes de caráter — integridade, honestidade, coragem e assim por diante — eu deveria personificar? Quais ações particulares eu deveria tomar para alcançar meus objetivos? E quais hábitos de pensamento, de sentimento, e de ação que deveriam se tornar automáticos?kids-racial-tolerance

O ponto sobre a ética é que a cor da pele é irrelevante. Qualquer pessoa, independente da cor de sua pele, pode se tornar um nobre ou um patife. Sempre e quando alguém tenta agrupar pessoas como amarelas, brancas, negras ou vermelhas, existem muitos exemplos em cada grupo de indivíduos preguiçosos, hipócritas, covardes e totalmente maus, assim como muitos exemplares de dignidade, saúde, coragem e realização. Tampouco há evidência de que os valores superiores (elevados) de amizade, saúde ou sucesso são mais ou menos importantes para os indivíduos dependendo de sua cor de pele.

Nem a raça é um traço politicamente relevante. A política trata devidamente da definição e proteção do espaço social dentro do qual os indivíduos seguem suas próprias convicções (concepções) de uma vida boa. Os indivíduos são e deveriam ser tratados como agentes autorresponsáveis dotados de vida, liberdade e direitos de propriedade. Esses direitos não variam por causa da cor da pele, sexo, altura ou peso – ou até mesmo inteligência. Einstein pode ter sido duas vezes mais esperto que eu, mas ele não tem duas vezes mais direitos que eu. Seja qual for a distribuição de inteligência, ou a categorização de um indivíduo, isso é politicamente irrelevante: todo o indivíduo necessita governar sua própria vida, sendo capaz de agir livremente, de acordo com seu melhor julgamento.

Portanto, já é tempo de irmos além da tolerância racial. Em um mundo onde algumas pessoas têm atitudes negativas com respeito à raça, o primeiro passo é encorajá-las a reprimir tal postura, agindo de forma diferente. Mas também sabemos que bilhões de indivíduos já aprenderam a lição não tão difícil que o que realmente importa é o caráter individual e o respeito pelos direitos individuais. Então, não é pedir muito esperar que o primitivismo racial continue a perder força com o avanço da civilização.

* * *

hicks-stephen-2013“A tolerância racial é o melhor que podemos conseguir?” Por Stephen Hicks. Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Russ Silva. Artigo Original no “The Good Life”. Visite EveryJoe.com para ler os últimos artigos de Stephen Hicks.

Stephen Hicks é o autor do livro Explicando o Pós Modernismo e Nietzsche and the Nazis.

Posted in Culture, Philosophy | Tagged , , , , | Leave a comment

Shawn Klein’s *Steve Jobs and Philosophy*

A new book is forthcoming this spring: Steve Jobs and Philosophy.

Klein-Jobs-coverThe editor is Shawn E. Klein, a professor of philosophy at Rockford University. He has assembled sixteen essays on Steve Jobs’s impact. Klein’s summary:

“Jobs was an outstanding achiever and a complex man with serious faults. This book is neither demonization nor hagiography. It is not intended as indictment or apology. The chapters are thoughtful, mostly philosophical, examinations, from different points of view, of Steve Jobs’s life and work, and their impact on our culture and the way we live.”

The book is part of Open Court Publishing’s Popular Culture and Philosophy series.

I contributed the essay “How Can We Make Entrepreneurs?” Other contributors whose work I know include Terry Noel, Carrie-Ann Biondi, Robert Salvino, Alexander Cohen, William Thomas, and Jason Walker. Several of the other authors’ names are known to me, and I look forward to reading their contributions.

Here is the Amazon link for more information about the book.

Posted in Business, Entrepreneurship, Philosophy | Tagged , | 1 Comment

Objectivism and Zen — typo version

Reflection upon an unpleasant email exchange I had recently. My correspondent was of a type I’ve encountered before, often enough to be irritating and to warrant creating a new conceptual category for.

You might know of whom I speak: the aggressively screw-you types who use crude versions of Rand’s philosophy as a bludgeon to demonstrate their superiority and the pathetic awfulness of everyone else.

I have a hypothesis that their personal philosophy stems from a typo.

One interesting exploration is assessing the similarities between Objectivism and Buddhism — and there are some. Can some features of Objectivism be combined with Zen Buddhism?

But the screw-you types misread “Budd-hism” as “Butt-hism” — and take it as an invitation to get in touch with their inner asshole.

buddha

(There. Having gotten that off my chest, I feel much better.)

Posted in Philosophy | 7 Comments

A Nazi graphic against capitalism, communism, homosexuality, and the Jews

germs-Nazi
The microscope reveals symbols for the British pound and the American dollar, and for Jews, communists, and homosexuals (triangles).

The poem at the bottom reads:

Infectious Germs

With his poison, the Jew destroys
The sluggish blood of weaker peoples;
So that a diagnosis arises,
Of swift degeneration.
With us, however, the case is different:
The blood is pure; we are healthy!

(From Der Stürmer, April 15, 1943, p. 1.)

My rough count for each symbol: British pound (5), American dollar (5), Jews (28), communists (5 hammer/sickles and 2 stars), and homosexuals (15).

(Does that mean the Nazis’ worst nightmare would be a gay Jewish capitalist?)

Sources:
The poem and image are from “Metaphors, Fantasy & the Social Construction of Reality” by Richard A. Koenigsberg.
The image is from Robert Proctor’s Racial Hygiene: Medicine Under the Nazis.

Also:
An earlier post on “Dr. Franz Hamburger and the Nazi collectivizing of reproduction.”
My fuller treatment of National Socialist medicine, sex, family, and eugenic policies is in Section 16 of Nietzsche and the Nazis.

Posted in History | Tagged , , , | 3 Comments

My speaking schedule April-July 2015

April 10-12, Cancún, Mexico. Liberty Fund Socratic Seminar. Topic: E. G. West’s Education and the State.

April 13-14: Cancún. APEE Conference. Topic One: “Corruption in Business—Does Regulation Lessen or Increase It?”speaker-action-145 Topic Two: “Social Virtues for Individualists.”

April 19-25: Buenos Aires, Argentina. Fundación para la Responsabilidad Intelectual. Topics: TBA.

April 29-May 1: Jekyll Island, Georgia. Conference on “Responsibility and the Financial Crisis.”

June 19-22, Nashua, NH. Atlas Summit. Topic: “The Three Best Arguments against Liberal Capitalism.”

July 26: Hong Kong, China. Conference on Neo-Enlightenment: Art after Postmodernism and the Art of Hong Kong in the 21st Century. My topic: “The Next Revolution in Art.”

July 29-31: Nanjing, China. Conference on CSR, Sustainability, Ethics & Governance. Topic: “Entrepreneurship’s Relationship to CSR.”

Posted in News | Leave a comment

Monopólio bom, monopólio ruim

monopólio-620x350

Permitam-me dar alguns exemplos de monopólios, para logo em seguida perguntar: quais são bons e quais são ruins?

  1. Megan e Ramon começaram a namorar e estão encantados um pelo outro. Em pouco tempo, eles estão monopolizando o seu tempo nessa relação amorosa e decidem se casar.
  2. Um município, localizado em uma área remota, possui somente um armazém, um banco e um posto de gasolina, mas não um restaurante — até que Anita chega à cidade e abre um. Em breve, ela possui um negócio lucrativo, sustentado pelos habitantes e viajantes ocasionais que ali fazem suas refeições.
  3. Um químico inventa um novo tipo de revestimento que oferece vedação total a uma fração do custo atual. Logo, seu revestimento é usado em virtualmente todos os produtos que demandam tal aplicação.
  4. Por 20 anos, Carrie e Hardy têm sido os únicos dois contadores de uma empresa de médio porte. Eles conhecem profundamente a contabilidade da empresa, assim como todos os seus vendedores e clientes. Carrie se aposenta, deixando Hardy como o único contador da empresa com conhecimento amplo de suas operações.
  5. Uma empresa de médio porte possui 1000 empregados, 990 dos quais votam em favor da formação de um sindicato. O proprietário da empresa assina um contrato de cinco anos concordando em negociar somente com os representantes do novo sindicato questões relativas a salários e benefícios.
  6. O governo de uma nação concede status especial a uma empresa privada como a única com permissão a entregar correspondências. Se outra empresa tentar competir com ela, a polícia fechará suas instalações.

Monopólios fazem parte de nossas vidas. Mas eles surgem por diversas razões e nos afetam de forma diferente. Os humanos geram e comerciam diferentes tipos de valores (produtos e serviços) uns com os outros, tanto no mercado doméstico quanto no mercado internacional, portanto, quaisquer princípios políticos relativos ao monopólio devem ser consistentes.

Vamos começar nossa análise por Megan e Ramon, que estão no mercado do namoro. Cada um possui qualidades (ativos) a oferecer, e cada um deseja algo em troca — amor, sexo, segurança, aventura e outras coisas.  Ambos enfrentam concorrência nesse mercado. Depois de divulgarem suas características pessoais, de forma sútil ou explícita, e talvez com a ajuda de casamenteiros que intermediaram seu primeiro encontro, eles eventualmente se encontraram. Durante uma série de encontros, eles negociaram termos mutualmente benéficos e optaram por uma relação monopolística de longo prazo.Monopoly-Government-Style2

Contei a história de Megan e Ramon de forma romântica? Temos algum problema com o monopólio nesse caso?

Podemos dizer: nenhum problema. Megan e Ramon são indivíduos livres. Eles podem escolher namorar outras pessoas ou não. Ninguém tem o direito ao amor de Megan ou Ramon caso não queiram compartilhá-lo. Eles podem se comprometer a qualquer pessoa que desejarem, desde que a pessoa envolvida esteja de acordo.

Alguma coisa mudaria nos seguintes casos?

  1. Suponha que Megan estivesse flertando com Charles e Neil, e ambos estivessem apaixonados por ela. Mas surgiu Ramon, e Megan terminou com eles. Competição brutal.
  2. Suponha, porém, que eles vivem em um município afastado, com poucos solteiros. Ramon pode escolher entre diversas mulheres. Mercado de compradores.
  3. Megan é uma farmacêutica amadora. Ela realiza teste com perfumes e encontra uma fragrância que muito agrada aos homens. Mas ela não divulga sua fórmula, evitando que outras mulheres a utilizem, dando-lhe uma vantagem no mercado do namoro. Inovação e vantagem comparativa.
  4. Suponha que a câmara municipal aprove uma lei proibindo seus cidadãos de namorarem pessoas de outras cidades. Os moradores desse município adorarão poder escolher seus parceiros livres de intrusos. Proteção contra a concorrência externa.
  5. Megan e Ramon ainda não se conhecem, e como são bonitos e encantadores, têm desfrutado de vários encontros casuais com pessoas diferentes. O prefeito decreta que Megan e Ramon só poderão namorar uma pessoa de agora em diante, pois estão diminuindo as chances de as outras pessoas terem um encontro. Competição administrada.

O que se aplica ao amor, também se aplica a programas de computador, serviço postal, petróleo, alumínio e livros — e a qualquer coisa de valor que as pessoas criam e comercializam. As pessoas deveriam ser agentes livres como produtores e consumidores, e qualquer que seja o tamanho da fatia de mercado ou quaisquer táticas competitivas são legítimas na medida em que a livre vontade é respeitada. Em poucas palavras, o monopólio é somente um problema quando surge ou se faz cumprir por meio da imposição.monopólios-620x350

Uma empresa que introduz um novo produto ou serviço tem, por definição, um status de monopólio. Mas um único vendedor de um novo produto não é uma ameaça. Em vez disso, um vendedor está dando outra opção aos consumidores, assim como um novo “partido” ou alguém como uma nova tática para conquistar mulheres está introduzindo outra opção no mercado do namoro.

Uma empresa que adquire uma grande fatia de mercado no livre mercado pode se tornar um monopólio — mas esse status é merecido: significa que os consumidores escolheram voluntariamente os serviços daquela empresa e não das outras, assim como muitos homens e mulheres podem querer namorar uma pessoa muito atraente.

Uma empresa que monopolística pode cobrar um preço maior ou restringir o seu número de clientes. Mas nenhuma empresa deveria ser obrigada a vender a um preço inferior ao que deseja, assim como ninguém deveria ser obrigado a namorar alguém que não atende aos seus padrões.

Ao mesmo tempo, os consumidores têm a opção de comprar ou não comprar ao preço de monopólio, assim como a opção de comprar produtos similares ou, como ocorre no mercado do namoro, aceitar ou recusar os pedidos para sair dos solteiros e solteiras, preferindo outro tipo de diversão qualquer (cinema, teatro, leitura de um livro).

Além disso, o status de monopólio no livre mercado nunca é garantido, já que outras empresas podem livremente entrar no mercado. Uma empresa monopolística que cobra preços altos é vulnerável à concorrência que pode oferecer um produto similar a um preço mais baixo, assim como uma pessoa atraente que muito demanda pode não conseguir muitos encontros. E o outrora inovador, caso se torne obsoleto, é vulnerável à concorrência que alcança e supera suas inovações, assim como um novo garoto na cidade pode influenciar o mercado local, fazendo com que o resto dos homens melhorem suas estratégias.rich-monopoly-man1

Mas tudo que é importante muda quando a força política é introduzida. Quando um governo confere um status de monopólio especial a uma empresa particular, ela não se preocupa com a concorrência. Seu incentivo a inovar e baixar preços é enfraquecido. Além disso, é relevante o fato de que a empresa monopolística foi inicialmente selecionada por políticos e não pelos consumidores. Segue que o principal interesse da empresa é dar aos políticos o que eles querem de forma a manter o status de monopólio — em vez de dar aos consumidores o que eles querem. Detalhe: os monopólios concedidos pelo governo também violam a liberdade de qualquer outra empresa entrar no mercado. Empreendedores que, de outra maneira, poderiam ter escolhido esse nicho de mercado são proibidos de fazê-lo.

Exatamente pelas mesmas razões que os monopólios administrados pelo governo no mercado de namoro e casamento seriam desumanizantes e insatisfatórias, os monopólios governamentais em qualquer área o são. Com quem nos associamos e em quais termos deveria ser uma questão pessoal.

Mas, até onde podemos levar essa analogia entre namoro livre e outras buscas de valores humanos? Pelo menos, um passo adiante.

No mercado do namoro, nem todo mundo encontra o amor verdadeiro. Algumas ficam sozinhas, outras se contentam com a segunda melhor opção, e outras ainda têm seu coração partido. Talvez a lição seja que os mesmos riscos são reais em quaisquer mercados da vida, incluindo os negócios. E assim como devemos proceder na busca pelo amor, precisamos desenvolver a resiliência e fortaleza necessárias para lidar com a concorrência em nossa vida, seja no campo pessoal ou profissional.

* * *

hicks-stephen-2013“Monopólio bom, monopólio ruim” Por Stephen Hicks. Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Russ Silva. Artigo Original no “The Good Life”. Visite EveryJoe.com para ler os últimos artigos de Stephen Hicks.

Stephen Hicks é o autor do livro Explicando o Pós Modernismo e Nietzsche and the Nazis.

Posted in Business Ethics, Economics, Politics | Tagged | Leave a comment