Como domesticar terroristas religiosos [Portuguese translation]

libertarianismo--terrorists

[This is a Portuguese translation of “How to Tame Religious Terrorists”, originally published in English at EveryJoe.]

Derrotar um inimigo como o Islã politizado é uma batalha de múltiplas frentes — policial, militar, diplomática, cultural e filosófica.

Toda luta começa com desavenças locais e de curto prazo. Entretanto, conflitos generalizados de longa duração são sempre devidos a colisões de princípios abstratos. Nossos conflitos com neonazistas, comunistas revolucionários, ambientalistas violentos, anarquistas que querem destruir o governo e outros são, em sua origem, conflitos intelectuais.

Terrorismo é, antes de tudo, uma mentalidade — comprometida com uma causa que inclui a vontade de matar anônimos indiscriminadamente.

Coloque-se dentro da cabeça de um terrorista. Você tem que aprender a não ver outros humanos como indivíduos: é meu grupo contra o seu grupo. Você não pode estar aberto ao debate racional e à resolução pacífica: eu combato a discussão e me comprometo com o medo e com a morte. Você tem que sufocar qualquer preocupação com justiça: eu quero matar indiscriminadamente. Na maior parte dos casos, você tem que decidir que sua própria vida na Terra é insignificante: eu quero morrer pela causa.terrorists

O Islã politizado está espalhado em muitas partes do mundo. Ele é bem financiado e bem organizado, conta com muitos porta-vozes e simpatizantes articulados, além de já ter provado ser capaz de executar ataques terroristas audaciosos.

Como alguém pode derrotar um inimigo com esta mentalidade?

No Ocidente, isso já foi feito. Nós temos nossos próprios fanáticos religiosos, mas nós os domesticamos. Podemos aprender com nosso sucesso no passado, aplicando suas lições à crise atual.

Não muito tempo atrás, o mundo cristão foi dilacerado por conflitos internos sangrentos. Perseguição, tortura e matança generalizada aconteceram em todos os lugares onde os cristãos encontraram dissidência interna ou desacordos externos.

Isso não foi um acidente, dadas as características da doutrina cristã. Tanto intelectuais quanto ativistas estavam agindo de acordo com suas melhores interpretações das Escrituras e dos ensinamentos de uma longa tradição de autoridade cristã.

Considere esta lista de grandes nomes: Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Martinho Lutero e João Calvino. Agostinho e Aquino eram os dois mais importantes pensadores da tradição católica; Lutero e Calvino, os dois mais importantes da tradição protestante. Os quatro, sem exceção, eram inteiramente favoráveis à morte de quem deles discordasse.

E os cristãos podiam citar as Escrituras e as próprias palavras de Jesus: “Não pensem que eu vim trazer paz a terra; eu não vim trazer a paz, e sim a espada[1]” (Mateus 10:34). Eles também podiam voltar a contar a parábola da resolução de conflitos, na qual Jesus termina assim: “E quanto a esses inimigos, que não queriam que eu reinasse sobre eles, tragam aqui, e matem na minha frente!” (Lucas 19:27).

A questão não é se é essa a sua interpretação do próprio cristianismo. A questão é que este era o entendimento dominante entre os cristãos naquela época, da mesma forma que seu equivalente está difundido atualmente entre seguidores do Islã politizado.

Assim como os islamitas, os cristãos foram ensinados a ter fé e a obedecer. Foram ensinados a procurar suas identidades em algo maior que eles mesmos. Foram ensinados a minimizar suas preocupações terrenas e focar na vida após a morte e na honra dos mártires. Foram ensinados que hereges e ateus eram aKoran-terroristmeaças para o tecido do todo sagrado. Assim, se tornaram participantes ativos numa cultura disfuncional de ameaças, perseguições, de matar e ser morto.

Sim, isto é uma simplificação, pois os cristãos estavam divididos em muitas seitas fundamentalistas e/ou moderadas. E havia judeus e muçulmanos misturados. E as rivalidades e ódios religiosos se juntaram às rivalidades e ódios políticos, fazendo que ingleses, espanhóis, holandeses, italianos, alemães e franceses se detestassem uns aos outros, estendendo mágoas ao longo de séculos.

Mas o Ocidente afinal atingiu uma cultura de tolerância e isso só foi possível pela marginalização de indivíduos odiosos, fossem políticos ou religiosos. Agora, cristãos de muitas denominações convivem com ateus e judeus, hindus, siques e budistas. Da mesma forma, trabalham lado a lado ingleses e espanhóis, italianos e holandeses.

Como isso aconteceu? Por causa da filosofia — e de um longo período de educação e debate cultural inspirado no humanismo reintroduzido no Ocidente no começo da Renascença.

Os humanistas ensinaram, normalmente sob severa oposição religiosa, que a vida na terra importa e que deveríamos aproveitá-la. Ensinaram que devemos ser racionais, usando nossos sentidos e nossa razão para entender o mundo e a nós mesmos. Ensinaram, mais e mais, à medida que a Renascença avançava, que cada indivíduo importa e que devemos julgar as pessoas por suas ações individuais e seu caráter. Ensinaram que cada pessoa é responsável por sua própria vida.

Uma longa fila de pensadores como Montaigne na França, Galileu na Itália, Spinoza na Holanda e Locke na Inglaterra travaram um debate multigeracional e conseguiram estabelecer os princípios fundamentais da moderna civilização ocidental.

O Ocidente domou seus fanáticos religiosos somente porque a filosofia humanista prevaleceu. Portanto, a lição para o nosso presente é que, para domar o terrorismo religioso, o caminho não é religioso. Não precisamos voltar ao cristianismo original nem esperar que haja uma reforma no Islã.

No longo prazo, o que o mundo islâmico precisa é aprender e internalizar princípios humanistas — da mesma forma que nós ocidentais os aprendemos — e o que nós precisamos é defender vigorosamente sua permanência em nossa própria cultura.

Obviamente, esta é uma tarefa imensa. A educação cultural é um projeto constante e contínuo a ser realizado por gerações. A nossa própria geração, que está sendo testada pelo ressurgimento da brutalidade motivada pela religião, tem um duplo desafio: interno e externo.human-body-leonard-da-vinci

Internamente, devemos nos manter comprometidos com os princípios humanistas do naturalismo, da razão, da liberdade individual e da responsabilidade pelos próprios atos. Precisamos entender esses princípios, acreditar neles e agir consistentemente de acordo com eles.

E é por isso que o que está acontecendo em nossas escolas e universidades atualmente é tão perturbador. Nossos professores e intelectuais estão infectados por ideologias obsoletas e anticivilizatórias pós-modernas. Essas filosofias da irracionalidade, da identidade coletivizada por raça, etnia ou gênero, e conflitos de grupos têm feito muito para minar a capacidade de toda uma geração de pensar de forma racional, de debater de forma construtiva, de defender abertamente os valores da responsabilidade pelos próprios atos, da liberdade e da tolerância.

Se não soubermos defender esses valores, ficaremos indefesos contra o islamismo aguerrido.

O outro desafio é externo. Apesar da globalização, grande parte do mundo islâmico continua parcial ou totalmente fechada aos nossos esforços para influenciar seu desenvolvimento cultural. Isso significa que precisamos achar maneiras de apoiar seus pensadores e ativistas liberais e humanistas. Eles são poucos e corajosos, e estão na posição em que estava a minoria humanista no Ocidente, séculos atrás: argumentando e persuadindo por uma mudança cultural dentro de uma cultura maior que ainda é intelectualmente primitiva, supersticiosa, fanática e selvagem.

Esses humanistas do mundo muçulmano merecem nosso apoio, pois a sobrevivência e o progresso de ambas as nossas culturas depende disso


[1] Todas as citações bíblicas são retiradas da Bíblia Sagrada – Edição Pastoral. São Paulo: Editora Paulus, 1990.


hicks-stephen-2013“Como domesticar terroristas religiosos” Por Stephen Hicks. Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Russ Silva. Artigo Original no “The Good Life”. Visite Publicações em Português para ler os últimos artigos de Stephen Hicks.

Stephen Hicks é o autor do livro Explicando o Pós Modernismo e Nietzsche and the Nazis.

Philosophy’s longest sentences — G.E. Moore edition

A new entry in the ongoing contest to find the longest sentences written in the history of philosophy. Submitted by Ken Brown, a 239-word self-reflective monster from G. E. Moore’s “A Defence of Common Sense”:

Moore-book‘In other words what (2) asserts is only (what seems an obvious enough truism) that each of us (meaning by “us,” very many human beings of the class defined) has frequently known, with regard to himself or his body and the time at which he knew it, everything which, in writing down my list of propositions in (1), I was claiming to know about myself or my body and the time at which I wrote that proposition down, i.e. just as / knew (when I wrote it down) “There exists at present a living human body which is my body,” so each of us has frequently known with regard to himself and some other time the different but corresponding proposition, which he could then have properly expressed by, “There exists at present a human body which is my body”; just as I know “Many human bodies other than mine have before now lived on the earth,” so each of us has frequently known the different but corresponding proposition “Many human bodies other than mine have before now lived on the earth”; just as I know “Many human beings other than myself have before now perceived, and dreamed, and felt,” so each of us has frequently known the different but corresponding proposition “Many human beings other than myself have before now perceived, and dreamed, and felt”; and so on, in the case of each of the propositions enumerated in (1).’

Plain common sense, indeed.

Kierkegaard is still the contest’s champion, but Moore now passes Aristotle to take over third place.

blah-blah1. Kierkegaard: 330 words.
2. Locke: 309 words.
3. Moore: 239 words.
4. Aristotle: 188 words.
5. Kant: 174 words. (Also: 163 words.)
6. Bentham: 164 words.
7. Mill: 161 words.

Católico vs. Ateu, Parte 1: Vale a pena discutir religião? [Portuguese translation]

[This is a Portuguese translation of Part 1 of the Theist vs. Atheist debate series between Stephen Hicks and John Wright, originally published in English at EveryJoe. ]

Vale a pena discutir religião?

Por Stephen Hicks
Tradução e Revisão de Matheus Pacini

Minha resposta é: certamente, vale a pena discutir sobre religião.theist-vs-atheist

Todos nós já ouvimos que, na companhia de amigos, não devemos discutir sobre sexo, política, negócios e religião. Esses temas são muito problemáticos, de tal modo que deveríamos preferir temas mais leves.

Às vezes, obviamente, aqueles temas são inapropriados. Não se deve entregar cartões de visita em um funeral. Professores não devem seduzir suas alunas. E mesmo se for o dia anterior a uma grande eleição, não devemos fazer discursos de campanha na festa de aniversário de uma criança de quatro anos.

Mas nós somos seres humanos. Ser humano é tratar das grandes questões e dos valores cruciais da vida: devemos decidir quais serão as prioridades da nossa vida. A reflexão individual é a parte mais importante desse processo. Contudo, discutir as grandes questões com os outros pode e deveria ser uma experiência útil de aprendizado.

Vejo a questão da discussão por esse prisma. Suponha que você seja procurado por uma adolescente de 15 anos que o conhece e que confia em você. Talvez você seja um membro da família, um técnico ou conselheiro, um professor ou até mesmo um bom amigo da família. Ela sabe que você é um adulto justo e decente, de tal modo que recorre a você para aconselhamento.

O que eu deveria pensar sobre religião? — ela pergunta. Tenho lido e pensado muito sobre isso, e sei que existem muitas respostas — do ateísmo ao agnosticismo, e tantos outros tipos de crença.

Ela pausa, o que me concede alguns segundos para organizar meus pensamentos. E eu realmente gostaria de saber a sua opinião, ela diz.

Como você responde?

É normal sentir certa aversão pelo tema; afinal, é um tema desconfortável, difícil e até mesmo pode levar a situações desagradáveis.

Tudo isso pode ser verdade. No entanto, também é verdade que parte da magia do amadurecimento pode ser transmitir a sabedoria obtida arduamente às pessoas que estão apenas começando a sua jornada. Em especial, no caso de pais e professores, inerente à escolha de se tornarem educadores e guias para os mais jovens está a necessidade de servirem de exemplo, preparando-os para os grandes desafios da vida.

Então, na melhor das hipóteses — frente a uma jovem interessada, de cabeça aberta, e questionadora que deseja falar seriamente com você — esses são momentos para os quais você deveria se preparar, e pelos quais você deveria esperar ansiosamente.

Nós sabemos como alguns adultos têm lidado com os jovens. Eles doutrinaram seus filhos muito antes, deixando claro em que as crianças deveriam acreditar e até mesmo prejudicando a capacidade natural de reflexão da criança sobre aquelas crenças.

Outros adultos reagem de forma autoritária, dizendo às crianças que fazem perguntas que elas não têm capacidade para pensar em tais coisas e que deveriam confiar e acreditar no que os seus pais dizem.

Outros ainda usam ameaças e coerção efetiva. Eles abusam verbalmente dos questionadores, e suas duras palavras podem ser reforçadas por algum tipo de agressão, confinamento ou ameaças de castigos futuros por desobediência.

Mas alguns adultos — felizmente, uma minoria crescente — debate com seus filhos. Desde a infância, as crianças perguntam porque, como e os adultos em suas vidas exploram esses temas com seus filhos. Eles fazem o seu melhor para apresentar os fatos e explicar as razões de uma forma que as crianças possam entender.

Somente o método argumentativo é legítimo. A doutrinação está abaixo de toda a consideração. Apelos à autoridade nada provam. E responder perguntas com ameaças ou coerção é uma confissão patética de fraqueza intelectual e de maldade.

A verdade sobre a religião — ou qualquer outro tema — pode ser conhecida somente por uma mente que avalia as evidências, julgando-as de forma independente. Com o aumento da complexidade dos temas — isto é, com o aumento do número de evidências que devem ser consideradas e com o aumento do número de possibilidades interpretativas que devem ser avaliadas — a atenção explícita ao argumento e contra-argumento torna-se fundamental. A característica de uma mente responsável, preocupada com a verdade, é o compromisso a seguir o caminho trilhado pelos melhores argumentos.

É frequentemente dito que, antes da idade da razão, deve-se dizer às crianças o queThinkingMan fazer e, além disso, que os seus hábitos físico-cognitivos devem ser formados pela autoridade. A razão pela qual precisam tomar banho ou comer vegetais, ou não atravessar a rua correndo — não podem ser explicadas para uma criança de dois anos. Logo, os adultos devem instruí-las a fazer as coisas certas, desenvolvendo bons hábitos em suas crianças por meio do condicionamento.

Justo, às vezes. Não podemos esquecer, todavia, que o desenvolvimento da capacidade de raciocínio de uma criança começa no nascimento. Dessa forma, os pais também devem ser sensíveis ao que a criança em desenvolvimento pode e não pode compreender. Quando a criança puder entender, então o raciocínio — e não o condicionamento — é apropriado. Simultaneamente, o cultivo do raciocínio da criança lhe permite entender as razões para o condicionamento inicial. Parte do processo de maturidade intelectual consiste em reavaliar por si próprio as crenças e hábitos adquiridos dos seus pais.

Tudo isso é especialmente verdade para as questões religiosas. A religião é um tipo de filosofia, com respostas às questões da vida sobre quem somos, de onde viemos, e o que realmente importa.

Responder aquelas questões é de vital importância para cada um de nós, e a suficiência das várias respostas religiosas é naturalmente um tema crítico para todos os seres humanos pensantes. Mas a única forma de avaliar sua suficiência é por meio da análise das evidências, da avaliação de se as alegações religiosas estão de acordo com as evidências, e da comparação entre argumentos religiosos concorrentes.

Esse é um trabalho árduo.

Algumas pessoas são dissuadidas pela dificuldade da tarefa, caindo na armadilha da fé fácil ao abraçar quaisquer crenças que lhes foram ensinadas. Mas obviamente um acidente de geografia social não prova ou mesmo torna provável as crenças de um indivíduo.

Outras pessoas são dissuadidas pelo medo de que possam descobrir que suas crenças estão erradas. Elas podem ter que admitir erros, e podem ter que mudar sua opinião em prol de uma crença que atualmente consideram repulsiva. Tornam-se, assim, subjetivistas. Mas, obviamente, acreditar em algo porque você deseja que seja verdade ou rejeitar algo porque você não quer que seja verdade — ambas as práticas são antiverdade.

Outras ainda são dissuadidas pela dificuldade social da tarefa. Pensamento independente pode e frequentemente coloca um indivíduo em desacordo com as crenças predominantes, e outros podem tornar a vida desse indivíduo miserável do ponto de vista social ao infringir punições por divergir da multidão. Muitas pessoas acabam consentindo com qualquer coisa que a maioria das pessoas acredita em seu círculo social. Mas nós somos seres humanos, não ovelhas, e a mentalidade de rebanho é também anti-verdade.

Provavelmente todos nós já tivemos a experiência de tentar discutir religião de forma racional com alguém e aprendido que isso frequentemente não acaba bem. O problema é que — para usar a metáfora da dança — são necessários dois para dançar o tango, e raras são as ocasiões quando ambos os dançarinos são bons. O raciocínio é um conjunto complexo de habilidades, e raciocinar em conjunto é ainda mais complicado. Frustração ao longo do caminho também deve ser esperada. Mas assim como o tango, quando a técnica é aprendida, os resultados podem ser belos.

Em minha opinião, estamos melhorando a nossa forma de pensar sobre religião, individual e socialmente. Comparada com gerações e séculos passados, mais pessoas agora sabem como pensar. Mais pessoas estão cientes das alternativas. A informação é mais facilmente acessível, e mais fóruns de debate e discussão são hoje utilizados por mais pessoas. Nós estamos crescendo na curva de aprendizagem — com frequência de forma bagunçada, mas para cima de qualquer forma.

Uma nova geração de adolescentes pensantes está surgindo. O que deveríamos dizer a eles, aqueles de nós que já pensaram tanto sobre religião?

Nós apresentamos os argumentos de forma clara, apaixonada e civil. Nós fazemos nosso melhor para avaliar os méritos e deméritos de forma justa. Nós encorajamos os jovens — e qualquer pessoa que ainda está refletindo sobre essas questões — a fazer o mesmo. E, em uma análise final, nós respeitamos sua necessidade de chegar às suas próprias conclusões.

Então, quais são os melhores argumentos em prol e contra a religião?

* * *

Stephen Hicks é o autor do livro Explicando o Pós Modernismo e Nietzsche and the Nazis. Ele escreve regularmente no site StephenHicks.org. Sinta-se à vontade para enviar suas questões filosóficas ou dilemas morais para professorhicks@everyjoe.com.

Artigo Original: “Is Religion Worth Arguing About?” Visite Publicações em Português para ler os últimos artigos de Stephen Hicks e de religião em Português Religion Series – Part 1 PDF.


Vale a pena discutir religião?

Por John C. Wright
Tradução de Matheus Pacini
Revisão de Mateus Bernardinocross

Essa é a primeira de oito partes de um debate entre Stephen Hicks e eu, John Wright, cobrindo os principais pontos de desacordo entre o catolicismo e o ateísmo, ou, como eu caracterizaria a questão, a discordância entre a verdade e o vazio. Nós esperamos tratar brevemente questões que têm desafiado filósofos desde os tempos mais remotos, relativas à realidade, ética, política e história do monoteísmo em geral e do Cristianismo ortodoxo em particular.

Embora eu duvide que um formato tão truncado permita que ambos mostrem toda sua força retórica e poderes de persuasão, muito menos responder as questões de forma definitiva, quanto a mim, espero meramente demonstrar que um colóquio racional e respeitoso é possível na atmosfera venenosa e irracional dessa triste era na qual vivemos.

Portanto, com todo respeito devido, eu acredito que a pergunta de início é tola. (Mas as questões mais tolas escondem uma questão mais inteligente em seu âmago, como veremos abaixo).

Perguntar se vale a pena discutir religião é a mesma coisa que perguntar se vale a pena discutir sobre verdade, virtude, beleza e todas as outras coisas reais de importância sublime para a vida humana. Realmente, a questão deveria ser se “vale a pena discutir outra coisa além da religião?” ou, melhor ainda, “é ou não verdade que, em última instância, todas as discussões giram em torno da religião?”.

Mas eu não sou um político, de forma que responderei a questão que foi perguntada, como perguntada.

Vale a pena discutir religião porque não temos outra escolha senão considerar tais discussões válidas. Qualquer pessoa indisposta a acolher tal discussão não está pensando sobre ela, não está disposta a refletir sobre ela. Isso é o mesmo que negar a existência humana, posto que o homem é o animal que raciocina.

E esse é o assunto — e me atrevo a dizer o único assunto — onde é impossível não se ter uma crença. Em todas as outras questões, existe talvez uma área cinza ou limite de incerteza, um lugar em cima do muro, no qual uma pessoa pode olhar os exércitos inimigos de forma objetiva, totalmente neutra. Não aqui.

Ou uma pessoa é totalmente apaixonada por Deus ou não é. Se uma pessoa é morna sobre o assunto, o próprio Deus a vomitará de Sua boca (Revelação 3:16). Muito melhor encontrar um ateu convicto (como eu uma vez fui) disposto a lutar sob a bandeira negra do ceticismo, mundanismo e lógica sem remorsos, pronto para atacar e ser atacado incansavelmente, para desenrolar cada trama do diálogo até sua última matiz; que encontrar um agnóstico insípido e vazio, nem cínico o bastante para ser um cético, nem zeloso o bastante para ser cristão.

Se as duas partes representam respectivamente o amor a Deus e a falta desse amor, não existe uma terceira força porque não existe uma terceira opção. Um lado marcha sob a bandeira do lábaro; o outro, sob a bandeira negra sem caricatura ou figura que represente tal anarquia mental chamada ceticismo, descrença ou livre-pensamento.

Aquela triste alma que se encontra em cima do muro vê ambos os exércitos, porém não veste nenhum dos uniformes, queira ou não, está na verdade sob a bandeira negra. O exército cristão não reconhecerá nenhuma parte neutra: ou você é nosso aliado, ou você é nosso inimigo. Ou você viverá eternamente na bênção infinita e extasiante do paraíso ou não. E o paraíso não está disponível para aquele que se apresenta nos Portões de Pérola explicando a São Pedro que foi tolerante, de mente aberta sobre a questão de ser loucamente apaixonado, mas que não tomou nenhuma decisão firme.

Novamente, alguém que diz que a questão de Deus é desnecessária para sua vida, para a verdade, para a beleza, para a virtude, ou para qualquer outra questão profunda sobre a vida ou sobre as grandes questões quotidianas está na mesma posição que um colecionador de moedas que busca um raro e antigo dracma em Londres durante um ataque aéreo repentino, ignorando as bombas caindo ao seu lado direito e esquerdo.

Se Deus não existe, é de suma importância descobrir a verdade desse fato, pois ele altera o resultado de todas as outras questões significativas da vida humana, incluindo o significado, o propósito, o valor, e o destino derradeiro do homem e do cosmos. A questão toca todas as outras questões filosóficas e as inflama; e a filosofia estabelece os limites e o contexto dentro do qual um homem vive sua vida.Jesus-Christ-Images-2

Um homem pode escolher pensar, isto é, ser humano, ou pode escolher esquivar-se do dever de pensar, isto é, tentar tirar de seus ombros o fardo glorioso de ser humano; isso significa que ou ele tem uma filosofia pela qual ele vive sua vida e a conhece, ou ele tem uma filosofia e não a conhece, vivendo por preceitos e máximas cuja origem ele não pode imaginar — e cuja justificação, se existe, ele não pode articular — deixando-se levar pela massa de imbecis preguiçosos e indiferentes de seu tempo, repetindo mecanicamente as opiniões populares de seus iguais cujo julgamento ele nunca questiona.

Mas vamos aprofundar essa questão, examinando a seu essência: a questão proposta é, na verdade, composta por duas questões: primeiro, se vale a pena discutir o tópico e, segundo, qual tipo de debate, isto é, se um debate racional do tipo proposto por este site é uma ferramenta propícia para esse tipo particular de quebra-cabeça?

Existem algumas pessoas que, talvez, considerem as questões de fé como místicas ou naturalmente irracionais, localizando-se acima ou abaixo do nível da razão. Eu não sou uma delas.

Eu sou um católico romano, e nenhuma de minhas respostas aqui ou em qualquer outro lugar serve para homens de outras denominações ou convicções religiosas. Nós defendemos, em primeiro lugar, que todo o homem deve estar pronto para dar uma resposta armado da esperança que existe dentro de si, isto é, todo o cristão deve estar pronto para responder qualquer questão honesta de céticos honestos sobre as coisas surpreendentes e chocantes nas quais acreditamos. E qualquer cristão que não pensa que a doutrina cristã é chocante ainda não sentiu a tensão viva que é o amor do paraíso. Deste modo, demanda-se que o cristão fiel argumente e debata a questão quando honestamente chamado a fazê-lo. (Quando o chamado é desonesto, é claro, ele é proibido de atirar pérolas aos porcos, já que os porcos não podem ver seu valor e meramente o ignorarão, tentando prejudicá-lo).

Em segundo lugar, nós defendemos, como um dogma de fé (está escrito em nosso catecismo, veja pág. 35) que qualquer homem que procura Deus descobre certas formas de vir a conhecê-Lo. Tanto o cosmos, como a natureza humana testemunham a existência de Deus. Por isso, como uma questão de fé, nós defendemos que a razão permite ao homem reconhecer que o monoteísmo por si só é uma teoria racional.

Seguem as palavras do Catecismo:

As faculdades do homem tornam-no capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar na sua intimidade, Deus quis revelar-Se ao homem e dar-lhe a graça de poder receber com fé esta revelação. Todavia, as provas da existência de Deus podem dispor para a fé e ajudar a perceber que a fé não se opõe à razão humana[1].

Por esta razão, a resposta para nossa questão inicial é deveras delicada. Vale a pena discutir a questão dependendo de qual for o motivo específico da discussão. A razão pode levar um indivíduo, passo a passo, até o monoteísmo, como o fez no caso de filósofos pagãos como Platão, Aristóteles e Epíteto: mas ela não consegue levá-lo até Cristo.[2]

Se a discussão diz respeito a ser loucamente apaixonado por Deus, obviamente, ninguém pode discutir o fato de se apaixonar. O amor é uma loucura, uma divina loucura.

Mas muitos homens são relutantes, cautelosos ou revoltados com a ideia de estar apaixonados por Deus: consideram a questão desprezível, e falar de amor tão absurdo quanto falar do Papai Noel ou do Coelho da Páscoa, ou algum outro personagem fictício; ou são repelidos pelas histórias que ouviram sobre Deus; ou estão irritados ou se sentem muito ofendidos pelas demandas feitas a sua dignidade e liberdade humanas.

Um indivíduo não pode usar a razão para convencer um homem a se apaixonar. Mas um indivíduo pode usar a razão para corrigir erros que evitam que a paixão se arraigue. A razão pode permitir que um indivíduo veja que é racional apaixonar-se.

Frente ao exposto, para o teísta, a razão é somente um escudo, não uma espada. Nenhuma palavra que eu disser pode garantir a fé. Esse é uma dádiva do espírito.

Todavia, as falácias irracionais, tolices e medos, absurdidades e objeções factuais as quais extirpam ou previnem que a fé podem ser dissipadas através de uma análise racional.

* * *

[1] (Versão original do Catecismo (II:35))

[2] A título de esclarecimento, o autor afirma que a razão sozinha não pode levar até Cristo, e que seria necessária a fé.

Artigo Original: “Is It Worth Arguing About Religion?” Visite Publicações em Português para ler os últimos artigos de Stephen Hicks e de religião em Português. Português Religion Series – Part 1 PDF.

Comparando el desempeño económico de América del Norte y América Latina [Spanish translation]

Por Stephen Hicks

[This is a Spanish translation of “Comparing North and Latin American Economic Performance”, originally published in English at EveryJoe and in Portuguese at Libertarianismo.]

Todos queremos que la gente logre vivir en forma adecuada, especialmente las personas pobres que están luchando por ello. Y si somos ambiciosos, queremos además que la gente pueda vivir una buena vida, que incluya cosas caras como comida de calidad, educación, salud y viajes.

BRAZIL 27 - FAVELLA¿Cuál es la razón de las grandes diferencias en el desempeño económico entre las dos Américas?

Tomemos algunas cifras del PIB del Banco Mundial, una forma de medir el éxito económico. Los datos del PIB son sorprendentes.

Comencemos con un país pobre como Bolivia: el PIB per cápita es de $3.000 (USD). En Paraguay, la gente es más próspera, con $4.500. Y los ecuatorianos y peruanos son el doble de ricos que los bolivianos, con más de $6.000 por año.

Subiendo por la escalera económica: los colombianos, mexicanos, brasileños y argentinos suelen hacer alrededor de $8.000, $10.000, $11.000 y $12.000 por año, respectivamente. Ya la diferencia entre Bolivia y Argentina es de cuatro veces. Impresionante.

A continuación, la nación latinoamericana más exitosa: los chilenos producen más de $14.000 por habitante. También impresionante.

Pero ahora comparemos esto con Canadá, donde el PIB por año es de $50.000. Y tenemos números aún más altos en Estados Unidos: más de $54.000 por año.

Esto indica que si comparamos las naciones de América del Norte con las naciones de América Latina — incluso las naciones latinoamericanas más exitosas –, en promedio los americanos del norte son cerca de cuatro veces más ricos que el más rico de los latinoamericanos.

¿Por qué?

Si uno es un político o intelectual latinoamericano, no hay pregunta más importante de responder bien que ésta. Sobre todo si uno está verdaderamente comprometido — y no solamente profesa estarlo — con el bienestar de su gente.

Así que probemos algunas hipótesis para explicar las increíbles disparidades presentadas:

  • ¿Podría ser una diferencia en los recursos naturales? Tanto América del Norte como América del Sur están enormemente bien dotadas de recursos naturales.
  • ¿Será acaso la historia de su inmigración? Ambas Américas han absorbido una gran cantidad de inmigrantes, personas con diversos talentos y con la energía y ambición para viajar lejos y construir nuevos países.
  • ¿O podría ser la explotación por parte de las naciones ricas hacia los países pobres, como suelen quejarse los comentaristas de la izquierda? Si éste fuera el caso, tendríamos que imaginar que los canadienses se hicieron ricos saqueando a los bolivianos y paraguayos. Si eso suena demasiado absurdo, entonces tal vez deberíamos considerar la hipótesis inversa, como argumenta el profesor Garrett Jones, acerca de que los países ricos no han explotado lo suficiente a los países pobres.
  • ¿Y qué ocurre con el legado del colonialismo? Para bien o para mal –y a veces para bien-, la cultura española y la cultura portuguesa fueron las influencias colonizadoras dominantes en América Latina. Sin embargo, esas culturas colonizadoras no eran especialmente buenas en cuestiones de gobernancia y creación de riqueza. Y para bien o para mal — hay muchas debilidades en la cultura anglo –, América del Norte tuvo la suerte de haber sido colonizada principalmente por los británicos.

En su clásico Imperios del Mundo Atlántico: Gran Bretaña y España en América, 1492-1830 (Yale University Press, 2006), el profesor J.H. Elliott hace el contraste de esta manera: el imperio de España en América fue un “imperio de conquista”, mientras que el de Gran Bretaña fue un “imperio del comercio” (pág. xv).american-neighborhood

Así que la pregunta que sigue es: ¿Qué ideas e instituciones dieron los británicos a los norteamericanos que les permitieron construir economías exitosas?

Sin embargo, no es sólo un problema que se remite al colonialismo de cientos de años atrás. Hace apenas un siglo — para tomar dos ejemplos destacados –, Buenos Aires y Chicago eran más o menos iguales en tamaño y prosperidad. Ambas ciudades fueron igualmente pobladas por inmigrantes de todas partes, y ambas eran importantes centros agrícolas y de transporte. Sin embargo, como analiza el documento de la Oficina Nacional de Investigación Económica, escrito por Filipe Campante y Edward L. Glaeser, las dos ciudades han seguido radicalmente diferentes trayectorias: Chicago hacia una mayor y mayor prosperidad y Buenos Aires hacia un lento declive.

Datos recientes también indican que los políticos e intelectuales pueden trascender las historias de sus culturas y probar nuevos caminos. En The Wall Street Journal, David Luhnow argumenta que tomar a América Latina como un bloque indiferenciado es demasiado crudo. Hay dos Américas Latinas, una orientada hacia el Atlántico y hacia el estatismo, y la otra orientada hacia el Pacífico y mercados más libres. Las recientes tasas de crecimiento de Brasil, Argentina y Venezuela son, tristemente, la mitad de las de Chile, México, Colombia y Perú.

¿Qué ha llevado a esas diferencias?

Me dirijo a los intelectuales y a los políticos latinoamericanos con estas preguntas, porque, en mi experiencia, algunos de ellos son de mente abierta y exploran activamente los datos y la historia. Pero son una minoría. La mayoría parece continuar encerrada en ideologías contraproducentes.

Y esa batalla ideológica es la más importante. El hecho de ser o no ser capaz de reconocer y aprovechar los elementos naturales como recursos; de ver la emigración y la inmigración como algo bueno o malo; o qué tipo de gobierno y sistema económico uno favorece. Todo ello depende de los supuestos filosóficos generales que uno ha adoptado.

Así que otro factor importante en la explicación de las diferencias económicas entre América del Norte y América Latina es que el mundo intelectual — en particular el mundo filosófico — se ha dividido. En los tiempos modernos está dividido entre la filosofía Continental y la filosofía Anglo.

La tradición filosófica Continental se basa principalmente en las tradiciones intelectuales alemana y francesa. Sus principales intelectuales son Kant, Hegel, Marx y Nietzsche, y en las generaciones más recientes, Heidegger, Foucault y Derrida, entre otros. Esta tradición tiene un gran impacto en la vida intelectual de América Latina, pero un menor impacto en la vida intelectual de América del Norte.

En América del Norte, una tradición intelectual diferente es mucho más fuerte. Se trata de una tradición intelectual británica, basada en Francis Bacon, Isaac Newton, John Locke, Adam Smith, David Hume, John Stuart Mill, y otros. Pero en América Latina, los Anglos son mucho menos conocidos.Lima-skyline

Mientras esta última es una filosofía que se centra en individuos racionales que producen y comercian entre sí para mutuo beneficio, la filosofía continental apela a los conflictos de poder entre grupos semi-irracionales que se explotan entre sí. Este choque de tradiciones filosóficas logra explicar el predominio de terribles guerras en el siglo XX, y logra explicar las diferencias en el desempeño económico.

Así que para aquellos intelectuales y políticos, especialmente de América Latina, cuya educación los ha expuesto únicamente a los Continentales del siglo XIX y a los posmodernos del siglo XX, la pregunta es: ¿Están prestando igual atención a la tradición intelectual extremadamente potente que ha tenido gran éxito en América del Norte?

Si una ideología sólo te enseña a ver grupos explotándose donde quiera que mires, entonces verás a la riqueza como un signo de crueldad y a la pobreza como un signo de victimismo. Entonces tendrás dos opciones: convertirte en un explotador despiadado o atacar a los ricos en nombre de los pobres. Ninguna de estas estrategias conduce a la prosperidad económica.

Pero si estamos realmente preocupados por la pobreza y, como toda persona decente, queremos que todo el mundo sea capaz de lograr una buena vida, entonces tenemos que abrir nuestra mente a otras tradiciones intelectuales que pueden tener mejores respuestas que las que, por desgracia, se han impartido principalmente en América Latina.


[Translated by María Marty, 2016.]

Predicting political tipping points is hard

rally-security

How does one evaluate the significance of a time when (a) millions of voters seem drunkenly elated about a candidate, and (b) all of that society’s wise pundits dismissed the candidate’s possible success?

History helps by sending oracles about eras when those two phenomena were jointly in play.

* On the early 1930s in Germany, intellectual historian Sarah Bakewell comments, “Sometimes the best educated people were those least inclined to take the Nazis seriously, dismissing them as too absurd to last.”

* And philosopher Karl Jaspers compared Germany’s early 1930s to the eve of World War I: “It’s just like 1914, again this deceitful mass intoxication.”

Early 21st-century America is different culturally and institutionally from early 20th-century Germany in many ways, and even in their areas of similarity there are differences of degree. But it is striking that two similar factors are operative: The masses are energized, and the thoughtful are taken by surprise.

nn-hardcover-150x231My view is that philosophy does its work far behind the scenes of political activism, establishing the principled framework within which a thousand points of practical detail are hashed out.

* On the role of two generations of German philosophy in the lead-up to National Socialism: Nietzsche and the Nazis.

* ep-125pxOn the role of two generations of postmodern philosophy in the lead up to contemporary America: Explaining Postmodernism: Skepticism and Socialism from Rousseau to Foucault.

If you’ve tried to read Heidegger …

… and experienced, shall we say, the anxiety of incomprehension — then here is some possible consolation.

Simone_BeauvoirIn their 20s, Jean-Paul Sartre and Simone de Beauvoir were among the very top philosophy students of their generation in France. Yet when they tried to read Heidegger in 1931, Beauvoir reported, “since we could not understand a word of it we failed to see its interest.”

Heidegger himself explicitly practiced semi-intelligibility: “Those in the crossing must in the end know what is mistaken by all urging for intelligibility: that every thinking of being, all philosophy, can never be confirmed by ‘facts,’ i.e., by beings. Making itself intelligible is suicide for philosophy.”young-heidegger (Contributions to Philosophy (From Enowning), notes of 1936–1938).

Yet at times Heidegger could be very clear, as in these 1929-1930 lectures calling for a leader “capable of instilling terror,” or in endorsing the Führer principle early in Hitler’s regime, or in this 1934 speech calling for, longingly, what will be another great war.

But those are political pronouncements, and in his basic philosophy a guided tour is perhaps helpful. My summary of the early Heidegger’s distinctiveness and his contribution to postmodernism is here, excerpted from my Explaining Postmodernism.

My article published in The Wall Street Journal

wsj logoMy article “What Entrepreneurs Can Teach Us All About Life” has been published by The Wall Street Journal. Here is a snippet:

“We often think of entrepreneurs as larger-than-life characters. They take big risks. They make their own rules. They innovate and experiment, questioning things everybody else takes for granted.

“It can almost seem like entrepreneurs are a breed apart. But they’re not. All of us are born with the ability to take risks, think creatively and challenge the everyday way of doing things. And as hokey as this can sound, we would all do well to tap into those traits in both our lives and our careers, whether we work for ourselves or not …”

Read the article at the WSJ site here.