Educando para o empreendedorismo

Educando para o empreendedorismo

Stephen R. C. Hicks
Departamento de Filosofia e Centro para a Ética e Empreendedorismo
Rockford University, Rockford, Illinois, USA

Tradução de Matheus Pacini.

Introdução – visita de japoneses às escolas americanas

Recentemente, um grupo de pesquisadores japoneses visitou os Estados Unidos para analisar seu sistema de ensino. O Japão é uma nação bem sucedida – próspera e dinâmica em diversas áreas. Contudo, os pesquisadores tinham uma pergunta: por que o Japão possui tão poucos inovadores?

Eles analisaram os Estados Unidos com seus diversos centros de inovação: a tecnologia do Vale do Silício, os filmes de Hollywood, o setor financeiro de Nova Iorque, os teatros da Broadway, entre outros. No mundo dos negócios, observaram muitos empreendedores, tais como Steve Jobs, Bill Gates, Andy Grove e Mark Zuckerberg.

Depois disso, uma nova pergunta: o que as escolas americanas estão fazendo para gerar tantos empreendedores criativos e inovadores? Qual é o seu “ingrediente secreto”?

A pergunta é relevante, já que vivemos numa era que, pela primeira vez na história, está levando o empreendedorismo a sério.

O mercado de trabalho empresarial é diferente no início do século XXI. O professor de administração Steven Rogers indica que: “nos anos 1960, 1 em cada 4 pessoas nos Estados Unidos trabalhava para uma empresa listada na Fortune 500. Hoje, somente 1 em cada 14 trabalha para esse tipo de empresa. O emprego nas empresas da Fortune 500 atingiu o pico de 16,5 milhões de pessoas em 1979 e tem diminuído acentuadamente desde então, para, aproximadamente, 10,5 milhões de pessoas atualmente” (Rogers 2002, p. 42). O mercado de trabalho passou por um processo de descentralização: de algumas grandes corporações para muitas pequenas empresas inovadoras.

Na literatura econômica, há uma transformação que os economistas Arnold Kling e Nick Schulz (2011) chamam de “Economia 2.0”. Por muitas gerações, no ensino das ciências econômicas, o empreendedor imprevisível e idiossincrático foi ignorado ou menosprezado em prol de modelos abstratos e impessoais. Por outro lado, alguns pensadores, como Joseph Schumpeter (1950) e Israel Kirzner (1973) argumentaram sobre a importância do empreendedorismo, apesar de serem vozes isoladas na economia durante quase todo o século XX. Apenas nos últimos 20 anos é que o mainstream econômico está buscando reformular-se com base no empreendedorismo.

Na literatura sobre psicologia e ética, vemos um movimento focado na compreensão da importância do empreendedorismo como instrumento para uma vida próspera. Não somente na vida profissional, mas também na vida geral do indivíduo, mais psicólogos estão destacando a autonomia, a integridade de caráter e a exploração criativa como ingredientes positivos fundamentais para uma vida saudável (Seligman, 2012). Além disso, os filósofos morais estão progressivamente estabelecendo conexões entre os traços de caráter empresariais e as virtudes morais, de forma a tornar a carreira de um indivíduo parte integral de uma vida próspera (Hicks, 2009).

Então, nesse século marcado pelo empreendedorismo, a questão para nós, como educadores, é: como ajudar os estudantes a se prepararem para uma economia e uma vida empresariais?
Voltando à pergunta dos pesquisadores japoneses: ela é importante; todavia, fora de foco. O “ingrediente secreto” do empreendedorismo não está nas escolas. A maior parte das escolas formais é pública, e a maioria das escolas públicas não é boa no ensino do empreendedorismo. Algumas escolas em vizinhanças prósperas são sólidas, mas a maioria é fraca, algumas são ruins e muitas são terríveis.

Considere o fenômeno comum de crianças que começam a estudar quando completam cinco anos de idade: estão cheias de energia, curiosidade e expectativa. Contudo, depois de alguns anos, passam a não gostar ou até mesmo odiar a escola. Elas ficam entediadas. Elas não gostam de Ciências e nem mesmo de Artes. Se você perguntar a elas, como os pais fazem, “qual é a sua matéria favorita?”, elas dirão que é o almoço e o recreio, quando podem sair da sala e brincar ao ar livre. E, por muitas décadas, temos visto um declínio nas notas dos testes de competências básicas e um aumento no número de formandos com dificuldades na interpretação de textos, matemática, conhecimento científico e histórico, e assim por diante.

Ainda assim, os Estados Unidos produzem um grande número de indivíduos criativos. Como isso é possível?

Em minha opinião, o que a cultura americana faz bem o faz fora da escola. Na parte da tarde, os estudantes ocupam seu tempo com atividades extracurriculares tais como teatro e clubes de xadrez, esportes e grupos de debate (Petrelli, 2012). A cultura americana também é caracterizada por um grande envolvimento dos pais nas aulas de música, passeios a museus e galerias, ligas desportivas, acampamentos de verão e viagens. E, é claro, a cultura americana é próspera, o que significa que dispõe de riqueza suficiente para apoiar todas essas oportunidades informais de aprendizado.

O ensino da música nos Estados Unidos é um bom exemplo. Todo mundo ama música, e a cultura americana é muita criativa nesse sentido – bandas de rock, clubes de jazz, musicais da Broadway, orquestras sinfônicas e assim por diante. Contudo, essa atividade musical não se originou do ensino da música nas escolas. No geral, as crianças amam música; por outro lado, toleram e/ou não gostam das aulas de música das escolas. Quando é eletiva, a maioria dos estudantes escolhe não cursá-la. Em vez disso, aqueles que se tornam músicos ou que são amantes da música são inspirados pela cultura popular, aprendendo de seus amigos e familiares ou através de aulas particulares, pagas pelos seus pais.

Tudo isso aponta para o grande desafio inerente à reforma da educação formal. Atualmente, a educação formal é caracterizada por dois problemas: (1) desperdiça muito do tempo do estudante – com base nos relatos de desinteresse e tédio na escola; e (2) desperdiça recursos consideráveis para a formação de jovens adultos preparados para carreiras empreendedoras. Steve Jobs – que quando criança não gostava da escola e que abandonou a Universidade – talvez expressa melhor essa aspiração empresarial: “seu trabalho ocupa grande parte da sua vida, e a única forma de ser bem sucedido é fazer o que você acredita que é um bom trabalho. E a única forma de fazer um bom trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou esse trabalho, continue procurando. Não desista. Como todas as outras questões afetivas, você sabe quando encontrará. E, como qualquer grande relacionamento, só tende a melhorar com o passar dos anos. Então, continue procurando. Não desista” (Jobs 2005).

Então, como podemos reorientar as escolas, de forma que auxiliem os estudantes a enfrentar esse grande desafio de vida? Um elemento deve ser a educação para o empreendedorismo.

O processo empresarial

Comecemos por articular de forma clara a natureza do empreendedorismo. Considere o processo empresarial.

O processo empresarial começa com uma ideia estruturada e criativa de um novo produto ou serviço. O empreendedor é ambicioso e corajoso, ele toma a iniciativa na transformação de uma ideia em um novo empreendimento. Por meio da perseverança e da tentativa e erro, o empreendedor produz algo de valor. Ele tem um papel de liderança ao mostrar aos consumidores o valor do novo produto, e aos novos funcionários, como produzi-lo. O empreendedor comercializa com aqueles consumidores e funcionários buscando uma relação de ganho mútuo. Ele assim alcança o sucesso e então aproveita os frutos de sua conquista.

Vamos explicar cada um dos elementos em itálico dessa descrição:

Os empreendedores geram ideias de negócios e decidem quais delas valem a pena. No processo de descoberta de ideias estruturadas e criativas, os empreendedores falam de visão, “pensar fora da caixa”, imaginação, mente ativa, e “momentos de súbita inspiração”. Tendo gerado ideias, eles falam sobre exercitar o julgamento crítico: quais ideias são realmente boas? O produto ou serviço pode ser desenvolvido tecnicamente? Venderá bem? O que mostra a pesquisa de mercado? Os empreendedores exibem um comprometimento ao desenvolvimento cognitivo – entretenimento intelectual, pesquisa, experimentação e análise. Como um investidor de risco salienta: “o dinheiro não faz com que as ideias surjam. As ideias é que fazem o dinheiro surgir”.

Ambição é o impulso para alcançar seus objetivos, para ser bem sucedido, para melhorar a si mesmo, para prosperar, para ser o melhor de todos. Empreendedores fazem mais do que sonhar e alimentar desejos infundados – “não seria bom se eu fosse rico e independente?” – que muitas pessoas experimentam. Pessoas ambiciosas sentem profundamente a necessidade de alcançar seus objetivos.

O empreendedorismo requer iniciativa. Uma coisa é ter um bom plano de negócios; outra é transformar tal plano em realidade. Empreendedores são pioneiros que se comprometem a tornar suas boas ideias em realidade.

Um novo empreendimento envolve desbravar o desconhecido, superar obstáculos – incluindo a possibilidade de reprovação e zombaria– e encarar a possibilidade do fracasso. Consequentemente, a atividade empresarial requer coragem – assumir riscos calculados, estar atento a possíveis reveses, não deixando, todavia, que o medo do fracasso ou reprovação domine o seu processo decisório.

O sucesso empresarial nunca é fácil e instantâneo; o sucesso é o resultado do enfrentamento das dificuldades com vistas ao longo prazo. Em outras palavras, a perseverança é essencial. Os empreendedores devem perseverar através dos obstáculos técnicos inerentes ao processo de desenvolvimento do produto, diante dos pessimistas que declaram que não pode ser feito ou que são, por outro lado, obstrucionistas, em face de suas próprias dúvidas. Os empreendedores devem manter a disciplina no curto prazo, e a motivação de longo prazo, vivas no seu pensamento.

O processo de desenvolvimento é quase sempre um processo de tentativa e erro, o qual requer que o empreendedor faça ajustes com base na experiência. Empreendedores de sucesso ajustam-se ao feedback do mundo real, o que significa ser capaz de admitir erros e incorporar fatos novos, ao invés de ignorar teimosamente qualquer coisa que é uma ameaça às suas ideias.

Produtividade: espera-se sempre que o processo de desenvolvimento culmine em um produto que funciona. Nesse caso, o empreendedor adicionou valor ao mundo por meio da criação de um novo produto ou serviço, que funciona de forma consistente, que é produzido em quantidade e que é aperfeiçoado continuamente.

Aqueles que transacionam com o empreendedor, sejam consumidores, empregados ou investidores de risco, engajam-se em uma transação de ganho mútuo, trocando valor por valor. Do ponto de vista social, o comércio é um processo de negociação pacífica com os outros membros da sociedade de acordo com o mérito produtivo. Ele requer a proteção dos interesses das duas partes, o exercício da capacidade de negociação, a diplomacia e, quando necessário, a determinação que se alcance um resultado mutualmente benéfico.

Os empreendedores também adicionam valor por trazer liderança à troca. Os empreendedores estão criando algo novo, então, são os primeiros a trilhar esse novo caminho. Os pioneiros servem como um exemplo a ser seguido, e especialmente no caso de um novo produto ou serviço, devem mostrar aos novos consumidores o valor de um novo produto ou serviço e devem ensinar aos novos empregados como produzi-los. Consequentemente, os empreendedores devem mostrar liderança ao expor aos outros sua criação, encorajando-os por meio do processo de aprendizado e acompanhando-os no processo de divulgação. Parte da troca, nesse caso, é a apresentação de uma nova oportunidade ao consumidor e ao empregado, permitindo que se beneficiem dela. Por assim proceder, o empreendedor será recompensado.

Finalmente, o empreendedor experimenta o sucesso e o prazer do sucesso. O sucesso empresarial resulta em recompensas materiais e psicológicas – materiais, na forma de bens físicos que podem ser adquiridos e do sentimento de independência e segurança financeira que os acompanha. Psicológicos, no sentimento do autorrespeito e de dever cumprido oriundo da criação de um produto ou serviço.

Resumindo todos os pontos citados em uma tabela, obtemos o seguinte:

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Implicações para a Educação

Agora, vamos tratar da educação. Se o empreendedorismo envolve o exercício bem sucedido de certos traços, qual é a sua origem? A educação formal pode instigar, desenvolver, ou, pelo menos, realçar esses traços nos estudantes mais jovens? Se considerarmos o empreendedorismo como um elemento fundacional para a educação, então, podemos ensinar exploração criativa, coragem, iniciativa e assim por diante?

Se analisarmos a educação tradicional atual, o que vemos? Não vemos muita singularidade, atividade ou experimentalismo. Em vez disso, vemos estudantes sentados em uma fila alinhada de carteiras. Os estudantes fazem o que o professor e a apostila dizem. Todo o estudante faz a mesma coisa, ao mesmo tempo, da mesma forma, com os mesmos testes padronizados. Isto é, nós vemos uniformidade, obediência, passividade e aprendizagem de máquina. Mesmo que esse estereótipo exiba alguma flexibilidade na prática, ele tem sido o modelo padrão para professores com turmas compostas por mais de 30 alunos, que seguem currículos padrões estabelecidos pelo governo. Assim, embora exista conhecimento útil no currículo, as lições essenciais aprendidas pelos estudantes são: faça o que as autoridades disserem, faça o que todo mundo está fazendo e as respostas certas já estão pré-definidas e já são conhecidas. (E nós às vezes nos perguntamos porque temos tantos estudantes desmotivados, dependentes e tímidos – ou estudantes que, por puro tédio e necessidade caótica de autoafirmação, se rebelam de formas destrutivas).

Se um objetivo explícito da educação é cultivar a mentalidade exploratória do empreendedorismo, então, como um primeiro passo, devemos considerar permitir aos estudantes sair de suas filas e interagir com materiais preparados por eles mesmos. Faço três sugestões nesse sentido.

1. Desenvolver exercícios formais, respeitando a idade dos alunos, sobre o desenvolvimento de traços empreendedores

Como educadores, preenchemos a tabela abaixo com exercícios apropriados para crianças de diferentes idades.

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Para citar mais um exemplo, vamos focar na coragem.

Coragem é a virtude de agir de acordo com a sua própria opinião, apesar do medo. O medo surge de várias formas – medo da dor, da desaprovação, do fracasso, de perder o grande amor ou dinheiro e assim por diante. A vida envolve muitos riscos – e o risco potencializa o fracasso – portanto, é importante possuir os recursos de caráter para ser capaz de lidar com o risco de forma a ser bem sucedido na vida. Uma conexão direta ao empreendedorismo é o que muitas pessoas não tentam por medo de fracassar.

Dessa forma, um elemento inserido na educação empreendedora é o desenvolvimento de exercícios formais que simulem o risco e ajudem a criança a aprender como administrá-lo.

Por exemplo, crianças pequenas aprendem habilidades que envolvem riscos físicos: descer uma ladeira, pular na piscina, andar de bicicleta. Essas e outras atividades podem ser formalmente identificadas e introduzidas nas escolas como exercícios. Elas também podem ser ampliadas de acordo com o aumento da idade e amadurecimento das habilidades e do caráter. Eventualmente, elas serão capazes de manusear produtos químicos, escalar paredões, praticar bungee-jumping e dirigir.

Outros riscos são mais psicológicos. Para crianças pequenas, podemos citar: cumprimentar e conversar com adultos que os pais convidaram para jantar, levantar a mão para fazer uma pergunta ao professor ou expressar uma opinião diferente daquela dos colegas. Novamente, exercícios para encorajá-los podem ser introduzidos nas escolas e ampliados com o amadurecimento dos filhos, de forma que, eventualmente, serão capazes de administrar as seguintes atividades: discursar para uma grande audiência, pedir para sair com alguém, e argumentar de forma civilizada com seus professores sobre diferenças políticas e religiosas.

Cursos de teatro e oratória são ambientes naturais para alguns exercícios focados no desenvolvimento da coragem psicológica, assim como cursos de educação física são ambientes naturais para o desenvolvimento da coragem física. Logo, aprofundar de forma consciente e sistemática as atividades já apresentadas naqueles cursos, inserindo-as no currículo, é um bom ponto de partida.
E o que vale para o desenvolvimento da coragem também vale para o desenvolvimento da iniciativa, experimentalismo, perseverança e o resto dos traços de sucesso.

2. Conheça e aplique o método Montessori

Minha segunda sugestão é – se um professor ainda não estiver ciente disso – explorar o método Montessori de ensino. Maria Montessori abriu sua primeira escola em 1907 na cidade de Roma. Por quase um século, seu método se espalhou, em grande parte de forma natural, pelo mundo.
A literatura acadêmica está analisando os resultados do método Montessori de forma sistemática e se já se pronuncia de forma positiva sobre ele (por exemplo, Rathunde e Csikszentmihalyi, 2005 e Lillard 2007), mas, por agora, permitam-me citar somente dois indicadores.
Curiosamente, os defensores do método Montessori destacam que quatro dos maiores empreendedores de nossa geração – Larry Page e Sergey Brin da Google, Jeff Bezos da Amazon e Jimmy Wales da Wikipedia – foram educados por esse método (Brin e Page, 2004).

Formalmente, Hal Gregersen apresenta uma estatística surpreendente sobre o grande número de empreendedores inovadores que foram educados no método Montessori. Depois de entrevistar um grande número deles, identificar suas características comuns e investigar como se tornaram inovadores, Gregersen informa: “É fascinante quando entrevistamos esses empreendedores famosos e percebemos que cresceram em famílias nas quais adultos prestavam atenção a essas habilidades inovadoras. Com frequência, esses adultos eram pais e avós, mas em cerca de 1/3 dos casos, eles eram professores mestres no método Montessori ou escolas que seguiam esse método” (Gregersen 2011, itálico nosso).

3. Conheça e utilize materiais da Network for Teaching Entrepreneurship e do Junior Achievement

A terceira opção é incorporar métodos de programas educacionais complementares que ligam a educação formal à preparação para o empreendedorismo. Dois exemplos são a Network for Teaching Entrepreneurship (NFTE) ou Junior Achievement (JA). Ambas possuem capítulos nos Estados Unidos e em muitos outros países.

Os métodos que essas organizações utilizam podem ser aplicados a todas as crianças, mas geralmente a NFTE e o JA trabalham com estudantes de escolas em dificuldades, talvez porque os diretores de tais escolas estejam mais desesperados e mais dispostos a experimentar novas abordagens.

Steve Mariotti (2009), fundador da NFTE, iniciou sua carreira como professor em uma das piores escolas públicas da cidade de Nova Iorque. Sua primeira estratégia foi utilizar os métodos tradicionais, contudo, percebeu que eram ineficientes para o ensino dos estudantes. Com o passar do tempo, percebeu que as crianças, especialmente as mais pobres, eram fascinadas por dinheiro, mas não sabiam nada sobre ele e nem como obtê-lo. Então, utilizando sua experiência empresarial, Mariotti mudou seu método e começou a ensinar seus alunos como iniciarem seus próprios negócios. A atitude dos estudantes com relação a ele e aos seus estudos mudou drasticamente. O desejo pelo lucro foi despertado, e os estudantes começaram a ver nisto o potencial de independência e de uma vida melhor. Pensar sobre negócios os levou a compreender a necessidade de outras habilidades – leitura, escrita, matemática, organização e sociabilidade – além de servir como motivação para lerem mais livros, e prestar atenção aos professores de matemática, redação e computação. Estudantes dos programas do Junior Achievement alcançaram resultados similares (veja, por exemplo, Marty 2011).

História real: bicicletas sujas e pais presentes

Nos comentários acima, foquei na educação formal e nas razões que justificam o aumento da participação do ensino do empreendedorismo nas escolas. Eu gostaria de concluir, todavia, destacando o papel fundamental que os pais têm na educação de seus filhos através de um exemplo, de cunho motivacional, de minha própria vizinhança. Acredito que essa história captura a essência da educação.

Voltando do trabalho, passava diariamente por um terreno baldio onde crianças (com suas bicicletas) tinham criado pistas com obstáculos. Com o passar do tempo, os esforços das crianças tinham se tornado mais elaborados: tinham construído rampas toscas de madeira (provavelmente surrupiadas de algum canteiro de obras), cavado pequenos buracos, enchendo-os de água, além de aumentar o tamanho de sua “pista”. Eu confesso ter ficado com inveja frente a tanta diversão – sendo um homem de meia idade, que gostaria de voltar a ser criança para saltar as rampas e os outros obstáculos.

Mas o que realmente chamou a minha atenção foi uma tarde quando havia uma atividade muito maior no lugar. Os pais tinham começado a se envolver. Então parei meu carro e resolvi verificar. As rampas eram agora mais residentes e seguras, e a atividade estava organizada. As crianças e suas bicicletas foram alinhadas ao final da pista e cada um faria o percurso da forma mais rápida possível.

E não era só isso. Um dos pais tinha um radar de velocidade que media qual a velocidade de cada criança quando chegava à rampa. Outro pai, trabalhando com um dos garotos, media a distância de cada salto e anotava em um caderno. Agora, todas as crianças estavam usando capacetes. Cada criança queria saber qual distância que tinha saltado e como melhorar no próximo salto. Enquanto esperavam, as crianças discutiam qual era a melhor pressão para os pneus, a velocidade que deveriam alcançar e o ângulo do salto na rampa, a lubrificação das correias de suas bicicletas e assim por diante.

A importância da educação empreendedora é que, primeiro, as crianças demonstraram iniciativa e buscaram seus interesses. Os adultos se envolveram e, ao mesmo tempo, encorajaram a iniciativa e tornaram possível uma atividade mais organizada. As crianças estavam aprendendo matemática e engenharia, cooperação e competição, sendo criativas e se exercitando – e estavam se divertindo muito mais com seus pais.

Essa é somente uma história, embora aponte o caminho a ser seguido pelos educadores empresariais. O que algumas crianças e seus pais podem fazer com um terreno baldio e um pouco de criatividade – nós, educadores profissionais, com nosso treinamento e recursos, deveríamos ser capazes de fazer muito melhor.

Referências Bibliográficas

Brin, Sergei and Page, Larry. 2004. “Google Founders Talk Montessori.” YouTube.
Gregersen, Hal. 2011. The Innovator’s DNA. Harvard Business Review Press.
Hicks, Stephen. 2009. “What Business Ethics Can Learn from Entrepreneurship.” Journal of Private Enterprise, 24(2), 49-57.
Jobs, Steve. 2005. “Commencement Address.” Stanford University.
Kirzner, Israel. 1973. Competition and Entrepreneurship. Chicago: University of Chicago Press.
Kling, Arnold, and Schulz, Nick. 2011. Invisible Wealth: The Hidden Story of How Markets Work. Encounter Books.
Lillard, Angeline. 2007. Montessori: The Science behind the Genius. Oxford University Press.
Marty, Eduardo. 2009. “Entrepreneurship in Argentina.” Kaizen 15.
Mariotti, Steve. 2009. “Entrepreneurship and Education.” Kaizen 9.
Petrelli, Michael J. 2012 (February 23). “Memo to the world: America’s secret sauce isn’t made in our classrooms.”
Rathunde, Kevin and Csikszentmihalyi, Mihaly. 2005. “Middle School Students’ Motivation and Quality of Experience: A Comparison of Montessori and Traditional School Environments.” American Journal of Education 111, 341-371.
Rogers, Steven. 2002. The Entrepreneur’s Guide to Finance and Business. McGraw Hill.
Schumpeter, Joseph. 1950. Capitalism, Socialism and Democracy. 3rd ed. New York: Harper & Brothers. See especially Chapter VII. 1950
Seligman, Martin E.P. 2012. Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well-being. Atria Books.

[The above text in English (or in PDF format). Also forthcoming in Polish in the education journal Przegląd Pedagogiczny.]

At the Junior Achievement Brazil site: O que a ética empresarial pode aprender com o empreendedorismo?

logo-junior-verdeMy essay, “O que a ética empresarial pode aprender com o empreendedorismo?” is now also posted at the Junior Achievement Brazil site.

Also posted in Portuguese here, in the original English as “What Business Ethics Can Learn from Entrepreneurship” [pdf], in Serbo-Croatian translation, Spanish translation, and audio edition in MP3 format and YouTube.

Educating for Entrepreneurship — working paper

The text is below and in PDF format. It’s also forthcoming in Polish in the education journal Przegląd Pedagogiczny.

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Educating for Entrepreneurship (Working Paper, June 2014)

Stephen R.C. Hicks
Department of Philosophy and Center for Ethics and Entrepreneurship
Rockford University
Rockford, Illinois, USA

Introduction: Japanese visitors to American schools

Recently a team of Japanese investigators come to the United States to study its school system. Japan is a successful nation — it is prosperous and dynamic in many areas. But the team had a question: Why does our country have so few innovators?

They looked to the United States with its many centers of innovation: Silicon Valley technology, Hollywood movies, New York finance, Broadway theatre, and others. In the business world, they noted the many entrepreneurs such as Steve Jobs, Bill Gates, Andy Grove, and Mark Zuckerberg.

So the Japanese investigators had a question: What are American schools doing so well to generate so many creative, innovative, entrepreneurs? What is their “secret ingredient”?

The question is important, because we live in an era that, for the first time in history, is taking entrepreneurism seriously.

The Business-Employment environment is different in the early twenty-first century. Business professor Steven Rogers has pointed out: “In the 1960s, 1 out of every 4 persons in the United States worked for a Fortune 500 company. Today, only 1 out of every 14 people works for these companies. Employment at Fortune 500 companies peaked at 16.5 million people in 1979 and has steadily declined every year to approximately 10.5 million people today” (Rogers 2002, p. 42). The employment market has shifted from a relatively few large corporations to many smaller entrepreneurial firms.

The Economics literature has been transforming itself into what economists Arnold Kling and Nick Schulz (2011) call “Economics 2.0.” For many generations, economics ignored or downplayed the unpredictable and idiosyncratic entrepreneur and focused on abstracted, impersonal models. Contrarians such as Joseph Schumpeter (1950) and Israel Kirzner (1973) argued the importance of entrepreneurship, but they were lonely voices in economics through most of the twentieth century. Only in the last twenty years has mainstream economics begun the project of recasting itself on the basis of entrepreneurship.

In the Psychology and Ethics literature, we see a movement toward understanding entrepreneurism’s importance as a vehicle for a flourishing life. Not only in one’s work life but in one’s overall life, more psychologists are stressing autonomy, self-directedness, and creative exploration as foundationally positive ingredients in a healthy life (Seligman 2012). And moral philosophers are increasingly making the connections between entrepreneurial character traits and moral virtues in the context of making one’s career an integral part of an overall flourishing life (Hicks 2009).

So in this new, entrepreneurial century, the question for us as educators is: How do we help students prepare for an entrepreneurial economy and an entrepreneurial life?

To return to the Japanese investigators’ question: I think it is important but mis-focused. The “secret ingredient” of entrepreneurism is not in the schools. Most U.S. formal school is government schooling, and most government schools are not good at teaching entrepreneurism. Some schools in prosperous neighborhoods are solid, but most schools are weak, some are poor, and many are terrible.

Consider the common phenomenon of kids who start school when they are five years old — they are full of energy and curiosity and excitement — but after a few years they come to dislike or even hate school. They are bored. They don’t like science and they don’t even like art. If you ask them, as parents do, what their favorite subject is, they will say that it is lunch and recess when they are allowed to go outside and play. And for several decades we have seen a decline in basic-competency test scores and an increase in students graduating with weak reading and math skills, minimal scientific and historical knowledge, and so on.

Yet the U.S. does produce a large number of creative individuals. How is this possible?

In my view, what American culture does well is what is does outside of school. After-school hours are busy with extracurricular activities such as drama and chess clubs and sport and debate teams (Petrelli 2012). American culture is also characterized by significant parental involvement in music lessons, trips to museums and galleries, sports leagues, summer camps, and travel. And, of course, American culture is prosperous, which means it has much wealth to support all of these informal learning opportunities.

Music education in the U.S. is a good example. Everyone loves music, and American culture has much creativity in music — rock bands, jazz clubs, Broadway musical theatre, symphonies in most cities, and so on. But that musical activity did not come out of music education in schools. Kids naturally love music, but they typically tolerate or dislike their music classes in schools. When it is an elective, most students choose not to take it. Instead, those who become musicians and music enthusiasts are inspired from popular culture, by learning from their friends and families, or by extra-curricular lessons paid for by their parents.

All of this points to a challenge for formal educational reform. Schooling is currently characterized by two problems: (1) It wastes much of its students’ time, as measured by the students’ self-reports of how bored and otherwise disengaged from school they are; and (2) it misses the opportunity to use its considerable resources to develop young adults prepared for entrepreneurial careers and entrepreneurial living.

steve_jobs_by_februarymoonSteve Jobs — who as a young man disliked school and dropped out of university — perhaps put the entrepreneurial aspiration best: “Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to do what you believe is great work. And the only way to do great work is to love what you do. If you haven’t found it yet, keep looking. Don’t settle. As with all matters of the heart, you’ll know when you find it. And, like any great relationship, it just gets better and better as the years roll on. So keep looking until you find it. Don’t settle.” (Jobs 2005)

So how can we re-focus the schools to enable students to take on that great life challenge? One element must be educating for entrepreneurship.

The entrepreneurial process

Let us start by articulating explicitly the nature of entrepreneurship. Consider the stereotypical entrepreneurial process.

The entrepreneurial process begins with an informed and creative idea for a new product or service. The entrepreneur is ambitious and gutsy and takes the initiative in developing the idea into a new enterprise. Through much perseverance and trial and error, the entrepreneur produces something of value. He or she takes on a leadership role in showing consumers the value of the new product and in showing new employees how to make it. The entrepreneur trades with those customers and employees to win-win results. He or she thus achieves success and then enjoys the fruits of his or her accomplishment.

To expand upon each italicized element in that description:

Entrepreneurs generate business ideas and decide which ones are worth pursuing. In the process of coming up with informed, creative ideas, entrepreneurs speak of vision, “thinking outside the box,” imagination, active-ness of mind, and “light-bulb moments.” Having generated ideas, they speak of exercising judgment: Which ideas are actually good ones? Can the product or service be developed technically? Will it sell? What does the market research show? Entrepreneurs exhibit a commitment to cognitive achievement—intellectual playfulness, research, experimentation, analysis, and judgment. As one venture capitalist put it, “Money does not get the ideas flowing. It is ideas that get the money flowing.”

Ambition is the drive to achieve one’s goals, to be successful, to improve oneself, to be better off, to be the best than one can be. Entrepreneurs feel more than the often-abstracted and idle wishing — “Wouldn’t it be nice if I were rich and independent?” — that many people experience. Ambitious individuals feel strongly the need to achieve their goals.

Entrepreneurship requires initiative. It is one thing to have a good business plan; it is another to turn the plan into reality. Entrepreneurs are self-starters who make the commitment to bring their good ideas into existence.

Yet a new enterprise involves venturing into the unknown, a willingness to take on obstacles — including the possibility of disapproval and mockery — and the possibility of failure. Consequently, entrepreneurial activity takes courage — the willingness to take calculated risks, to be aware of possible downsides while not letting the fear of failure or disapproval dominate one’s decision-making.

Entrepreneurial success is almost never easy and overnight, so it requires sticking with it through the difficulties and over the longer term. That is to say, perseverance is essential. Entrepreneurs must persevere through the technical obstacles in product development, in the face of the naysayers who say that it cannot be done or who are otherwise obstructionist, and in the face of their own self-doubts. Entrepreneurs must be good at short-term discipline and at keeping their long-term motivations present in their thinking.

The development process is almost always a trial and error process, requiring that the entrepreneur make adjustments based on experience. Successful entrepreneurs adjust to real-world feedback, which means being able to admit mistakes and to incorporate newly-discovered facts, rather than pig-headedly ignoring anything that is a threat to their pet ideas.

Productivity: The development process hopefully culminates in a working product. If so, the entrepreneur has added value to the world by creating a new good or service, making it work consistently, producing it in quantity, and continuing to improve the quality.

Those who transact with the entrepreneur, whether as customers or as employees, engage in win-win trade, exchanging value for value. Socially, trade is a process of dealing with others on a peaceful basis according to productive merit. It requires protecting one’s own interests and respecting the other party’s doing the same, exercising one’s skills of negotiation, diplomacy, and, when necessary, toughness in order to achieve a mutually beneficial result.

Entrepreneurs also add value by bringing leadership to the trade. Entrepreneurs are creating something new, so they are the first to go down a new path. Those who go first set an example for others to follow and, especially in the case of a new product or service, they must show new customers the value of the new product and service and they must teach new employees how to produce the new product or service. Accordingly, entrepreneurs must exhibit leadership in showing others the new way, encouraging them through the learning process, and in marketing the new. Part of the trade, then, is that the customer or employee is shown a new opportunity and is enabled to take advantage of it, and in turn the entrepreneur receives compensation for doing so.

Finally, the entrepreneur experiences success and the enjoyment of success. Entrepreneurial success yields both material and psychic rewards—both the goods that financial success can bring and the experience of financial independence and security that go with it. And of course there is the psychological reward of achievement: experiencing enhanced self-respect and the sense of accomplishment in what one has created.

If we put those traits in a table, we get the following:
E-success-trait

Implications for Education

Now let us turn to education. If entrepreneurship involves the successful exercise of certain traits, where do those traits come from in the first place? Can formal schooling instill, develop, or at least enhance those characteristics in younger students? If we take entrepreneurism as lens for education, then can we teach creative exploration, courage, initiative, and so on?

If we contrast much of traditional and current schooling, what do we see? We do not see much uniqueness, activity, or experimentalism. Instead, students sit in straight rows of desks. Students do what the teacher and textbook say. Every student does the same thing at the same time in the same way and takes the same standardized tests. That is, we see uniformity, obedience, passivity, and rote learning. This stereotype is perhaps often softened in practice, but it has been the default model for teachers with classes of thirty students and standardized, state-established curricula. So while there is useful knowledge in the curriculum, the embedded lessons students also learn are: Do what the authorities say, Do what everyone else is doing, and The correct answers are pre-set and already known. (And we sometimes wonder why we have so many unmotivated, dependent, and timid students — or students who, out of sheer boredom and the chaotic need to be themselves, rebel in destructive ways.)

So if an explicit goal of education is to cultivate the exploration mindset of entrepreneurship, as a first step let us consider getting the students out of the rows of seats and letting them interact with prepared materials on their own.

I have three suggestions in this direction.

1. Develop formal, age-appropriate exercises in entrepreneurial character-trait development

As educators, we fill in the following table with exercises appropriate for children of different ages.

E-success-trait-education

To develop one example further, let me focus on courage.

Courage is the virtue of acting as one judges best despite fear. Fear comes in many forms — fear of pain, fear of disapproval, fear of feeling like a failure, fear of loss of love, money, and so on. Life involves many risks, and risk is the potential for failure, so having the character resources to be able to handle risk is an important part of success in life. One direct connection to entrepreneurship is the many people who do not attempt it due to fear.

So one thread within entrepreneurial education is to develop formal exercises that embody risk and help the child learn to manage it.

For example, younger children learn skills that involve physical risks: going down a slide, jumping into a swimming pool, learning to ride a bicycle. Such activities and dozens more can be formally identified and introduced in schools as exercises. They can also be scaled up as children age and mature in their skill and character. Eventually, they will be able to handle mixing chemicals, climbing rock-walls, doing bungee-jumps, and driving cars.

Other risks are more psychological. For younger children, these can include greeting and conversing with new adults whom one’s parents have invited for dinner, raising one’s hand to ask the teacher a question in class, or expressing an opinion that differs from one’s classmates’. Again, exercises to model these can be introduced in schools and scaled up as children mature so that eventually they will be able to handle comfortably giving a speech before a large audience, asking someone for a date, and arguing civilly with their teachers about political and religious differences.

Courses in acting and public speaking are natural homes for some of the exercises for developing psychological courage, just as courses in physical education are natural homes for developing physical courage. So building consciously and systematically upon activities already present in those courses and extending them across the curriculum is a good starting point.

And what holds for developing courage also holds for developing initiative, experimentalism, perseverance, and the rest of the success traits.

2. Learn from the Montessori method

My second suggestion is, if one is not already aware of it, to explore the Montessori approach to education. Maria Montessori opened her first school in Rome in 1907, and for over a century her method has spread, mostly as a grassroots phenomenon, all over the world.

The scholarly literature is beginning to study Montessori’s results systematically and to pronounce upon them positively (e.g., Rathunde and Csikszentmihalyi 2005 and Lillard 2007), but for now let me just give two indicators.

Anecdotally, Montessori advocates point out that four of the leading entrepreneurs of our generation — Larry Page and Sergey Brin of Google, Jeff Bezos of Amazon, and Jimmy Wales of Wikipedia — were all Montessori educated (Brin and Page 2004).

More formally, Hal Gregersen reports a striking statistic about the proportionately large number of innovative entrepreneurs who were Montessori-educated. After interviewing a large number of entrepreneurs, identifying their shared characteristics, and investigating how they became innovative, Gregersen notes: “It’s fascinating when we interview these famous entrepreneurs to realise that they grew up in worlds where adults paid attention to these innovation skills. Most often these adults were parents and grandparents, but in about one-third of the cases they were master teachers at Montessori or Montessori-like schools” (Gregersen 2011, italics added).

3. Emulate the Network for Teaching Entrepreneurship and Junior Achievement

A third option is to incorporate methods from currently-supplemental education programs that explicitly tie education to preparation for entrepreneurship. Two examples are the Network for Teaching Entrepreneurship (NFTE) or Junior Achievement (JA), both of which have chapters all over the U.S. and in many other countries.

The methods they use can apply to all children, but as often as not NFTE and JA work with students in failing schools, perhaps because the administrators of such schools are more desperate and so willing to experiment.

Steve Mariotti (2009), the founder of NFTE, began his teaching career at one of the worst of New York City’s public schools. He began by using traditional methods but found that they failed to teach the students anything. Then he realized that children, especially poor kids, are often fascinated with money but know nothing about it or how to make it. So, drawing upon his own entrepreneurial experience, Mariotti changed his methods and explicitly began teaching his students how to start their own businesses. The students’ attitudes toward him and their education altered dramatically. Their profit motive kicked in, and they began to see a realistic potential for independence and a better life. Thinking about business led them to see the need for other skills — reading, writing, math, organizational, and social — and then they also became motivated to learn from their textbooks and their other teachers in math, writing composition, and computers. Students in Junior Achievement programs have achieved similar results (see e.g., Marty 2011).

Closing anecdote: dirt bikes and dads

In the above comments, I have focused on formal education and argued for an increased place for entrepreneurism within it. I would like to conclude, though, by not overlooking the important role that parents play in their children’s education by giving one, hopefully inspiring, example from my own neighborhood. It is an anecdote that I think captures the essence of education.

On my drive home from work I passed regularly some vacant land upon which kids with their bikes had created paths and piles of dirt to jump over. Over time, the kids’ efforts had become more elaborate. They had built some crude ramps with wood (likely stolen from nearby construction sites), dug shallow pits and let them fill with water, and they had extended the crisscrossing network of paths to ride upon. I confess to some envy at the sight of so much fun — being a middle-aged man who wanted again to be a kid out there riding my bike up the ramps and jumping the puddles.

But what really caught my attention was an evening when there was suddenly much more activity at the dirt bike site. The fathers had gotten involved. So I stopped and got out of my truck and went to watch. The ramps were now sturdier and safer, and the activity was organized. Kids with their bikes were lined up at the end of one long stretch of path, and each one would ride his or her bike fast up and over the ramp and fly through the air as far as possible.

That wasn’t all. One of the dads had a radar speed gun that measured how fast each kid’s bike was going when it hit the ramp. Another dad, working with one of the kids, measured the distance of each jump and recorded it in a notebook. And all of the kids were now wearing helmets. But each kid wanted to know how far he had jumped, how to improve his distance, and as the kids waited their turns they were all discussing the best air pressures for the tires, bike speeds and ramp angles, lubrication for their bike’s gears, and so on.

The point for entrepreneurial education is that the kids first showed initiative and pursued their interests. The adults got involved and both encouraged that initiative and facilitated a more structured activity. The kids were learning math and engineering, cooperation and competition, being creative and getting exercise — and they were having a whole lot of fun themselves and with their dads.

That is only one anecdote, though it points to a path for entrepreneurial educators to pursue. What some kids and their dads can do with a vacant lot and some creativity — we professional educators with our training and resources should be able to do even better.

Bibliography

Brin, Sergei and Page, Larry. 2004. “Google Founders Talk Montessori.” https://www.youtube.com/watch?v=0C_DQxpX-Kw.
Gregersen, Hal. 2011. The Innovator’s DNA. Harvard Business Review Press.
Hicks, Stephen. 2009. “What Business Ethics Can Learn from Entrepreneurship.” Journal of Private Enterprise, 24(2), 49-57.
Jobs, Steve. 2005. “Commencement Address.” Stanford University. http://news.stanford.edu/news/2005/june15/jobs-061505.html.
Kirzner, Israel. 1973. Competition and Entrepreneurship. Chicago: University of Chicago Press.
Kling, Arnold, and Schulz, Nick. 2011. Invisible Wealth: The Hidden Story of How Markets Work. Encounter Books.
Lillard, Angeline. 2007. Montessori: The Science behind the Genius. Oxford University Press.
Marty, Eduardo. 2011. “Entrepreneurship in Argentina.” Kaizen 15. http://www.ethicsandentrepreneurship.org/20110221/interview-with-eduardo-marty/.
Mariotti, Steve. 2009. “Entrepreneurship and Education.” Kaizen 9. http://www.ethicsandentrepreneurship.org/20091005/interview-with-steve-mariotti/.
Petrelli, Michael J. 2012 (February 23). “Memo to the world: America’s secret sauce isn’t made in our classrooms.” http://edexcellence.net/commentary/education-gadfly-daily/flypaper/2012/memo-to-the-world-americas-secret-sauce-isnt-made-in-our-classroom.html.
Rathunde, Kevin and Csikszentmihalyi, Mihaly. 2005 (May). “Middle School Students’ Motivation and Quality of Experience: A Comparison of Montessori and Traditional School Environments.” American Journal of Education 111, 341-371.
Rogers, Steven. 2002. The Entrepreneur’s Guide to Finance and Business. McGraw Hill.
Schumpeter, Joseph. 1950. Capitalism, Socialism and Democracy. 3rd ed. New York: Harper & Brothers. See especially Chapter VII.
Seligman, Martin E. P. 2012. Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well-being. Atria Books.

* * *

Portuguese translation of “What Business Ethics Can Learn from Entrepreneurship”

Portuguese_language_flagsMy essay “What Business Ethics Can Learn from Entrepreneurship” has been translated in Portuguese by Matheus Pacini and Vinicius Cintra. Here is “O que a ética empresarial pode aprender com o empreendedorismo” in HTML or PDF.

Other versions: “What Business Ethics Can Learn from Entrepreneurship” [pdf]. Originally published in Journal of Private Enterprise, 24(2), Spring 2009, 49-57. At the Social Science Research Network. Amazon Kindle e-book version. Serbo-Croatian translation by Alma Causevic. Spanish translation by Walter Jerusalinsky. Audio edition in MP3 format and at YouTube.

O que a ética empresarial pode aprender com o empreendedorismo

“O que a ética empresarial pode aprender com o empreendedorismo” [pdf]

Stephen R. C. Hicks
Departamento de Filosofia e Centro para a Ética e Empreendedorismo
Rockford University, Illinois, USA

Publicado pela primeira vez em Inglês em The Journal of Private Enterprise 24(2), 2009, 49-57.
Tradução por Matheus Pacini. Revisão por Vinicius Cintra, 2014.

Resumo

O empreendedorismo é cada vez mais estudado como um fenômeno econômico fundamental e fundacional, porém, cada vez menos como um fenômeno ético. Grande parte da literatura atual sobre a ética empresarial pressupõe que seus objetivos principais sejam: 1) acabar com práticas comerciais predatórias e (2) encorajar a filantropia e a caridade por parte das empresas. Indubitavelmente, o comportamento predatório é imoral e a caridade encontra lugar na ética, todavia, nenhuma delas deveria ser o foco principal da ética. Em vez disso, a ética empresarial deveria destacar os valores e as virtudes dos empreendedores – por exemplo, aqueles indivíduos produtivos e responsáveis que geram valor e negociam com outros indivíduos buscando uma relação de ganho mútuo.

Código de Classificação JEL: A12, A13, L26

Palavras-chave: Empreendedorismo, Ética, Ética da Virtude

I. Três tipos de personagens: Carly, Tonya e Jane

O empreendedorismo é cada vez mais estudado como um fenômeno econômico fundamental e fundacional. Schumpeter (1950) e Kirzner (1978) foram os pioneiros, e seus sucessores têm produzido uma literatura relativamente extensa. No entanto, o empreendedorismo tem recebido menos atenção como um fenômeno moral e, por sua vez, menos atenção na literatura sobre ética empresarial.
Considere o status moral do empreendedor em contraste com outros dois tipos de personagens:

1. Carly: como aluna, Carly estudou muito e recebeu boas notas. Depois de formada, conseguiu um emprego, mas, ao mesmo tempo, economizou e trabalhou no seu plano de negócios. Quando estava pronta, deu o passo decisivo e começou sua própria empresa, a qual administrou com sucesso, vendendo-a, anos mais tarde, por US$ 10 milhões. Hoje, ela vive tranquilamente, viajando, cuidando da construção de sua casa, zelando por sua família, e administrando seu portfólio de investimentos.
2. Tonya: Tonya também estudou muito na faculdade e, depois de formada, começou a trabalhar em uma instituição financeira. Ela descobriu uma falha no sistema de rastreamento de fundos, o que lhe permitiu desviar anonimamente US$ 10 milhões para uma conta bancária no exterior, da qual foi rapidamente redirecionado para diversos bancos caribenhos e suíços, acabando em uma conta conhecida somente por Tonya. Um ano depois, Tonya pediu demissão da instituição financeira e agora está vivendo no luxo discreto, em algum lugar da Europa.
3. Jane. Enquanto estava na faculdade, Jane estudou artes liberais e se graduou com ótimas notas. Infelizmente, no verão posterior a sua graduação, seus pais morreram de forma inesperada, deixando US$ 10 milhões como herança. Desse valor, Jane doou imediatamente 9,9 milhões para instituições de caridade devotadas aos desabrigados, às vítimas de enchentes, e também ao reflorestamento da Amazônia. Jane investiu os US$ 100 mil restantes em um certificado de depósito bancário com rendimento anual de 8%, utilizando os lucros para viver sem demasiado esforço.

Vamos agora tratar da questão ética: qual dos três é o mais moral? Quem deveríamos considerar como modelo? Deveríamos ensinar nossos filhos e estudantes a admirarem e se empenharem para ser como Carly, Tonya ou Jane? Os três requerem determinação: não é fácil construir um negócio de sucesso. Não é fácil descobrir uma falha, aproveitar-se dela e sair impune. Não é fácil doar todo o seu dinheiro.
Tonya é representante de uma ética predatória: ela prejudica a outrem e utiliza o lucro para se beneficiar. Ela é representante das práticas de soma-zero, de lucros à custa dos outros, amplamente condenada na literatura sobre ética empresarial.

Jane é representante de uma ética altruísta: ela é abnegada, e coloca o que tem à disposição dos outros na sociedade, mantendo somente o mínimo para si. Ela é representante das práticas de “justiça social”, amplamente elogiadas na literatura sobre ética empresarial.

Carly é a empreendedora modelo e é a representante da ética da autorealização, egoísta. Ela gera valor, comercializa com os outros e vive a vida de seus sonhos. Mesmo assim, ela não é tratada na literatura sobre ética empresarial. Ela é a mulher invisível.

Contudo, os traços do caráter e as atividades de geração de valor dos empreendedores, pelo menos, de forma implícita, caracterizam uma forma de ética. Para tornar essa forma de ética explícita, começaremos com uma descrição padrão do empreendedor.

II. O Processo Empresarial

O processo empresarial começa com uma ideia estruturada e criativa de um novo produto ou serviço. O empreendedor é ambicioso e corajoso, ele toma a iniciativa na transformação de uma ideia em um novo empreendimento. Por meio da perseverança e da tentativa e erro, o empreendedor produz algo de valor. Ele tem um papel de liderança ao mostrar aos consumidores o valor do novo produto, e aos novos funcionários, como produzi-lo. O empreendedor comercializa com aqueles consumidores e funcionários buscando uma relação de ganho mútuo. Ele assim alcança o sucesso e então aproveita os frutos de sua conquista.

Vamos explicar cada um dos elementos em itálico dessa descrição:

Os empreendedores geram ideias de negócios e decidem quais delas valem a pena. No processo de descoberta de ideias estruturadas e criativas, os empreendedores falam de visão, “pensar fora da caixa”, imaginação, mente ativa, e “momentos de súbita inspiração”. Tendo gerado ideias, eles falam sobre exercitar o julgamento crítico: quais ideias são realmente boas? O produto ou serviço pode ser desenvolvido tecnicamente? Venderá bem? O que mostra a pesquisa de mercado? Os empreendedores exibem um comprometimento ao desenvolvimento cognitivo – entretenimento intelectual, pesquisa, experimentação e análise.

Ambição é o impulso para alcançar seus objetivos, para ser bem sucedido, para melhorar a si mesmo, para prosperar, para ser o melhor de todos. Empreendedores fazem mais do que sonhar e alimentar desejos infundados – “não seria bom se eu fosse rico e independente?” – que muitas pessoas experienciam. Pessoas ambiciosas sentem profundamente a necessidade de alcançar seus objetivos.

O empreendedorismo requer iniciativa. Uma coisa é ter um bom plano de negócios; outra é transformar tal plano em realidade. Empreendedores são pioneiros que se comprometem a tornar suas boas ideias em realidade.

Um novo empreendimento envolve desbravar o desconhecido, superar obstáculos – incluindo a possibilidade de reprovação e zombaria – e encarar a possibilidade do fracasso. Consequentemente, a atividade empresarial requer coragem – assumir riscos calculados, estar atento a possíveis reveses, não deixando, todavia, que o medo do fracasso ou reprovação domine o seu processo decisório.

O sucesso empresarial nunca é fácil e instantâneo; o sucesso é o resultado do enfrentamento das dificuldades com vistas ao longo prazo. Em outras palavras, a perseverança é essencial. Os empreendedores devem perseverar através dos obstáculos técnicos inerentes ao processo de desenvolvimento do produto, diante dos pessimistas que declaram que não pode ser feito ou que são, por outro lado, obstrucionistas, em face de suas próprias dúvidas. Os empreendedores devem manter a disciplina no curto prazo e a motivação de longo prazo vivas no seu pensamento.

O processo de desenvolvimento é quase sempre um processo de tentativa e erro, o qual requer que o empreendedor faça ajustes com base na experiência. Empreendedores de sucesso ajustam-se ao feedback do mundo real, o que significa ser capaz de admitir erros e incorporar fatos novos, ao invés de ignorar teimosamente qualquer coisa que é uma ameaça às suas ideias.

Produtividade: espera-se sempre que o processo de desenvolvimento culmine em um produto que funciona. Nesse caso, o empreendedor adicionou valor ao mundo por meio da criação de um novo produto ou serviço, que funciona de forma consistente, que é produzido em quantidade e que é aperfeiçoado continuamente.

Aqueles que transacionam com o empreendedor, sejam consumidores, empregados ou investidores de risco, engajam-se em uma transação de ganho mútuo, trocando valor por valor. Do ponto de vista social, o comércio é um processo de negociação pacífica com os outros membros da sociedade de acordo com o mérito produtivo. Ele requer a proteção dos interesses das duas partes, o exercício da capacidade de negociação, a diplomacia e, quando necessário, a determinação que se alcance um resultado mutualmente benéfico. Os empreendedores também adicionam valor por trazer liderança à troca. Os empreendedores estão criando algo novo, então, são os primeiros a trilhar esse novo caminho. Os pioneiros servem como um exemplo a ser seguido, e especialmente no caso de um novo produto ou serviço, devem mostrar aos novos consumidores o valor de um novo produto ou serviço e devem ensinar aos novos empregados como produzi-los. Consequentemente, os empreendedores devem mostrar liderança ao expor aos outros sua criação, encorajando-os por meio do processo de aprendizado e acompanhando-os no processo de divulgação. Parte da troca, nesse caso, é a apresentação de uma nova oportunidade ao consumidor e ao empregado, permitindo que se beneficiem dela. Por assim proceder, o empreendedor será recompensado.

Finalmente, o empreendedor experimenta o sucesso e o prazer do sucesso. O sucesso empresarial resulta em recompensas materiais e psicológicas – materiais, na forma de bens físicos que podem ser adquiridos e do sentimento de independência e segurança financeira que os acompanha. Psicológicos, no sentimento do autorrespeito e de dever cumprido oriundo da criação de um produto ou serviço.

III. Empreendedorismo e a Ética da Virtude

Até agora, esbocei o processo empresarial em termos das características e ações que levam ao sucesso empresarial. O que isso tem a ver com a moralidade?

Uma das principais abordagens à ética ocorre por meio da virtude. Virtudes são traços de caráter que guiam a ação visando bons resultados. A literatura sobre ética é composta por diversas explicações concorrentes sobre quais deveriam ser esses bons resultados e, consequentemente, explicações concorrentes sobre quais virtudes deveríamos defender. Alguns eticistas da virtude alegam que um atributo tem prioridade na avaliação ética em relação a regras ou princípios, ações e consequências. Deixando de lado a questão de se a virtude tem prioridade, minha preocupação aqui é conectar atributos de sucesso empresarial a virtudes.

Se nós considerarmos os atributos de índole empresarial supracitados em termos de virtudes – por exemplo, em termos de atributos de caráter e comprometimentos que permitem e constituem uma boa ação – então, nós estabelecemos as seguintes conexões:

A geração e avaliação dos dados e das ideias criativas conectam-se à virtude da racionalidade. Racionalidade é o comprometimento ao exercício pleno da razão. O pensamento criativo e ativo inicial de um empreendedor é função da razão, como o é o exercício de julgamento analítico na determinação de quais ideias de negócios são realmente viáveis economicamente.

A ambição e o impulso dos empreendedores para o sucesso conectam-se à virtude do orgulho. O orgulho tem aspectos inovadores e retrógrados (por exemplo, orgulhar-se de algo que você conquistou); é o aspecto inovador que é importante aqui. Orgulhar-se de si próprio significa desejar o melhor para sua própria vida, o que implica em fazer o seu melhor. Por exemplo, orgulhar-se da sua aparência significa querer estar em forma, ou seja, um compromisso com a saúde, higiene e estilo. A busca incessante dos empreendedores pelo sucesso é a consequência de se orgulharem da parte profissional de sua vida.

O empreendedor que mostra iniciativa por ser o pioneiro e que se compromete a tornar um plano de negócios em realidade, conecta-se à virtude da integridade. A integridade é a política de agir com base no que uma pessoa acredita ser verdadeiro e bom. É traduzir o pensamento em ação. Isto é, os pensamentos de um indivíduo são integrados às suas ações; ou as crenças de um indivíduo sobre o que seria bom são integradas às suas ações, de forma a trazer esse bem à existência partindo de um plano inicial.

O compromisso de um empreendedor à ação, apesar do medo inerente por saber dos riscos envolvidos, conecta-se à virtude da coragem. A coragem é a virtude de comprometer-se a uma ação que um indivíduo julga estar certa, enquanto estando ciente, tanto intelectual como emocionalmente, das possibilidades de fracasso.

A perseverança do empreendedor frente às dificuldades, reprovações, e outras dúvidas temporárias conecta-o à virtude da independência. A independência é a virtude de confiar no seu próprio julgamento e agir com base no seu melhor julgamento, apesar das frustações iniciais ou das opiniões contrárias dos outros.

A missão do empreendedor ao longo do processo de tentativa e erro do desenvolvimento do produto conecta-se à virtude da objetividade. A objetividade é o procedimento de guiar o seu pensamento por meio do conhecimento dos fatos, ou estar aberto a novos fatos; ou, colocando negativamente, não sermos cegos intelectualmente, evitando o feedback, às vezes, desagradável da realidade. Um elemento constituinte da objetividade é a virtude da honestidade, a política de não fingir para si próprio ou para os outros que fatos não são fatos.

A produtividade do empreendedor conecta-se à virtude da produtividade. A produtividade é um comprometimento com a criação de valor, ser autoresponsável por transformar em realidade aquilo que um indivíduo necessita e deseja.

O ato da troca de valor por valor com clientes e funcionários por parte do empreendedor conecta-se à virtude da justiça. A justiça é um compromisso com a avaliação e interação com indivíduos de acordo com seu mérito, e um compromisso correlacionado de autoavaliação de acordo com seu próprio mérito. A justiça aplicada às relações comerciais significa que a troca ocorre voluntariamente, ou seja, com base no julgamento independente de cada parte, e que os termos do negócio são estabelecidos pelo julgamento independente de cada parte no que tange aos méritos da troca.

E, finalmente, o sucesso alcançado pelo empreendedor, incluindo as recompensas financeiras e psicológicas decorrentes da criação de um negócio próspero, conecta-se aos valores morais da prosperidade, felicidade e realização. A prosperidade ou a felicidade é o estágio mais elevado do sucesso. Como a vida profissional de uma pessoa é parte da sua vida como um todo, as ações do empreendedor que levam à prosperidade nos negócios são um componente de uma vida próspera como um todo. As ações do empreendedor tanto constituem como levam a uma vida desejada por ele.

Resumindo todos os pontos citados em uma tabela, obtemos o seguinte:

Entrepreneurial-virtues-chart-Portuguese

IV. Um código de ética empresarial

As virtudes e os valores listados na coluna da direita da tabela juntos constituem um código empresarial de ética empresarial. Esse conjunto de virtudes é uma abstração de uma descrição da atividade empresarial. Os pensamentos e ações dos empreendedores são itens de um conjunto geral de atributos de sucesso. Esses atributos de sucesso dos empreendedores são detalhes de um conjunto geral de virtudes.

Nesse contexto histórico, a lista de virtudes é muito aristotélica (Aristóteles, 1984; veja especialmente a discussão sobre coragem no Livro III de Aristóteles, orgulho como a “coroa” das virtudes, honestidade, e generosidade com respeito ao dinheiro no Livro IV, justiça no Livro V, e phrónesis ou sabedoria prática no Livro VI da Ética a Nicômano) e muito objetivista (Rand, 1964).

Uma implicação importante do supracitado é que uma ética empresarial contrasta fortemente com os códigos de ética prevalentes na literatura tradicional e atual sobre ética empresarial. Uma conclusão de grande parte da literatura é que o sucesso de acordo a critérios empresariais e o sucesso de acordo a critérios éticos são coisas diferentes. Uma consequência dessa visão é que o negócio é amoral e a ética é algo que tem de ser importado ou transplantado ao negócio – ou em perspectivas mais extremas, que os negócios são inerentemente imorais e o objetivo da ética é controlar ou restringir os negócios.

Pelo contrário, o código de virtude empresarial supracitado conecta os negócios à ética de maneira positiva. Estabelece uma fundação para uma ética favorável aos negócios baseada no pressuposto de que a prática de negócios bem sucedida tem dentro de si os recursos para desenvolver uma ética. Empresários são indivíduos orientados para o sucesso prático. Os compromissos e atributos que lhes permitem alcançar o bem, isto é, o sucesso na vida, são virtudes. E virtudes são o assunto principal da moralidade e da ética. O empreendedorismo é um veículo particular para a atividade moral.

Ou colocando de outra forma: quando você ensina as habilidades do sucesso prático nos negócios, a lista do lado esquerdo da tabela é o que nós ensinamos. Quando ensinamos uma virtude moral, a lista da direita é o que nós ensinamos. E elas acabam sendo a mesma coisa – a moral é prática.

Outra implicação do supracitado envolve promover a causa de uma sociedade livre. O eticista deve ser um aliado do economista e do cientista político ao defender aquele argumento. Os economistas elaboram os mecanismos comerciais de uma sociedade livre, e os cientistas políticos elaboram os requisitos constitucionais e de governo limitado. Ainda assim, enquanto os economistas e os cientistas políticos de uma sociedade livre têm feito um trabalho excelente, menos tem sido alcançado na articulação e defesa da ética de uma sociedade livre, incluindo sua ética empresarial.

James Buchanan fez a seguinte observação:

“Nós, verdadeiros liberais, estamos falhando em salvar a alma do liberalismo clássico. Livros e ideias são necessários, mas não suficientes para assegurar a viabilidade de nossa filosofia. Não, o problema está na demonstração do ideal. Minha tese mais ampla é que o liberalismo clássico não pode assegurar aceitabilidade pública suficiente quando seus principais representantes estão limitados ao pragmatismo do ‘isso funciona?’ […] Uma visão, um ideal, é necessário. As pessoas precisam de algo que possa ser desejado e pelo qual se possa lutar. Se o ideal liberal não está lá, existirá um vácuo e outras ideias o suplantarão. Os liberais clássicos fracassaram em compreender essa dinâmica” (Buchanan, 2002).

O sucesso empresarial não vem todo da ética, mas é um bom ponto de partida para a ética empresarial. Os códigos éticos são importantes do ponto de vista social: nós desenvolvemos sistemas políticos e econômicos para a produção e proteção do que pensamos ser bom, e o que achamos bom depende de nosso código moral. E os códigos morais são cruciais do ponto de vista pessoal: um código moral é um guia espiritual – é o que cada um considera melhor, mais elevado, mais nobre. Que diz quem você é e o que desperta o seu melhor. Nós necessitamos de um código moral que idealize as “Carlys” – não um que nos incite a ser “Janes” ou que é limitado a atacar as “Tonyas”.

A tese fundamental de um código de ética empresarial é que a ética empresarial deveria focar primeiramente na criatividade, na produtividade e no comércio. Empresários criativos e produtivos são indivíduos moralmente realizados. Ou seja, que a ética empresarial deveria levar a sério o empreendedorismo e fundamentá-lo como um fenômeno moral.

Referências Bibliográficas

ARISTOTLE. Nicomachean Ethics. In The Complete Works of Aristotle, edited by Jonathan Barnes. 2 vols. Princeton: Princeton University Press.

BUCHANAN, James. “Saving the Soul of Classical Liberalism.” The Wall Street Journal, 1º Janeiro de 2002.

KIRZNER, Israel. Competition and Entrepreneurship. Chicago: University of Chicago Press, 1973.

RAND, Ayn. “The Objectivist Ethics.” In The Virtue of Selfishness. New York: New American Library, 1964

SCHUMPETER, Joseph. 1950. Capitalism, Socialism and Democracy. 3rd ed. New York: Harper & Brothers.

[Original English version: “What Business Ethics Can Learn from Entrepreneurship” [pdf], Journal of Private Enterprise, 24(2), Spring 2009, 49-57. Return to the Publications page. Return to the StephenHicks.org main page.]

Entrepreneur and Un-entrepreneur characteristics

I’m a big fan of Arnold Kling and Nick Schulz’s From Poverty to Prosperity: Intangible Assets, Hidden Liabilities and the Lasting Triumph over Scarcity. I wrote about it here. It’s about Economics 2.0, as they call it, one key feature of which is putting the entrepreneur front and center — in contrast to much of traditional economics that marginalized or ignored the entrepreneur.

Kling and Schulz offer this table contrasting the characteristics of entrepreneurs and non-entrepreneurs (click to enlarge):

Entrepreneur-Unentrepreneur

They follow up with a bite:

“If you look carefully at the right-hand column, you will notice something more than just the fact that these characteristics describe someone who is not well suited to being an entrepreneur. Someone who fits the description of an un-entrepreneur would be perfectly suited in another role — as a bureaucrat.”[1]

And more:

“A stereotypical bureaucrat, whether in a government agency or a large corporation, strives to remain inconspicuous and insulated from customers. Bureaucrats seem to prefer planning to action, and they become unhinged by adversity. They examine failure in order to pin blame and warn against recurrence, rather than to look for new opportunities.”[2]

Sounds right to me.

But a question about the traits: When we debate politics and economics, to what extent are we driven by such psychological dispositions, whether inborn or acquired?

That is, setting aside arguments based on economics, politics, and philosophy, how much of this psychology explains the difference between those with an entrepreneurial, free-market orientation — and those who thrive in cronyist corporations, those who advocate for “Third-Way” policies, and even those who desire centrally-planned political-economies?

Sources:
[1] Arnold Kling and Nick Schulz, From Poverty to Prosperity: Intangible Assets, Hidden Liabilities and the Lasting Triumph over Scarcity, Encounter Books, 2009, p. 194.
[2] Ibid., p. 195.

The book has been re-issued as Invisible Wealth: The Hidden Story of How Markets Work (2011).

“What Justifies Liberal Capitalism: Are Hayek’s, Rand’s, and Friedman’s Answers Compatible?” My 2013 Atlas Summit lecture

The one-hour video of my lecture is at the Atlas Society site and at YouTube. The lecture starts at 3:40, after the introduction, and is about 45 minutes long, followed by a question-and-answer session. The sub-topics are:
* 13 initial arguments for liberal capitalism.
* Some quotations from Mises, Schumpeter, Jouvenel, Smith, Hayek, Mill, Rand, Locke, and Friedman.
* Two puzzles about justifying capitalism:
* (a) Deontology or consequentialism — e.g., is Rand a deontologist?
* (b) Individualism and collectivism — e.g., do Mises, Hayek, and Friedman see individuals only as a means to social ends?
* Solving the two puzzles.

Related:
Transcript of “13 arguments for liberal capitalism in 13 minutes.”
The program for the 2014 Atlas Summit in New Hampshire, where I’ll be speaking on “Corruption in Business: Does Regulation Lessen or Increase It?”